20 mitos médicos e científicos

* David Robert Grimes

Assumindo que você não é um eremita sociopata com a capacidade social de um hamster lobotomizado, há uma boa chance de você ter tido alguma forma de envolvimento social em sua vida. Uma coisa ótima coisa sobre um bom encontro é uma boa conversa – às vezes, porém, você ouve algo que aciona um alarme distante. Isso é verdade? Eu preciso chegar isso. Claro que metade das vezes nós esquecemos e então talvez escutemos aquilo novamente, e de novo. Depois de um tempo nós assumimos tacitamente que aquilo é verdadeiro e o repetimos. Mas e se estiver errado, nós apenas perpetuamos as falsidades? O que se segue é uma lista sem nenhuma ordem particular de coisas que eu escutei em festas ou em algum estágio, de alguma forma, assumi implicitamente que tinha algum mérito. Cada uma delas é um suculento petisco de ciência, tecnologia ou medicina que se repete tanto que se integrou à nossa consciência coletiva. Eles tem uma coisa em comum – são todos, sem exceção, falsidades. Aqui está uma lista de 20 reivindicações que eu ouvi pelo menos uma vez no ano. Assim, em nenhuma ordem particular e sem rima ou razão real….

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“Não tenho provas, mas tenho convicção” ou a incrível capacidade conservadora de formar imbecis

Há poucos dias virou piada nas redes sociais a declaração de dois membros do Ministério Público brasileiro que, na apresentação de uma denúncia, em um momento teriam afirmado não ter prova cabal sobre a participação de uma pessoa em um crime e em outro que teriam convicção suficiente de que essa mesma pessoa havia cometido o tal crime.

Um desses promotores, que define a si mesmo como “seguidor de Jesus”, acredita que está realizando o trabalho de Deus e faz pregações em igrejas evangélicas sobre sua “missão” no Ministério Público.

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Como a homeopatia faz mal

Stephen Barrett

Os defensores da homeopatia adoram afirmar que os produtos homeopáticos são seguros, suaves e não tem efeitos colaterais. Esta ideia é baseada no fato de que, na maioria dos produtos, o “ingrediente ativo” está tão diluído que não pode causar dano direto. Na verdade, nos produtos homeopáticos preparados adequadamente que são designados 12C (ou 24x) ou mais, nenhuma molécula da substância original estará presente. Infelizmente para os pacientes, a homeopatia pode fazer mal de pelo menos quatro maneiras.

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Os ataques “pós-modernos” à ciência e à realidade

Victor J. Stenger*

Tendências recentes em alguns círculos acadêmicos têm posto em causa noções convencionais de verdade e realidade. A reivindicação feita nesses círculos é que toda declaração, seja na ciência ou na literatura, são simples narrativas – histórias e mitos que não fazem nada mais do que articular os preconceitos culturais do narrador. Nessa visão, uma narrativa é tão boa quanto outra, uma vez que cada uma é expressa na linguagem de sua cultura particular e, portanto, contém todas as suposições sobre a verdade e a realidade incorporadas nessa cultura. Textos não tem significados intrínsecos. Em vez disso, os seus significados são criados pelo leitor. As conclusões que se tiram é que nenhuma narrativa pode ter validade universal e a ciência “ocidental” não é exceção.

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A incerteza na medicina

Harriet Hall*

Uma das razões que me levaram à medicina foi a ideia ingênua de que médicos sempre sabem o que fazem. Eu estava errada. Marya Zilberberg acertou quando disse que “a única certeza sobre a medicina é a incerteza”. Históricos de pacientes são incertos, exames físicos são incertos, testes são incertos, diagnósticos são incertos, tratamentos são incertos, até a anatomia humana é incerta. Médicos não são cientistas, eles são usuários práticos da ciência que aplicam evidências científicas ao cuidado do paciente. Medicina trata de probabilidades e suposições informadas, não certezas. Sintomas podem significar várias coisas. Eles podem ser um sinal de doenças sérias exigindo tratamento, uma doença que ainda não sabemos identificar e tratar, uma condição benigna que se resolverá sem tratamento, uma hipersensibilização de funções corporais normais, depressão, transtorno de somatização, simulação de doença ou um pedido de ajuda.

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Pós-modernismo e a pseudociência que prejudica a mulher

Já tocamos no assunto aqui de como o pós-modernismo ressuscitou o feminismo reacionário, agora vamos compreender um pouco como a retórica pseudocientífica pós-modernista, iguala qualquer mitologia e charlatanismo ao conhecimento científico e acaba colocando em risco exatamente quem diz defender.

No texto a seguir, Claire Lehmann aborda como as hipóteses pós-modernas sobre gênero são prejudiciais à saúde da mulher. Clair é uma livre pensadora e psicóloga que escreve para várias publicações, como o The Guardian e o The Sydney Morning Herald  e está concluindo seu mestrado em psicologia forense.

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Violência obstétrica: a “medicina” contra a ciência

O termo violência obstétrica é amplo. Engloba os procedimentos, físicos ou não, que a mulher passa que não estejam baseados na ciência desde a gestação, o trabalho de parto, o parto, o pós-parto ou o abortamento. A lista dessas violências é extensa: agredir verbalmente ou fazer comentários constrangedores sobre a mulher ou sua família, recusar ou dificultar o atendimento, não permitir acompanhante, fazer lavagem intestinal, raspagem dos pelos, jejum, episiotomia (alargar o carnal de parto fazendo um corte no períneo) ou separar a mãe do bebê saudável após o nascimento são apenas alguns exemplos.

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