Carl Sagan: a meritocracia e a imbecilização das crianças

Não me lembro quando o li pela primeira vez, já tinha mais de 30, mas há um livro que provavelmente foi um dos principais responsáveis por despertar em mim a compreensão de que era necessário propagandear o método científico, o materialismo.

Esse livro foi The Demon-Haunted World (O Mundo Assombrado pelos Demônios – A Ciência vista como uma vela no escuro), de Carl Sagan.

Já era fã incondicional de Sagan por conta da série Cosmos, que assistia avidamente e repetidamente (assista todos os episódios aqui), mas esse livro bateu mais fundo.

No livro, Sagan apresenta o método científico de uma forma simples, para fazê-lo ser compreendido por todos. O objetivo é propagandear a ciência, é convencer as pessoas comuns a pensarem de maneira materialista, científica, racional. Quer auxiliar as pessoas a não mais serem enganadas por superstições e pseudociências, pensando criticamente e questionando as novas e as velhas ideias.

É exatamente com o mesmo objetivo que criei este blog: a militância pelo materialismo.

O texto a seguir foi extraído desse livro. Nele, Sagan demonstra como as crianças passam de cientistas natos a adultos autômatos imbecilizados. Entende qual o papel da chamada “meritocracia” nesse processo, como a necessidade de ter seu “mérito” reconhecido faz com que os jovens passem a ter medo, ter pavor de errar. Assim, passam a preferir a certeza da mediocridade à insegurança da descoberta.

Sagan faz também uma crítica velada à política liberal e neoliberal que está destruindo a educação pública, em especial a educação científica, levando os EUA e o mundo de volta à Idade das Trevas.

As teses de Marx sobre a filosofia de Feuerbach

Por volta do ano de 1845, Marx começava a formular sua crítica à filosofia alemã, tanto ao idealismo quanto ao materialismo contemplativo. Analisando as ideias do jovem hegeliano Ludwig Feuerbach (que já publiquei aqui), Marx formula ideias centrais a partir das quais ele evoluiria sua crítica.

Esse rascunho só chegou a ser publicado após a morte de Marx, quando Engels editou-as e publicou-as como um apêndice ao seu livro Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã. O texto original só ressurgiu em 1924 quando o Instituto de Marxismo-Leninismo de Moscou publicou A filosofia alemã.

Com este texto, continuamos nossa série sobre a gênese do pensamento materialista.

Aqui, Marx entende que não basta contemplar a matéria estática, como se fosse um quadro. É preciso entender que a realidade é a matéria em movimento, a interação entre os elementos e os indivíduos. Com essa compreensão, percebe que é necessário alterar esse mundo, alterar a realidade, alterar as interações entre os indivíduos conforme as necessidades reais das pessoas reais.

Porantim

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