Fotografia mostra um homem pobre ajoelhado de costas em um beco escuro, com as mãos atrás da cabeça. À direita, uma figura sombria segura uma pistola apontada para ele. No primeiro plano, um distintivo policial e dinheiro estão sobre uma caixa de madeira. Simboliza a atuação dos esquadrões da morte na polícia do Rio de Janeiro

Gratificação Faroeste: a legalização dos Esquadrões da Morte no Rio

Ao aprovar um bônus por “neutralização de inimigo”, a ALERJ não combate o crime, mas assina uma carteira de trabalho para o extermínio.

Maurício Moura

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) aprovou, em 23 de setembro de 2025, a emenda que reinstitui a polêmica “Gratificação Faroeste”. Com 47 votos a favor e 15 contra, os deputados autorizaram o pagamento de um bônus mensal a policiais civis que “neutralizarem inimigos” em confronto 1. A retórica oficial a vende como um estímulo à coragem e uma resposta à guerra urbana. Na prática, porém, a medida é a mais explícita e chocante legalização de práticas de esquadrão da morte já vista no Brasil. Ela transforma o Estado em patrocinador do extermínio, incentiva a execução sumária e explora de maneira perversa a vulnerabilidade financeira dos agentes de segurança, criando um incentivo econômico irrecusável para que se mate em vez de se prender.

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A extrema-direita e a mentira como estratégia política

Maurício Moura

A desinformação tem sido frequentemente tratada como um subproduto inevitável das redes sociais: um vírus digital que infecta ecossistemas midiáticos e corrói a confiança nas instituições. No entanto, um estudo pioneiro publicado no International Journal of Press/Politics, analisando 32 milhões de tweets de parlamentares em 26 países entre 2017 e 2022, demonstra que a desinformação não é um fenômeno generalizado: é, sobretudo, uma estratégia política articulada por partidos populistas de extrema-direita 1 2.

A pesquisa, conduzida por Petter Törnberg (Universidade de Amsterdã) e Juliana Chueri (Universidade Livre de Amsterdã), revela que a propagação de informações falsas está intrinsecamente ligada a um projeto político específico: aquele que combina populismo, ultradireitismo e hostilidade às instituições democráticas 1 3.

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Protocolo super bebê. Risco para a mãe e risco para o bebê

Protocolo Super Bebê: o que é, riscos e embasamento científico

Maurício Moura

Em meio a vídeos virais sedutores e promessas milagrosas, o chamado “Protocolo Super Bebê” emergiu nas redes sociais como uma tendência perigosa para gestantes. A prática, que promete elevar o QI e fortalecer o sistema imunológico do bebê por meio de megadoses de vitaminas injetáveis, foi amplamente divulgada por influencers e até mesmo alguns profissionais da saúde, gerando fascínio e preocupação. No entanto, por trás da aura de inovação e biohacking, esconde-se uma realidade alarmante: a completa ausência de comprovação científica e riscos graves à saúde materna e fetal. Entidades médicas de peso, como a Federação Brasileira das Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), emitiram alertas formais contra o protocolo super bebê, classificando-o como uma prática pseudocientífica que viola os princípios da ética médica e coloca vidas em perigo. Este artigo examina criticamente essa moda perigosa, detalha seus riscos reais e reforça a importância fundamental de um pré-natal baseado em evidências como único caminho seguro para uma gestação saudável.

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IX Congresso da Associação Internacional do Livre Pensamento

Participe do Congresso Internacional de Livre Pensamento – 2025

Em um mundo onde os fundamentalismos religiosos e os ataques ao Estado Laico se intensificam, a união e a voz coletiva dos que defendem a razão, a liberdade de consciência e a justiça social são mais urgentes do que nunca. É com este espírito de resistência e solidariedade internacional que a Associação Internacional do Livre Pensamento (AILP) convoca o seu IX Congresso.

Dirigimo-nos especialmente às nossas camaradas e aos nossos camaradas de todas as associações de livre pensamento, humanistas, racionalistas, materialistas, ateias e laicas da Lusofonia – de Portugal ao Brasil, de Angola a Moçambique, de Cabo Verde à Guiné-Bissau, de São Tomé e Príncipe a Timor-Leste – para juntarem-se a nós neste encontro crucial.

Os desafios que enfrentamos em nossas nações, embora diversos em seu contexto, são profundamente semelhantes em sua essência: a luta contra os privilégios das igrejas, a busca por reparação para as vítimas de seus crimes, e a defesa intransigente de um espaço público secular onde nenhuma crença possa impor sua lei. A riqueza de experiências e estratégias dos países lusófonos é uma contribuição inestimável para esta luta global.

Este congresso será um espaço privilegiado para fortalecer os laços de ajuda mútua entre livres-pensadores de todos os continentes, para denunciar os crimes das igrejas e articular ações por justiça e reparação e para debater estratégias comuns para enfrentar o poder temporal e a riqueza das instituições religiosas.

Convidamos todas as organizações irmãs a participarem ativamente deste diálogo fraterno, contribuindo com suas experiências e ajudando a moldar a Declaração Internacional que será produzida. Sua presença e sua voz são indispensáveis para que este congresso verdadeiramente represente a diversidade e a força do livre pensamento em todo o mundo.

Contamos convosco!

Abaixo, seguem a Carta-Convite oficial com todos os detalhes temáticos e organizativos, e o Programa provisório do congresso.

Juntos pela Razão, pela Laicidade e pela Emancipação Humana!

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