O florescente mercado das “desordens psicológicas”

Surgido há 50 anos, o uso de antipsicóticos, a despeito de seus pobres resultados, tornou-se maciço na medicina psiquiátrica norte-americana. Na população geral, 1.100 pessoas (850 adultos e 250 crianças) se unem todos os dias à lista dos destinatários da ajuda financeira federal por motivo de problema mental severo

por Olivier Appaix

Criada em 2008, em Denver (Colorado), a empresa de exames médicos de imagem CereScan pretende diagnosticar os problemas mentais por meio de imagens do cérebro. Um documentário exibido no canal Public Broadcasting Service (PBS)1 mostra seu funcionamento. Sentado entre os pais, um menino de 11 anos espera, silencioso, o resultado da IRM2 de seu cérebro. A assistente social pergunta se ele está nervoso. Não, ele responde. Ela mostra então as imagens à família: “Vocês estão vendo? Aqui está vermelho, e aqui, alaranjado. Mas deveria estar verde e azul”. Tal cor sinaliza depressão; outra, os problemas bipolares ou as formas patológicas da angústia.

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Ritalina, a droga legal que ameaça o futuro

É uma situação comum. A criança dá trabalho, questiona muito, viaja nas suas fantasias, se desliga da realidade. Os pais se incomodam e levam ao médico, um psiquiatra talvez.  Ele não hesita: o diagnóstico é déficit de atenção (ou Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH) e indica ritalina para a criança.

O medicamento é uma bomba. Da família das anfetaminas, a ritalina, ou metilfenidato, tem o mesmo mecanismo de qualquer estimulante, inclusive a cocaína, aumentando a concentração de dopamina nas sinapses. A criança “sossega”: pára de viajar, de questionar e tem o comportamento zombie like, como a própria medicina define. Ou seja, vira zumbi — um robozinho sem emoções. É um alívio para os pais, claro, e também para os médicos. Por esse motivo a droga tem sido indicada indiscriminadamente nos consultórios da vida. A ponto de o Brasil ser o segundo país que mais consome ritalina no mundo, só perdendo para os EUA.

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Má conduta científica é um problema global, afirma pesquisador

Por Elton Alisson

Plágio, falsificação e fabricação de resultados científicos deixaram de ser problemas exclusivos de potências em produção científica, como os Estados Unidos, Japão, China ou o Reino Unido.

A avaliação foi feita por Nicholas Steneck, diretor do programa de Ética e Integridade na Pesquisa da University of Michigan, nos Estados Unidos, em palestra no 3º BRISPE – Brazilian Meeting on Research Integrity, Science and Publication Ethics, realizado nos dias 14 e 15 de agosto, na sede da FAPESP.

Segundo Steneck, por ter atingido escala global, é preciso que universidades, instituições de pesquisa e agências de fomento em todo o mundo realizem ações coordenadas para lidar com essas questões, a fim de não colocar em risco a integridade da ciência como um todo.

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O que a ciência tem a dizer sobre o criacionismo


Manifesto da Sociedade Brasileira de Genética (SBG) sobre ciência e criacionismo

A Sociedade Brasileira de Genética (SBG) vem a público comunicar que não existe qualquer respaldo científico para ideias criacionistas que vêm sendo divulgadas em escolas, universidades e meios de comunicação. O objetivo deste comunicado é esclarecer a sociedade brasileira e evitar prejuízos no médio e longo prazo ao ensino científico e à formação dos jovens no país.

A Ciência contemporânea é a principal responsável por todo o desenvolvimento tecnológico e grande parte da revolução cultural que vive a sociedade mundial. A Biologia do século XXI começou a se fundamentar como uma Ciência experimental bem estabelecida com a publicação das primeiras ideias sobre Evolução Biológica por Charles Darwin e Alfred Wallace, em meados do século XIX. Esta Teoria científica unifica todo o conhecimento biológico atual em suas várias disciplinas das áreas da saúde, ambiente, biotecnologia, etc. Além disso, a Teoria Evolutiva explica, com muitas evidências e dados experimentais, a origem e riqueza da biodiversidade, incluindo as espécies existentes e extintas, de nosso planeta.
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O Julgamento do Macaco

O professor John Scopes

As tentativas de impor o obscurantismo através da força sempre permeou o poder, em especial quando a distinção entre Estado e Religião não estão claras. O exemplo mais conhecido disso foi a Idade Medieval, quando Igreja e Estado eram umbilicalmente ligados e a Inquisição se encarregava de torturar e assassinar qualquer um que ousasse discordar dos dogmas estabelecidos.

Essa história todo mundo já ouviu falar, mas ela não acabou por aí. Vários países ainda qualificam a discordância religiosa como crime. Grande parte da Europa tem leis contra a blasfêmia, embora a opinião pública da maioria dos países geralmente consiga impedir sua ação.

Recentemente, um funcionário público da Indonésia foi condenado a cumprir 2,5 anos na cadeia por ter escrito a frase “Deus não Existe” no Facebook (embora líderes religiosos defendessem a decapitação). No mesmo país, cinco adolescentes foram presas por dançar. O Instituto Pew Research Center constatou em 2010 que 5,2 bilhões de pessoas (75% da população do mundo) vivem em locais em que há restrições de crença.

No Brasil não é diferente, com professores obrigando alunos a rezarem e os constantes ataques promovidos pela Bancada Evangélica e os conservadores de plantão (como a PEC 99/11, que iguala o status das igrejas grandes a organizações da Sociedade Civil, como sindicatos e partidos).

Mas o que dizer quando a ciência é classificada como crime?

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Se você abrir demais a sua mente, seu cérebro vai cair

Quem nunca se deparou com um defensor da astrologia que tem como argumento máximo a frase “mas funciona”? Geralmente seguido de alguma evidência anedótica com o próprio ou algum amigo ou parente.

O mesmo ocorre com defensores de outras pseudociências, como a homeopatia, quiropraxia ou reflexologia. Não sem surpresa, é o mesmo fenômeno quando se discutem a mediunidade e percepções “extrassensoriais”, medicina “alternativa”, abduções alienígenas e todo tipo de afirmação fantástica anticientífica.

Quando você se aprofunda na discussão com o indivíduo, sempre acaba surgindo, como argumento final, a frase “você precisa abrir a sua mente”.

Pois bem, o músico australiano Tim Minchin lança um desafio a todos esses “pensadores” e propõe inclusive um prêmio.

Além de músico, Minchin é ator e humorista e aborda constantemente temas como pseudociências, religião e fé. Ateu e cético, defende que nossas opiniões e visões de mundo devem se basear na realidade, nas evidências e que todos os dogmas e tradições devem ser desafiados.

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Exorcismo é bobagem!

Exorcismo é a prática de pretensamente expulsar demônios do corpo de pessoas “possuídas” por eles. É uma crença presente em várias religiões, mas especialmente marcante nas denominações cristãs pentecostais e neopentecostais, inclusive a Renovação Carismática, que é ligada à Igreja Católica.

Para quem vive no mundo real, o transtorno de “possessão” é um distúrbio mental ligado a um transtorno dissociativo de personalidade ou a alguns tipos de monomania.

Antes do ser humano começar a conhecer a mente até fazia sentido atribuir as doenças mentais a demônios e djins. Como tudo o mais, o humano atribuía ao desconhecido raízes mágicas e fantásticas. Só que o conhecimento humano sobre a mente já evoluiu bastante e já não faz o mais ínfimo sentido utilizar a fantasia como explicação.

Pior: os rituais de exorcismo são rituais geralmente violentos. Baseiam-se em causar desconforto físico ao “possuído”. São, assim, rituais onde as torturas física e psicológica são constantes e “aceitáveis”.

Sobre esse assunto, Penn & Teller fazem uma pesquisa em seu programa Bullshit! e formulam uma crítica bem humorada sobre a bobagem perigosa e violenta do exorcismo, apresentando dados estarrecedores sobre o tema.

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Um poema em defesa da razão, contra o hype “alternativo”

Quem nunca se pegou tentando argumentar a sério com alguém que acaba por defender fadas, duendes, energia da alma, anjos, teorias da conspiração e todo esse obscurantismo hype da “Nova Era”?

Com a desculpa de combater o mainstream religioso, eles defendem qualquer tipo de dogma alienante, desde que tenha um rótulo de “alternativo”. Evidências são meros detalhes. O mundo real é considerado um “limitante”. A ciência é tida como um ser pensante, uma entidade mágica que se vendeu às conspirações.

Empostação de mãos, “alinhamento” da alma e a posição dos astros são tidos como os mais poderosos remédios.

Efeitos maléficos hediondos são atribuídos às vacinas e a qualquer avanço científico.

Tim Minchin – ator, humorista e músico australiano – nos apresenta seu poema beat (grupo de artistas dos EUA nos anos 50 que deu origem ao beatnik e ao hippie), sobre uma dessas conversas. Um bem humorado filme de animação lançado em 2011.

Não há diferença entre impedir uma criança de receber uma transfusão de sangue ou tentar curá-la a partir do alinhamento do seu Qi (“energia da vida”). Ambas se baseiam em dogmas e tem por objetivo prejudicar e colocar em risco a vida de uma criança.

É claro que não há nada de alternativo nessas coisas. É mainstream, é hype, é moda, é indústria, dá lucro (e tem como objetivo o lucro). Só tem uma roupagem diferente.

Todo dogmatismo, seja pseudocientífico ou religioso, que nega a realidade é nocivo à toda a espécie humana. É disso que se trata.

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Medicina alternativa não é medicina. Nem alternativa.

Penn & Teller (Penn Jillette e Raymond Joseph Teller) são uma dupla de ilusionistas e comediantes estadunidenses. Sendo capazes de reproduzir qualquer coisa fantástica utilizando o ilusionismo, ficaram famosos por expor charlatães, demonstrando que curas espirituais, tratamentos “alternativos” e “tradicionais”, aparições fantasmagóricas, abdução por alienígenas, teorias da conspiração e todos esses relatos fantásticos, não passam de pseudociência, má fé e charlatanismo (talvez alguma dose de esquizofrenia).

Além de shows, a dupla tem um programa de televisão chamado Bullshit! (Besteira!), que os tornou conhecidos no Brasil.

Neste episódio de Bullshit!, a dupla investiga três das chamadas “medicinas alternativas”: Reflexologia, Magnetoterapia e a Quiropatia, demonstrando que são práticas baseadas unicamente na sugestão, mas que podem ser extremamente perigosas à saúde e até à vida das pessoas.

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