A incerteza na medicina

Harriet Hall*

Uma das razões que me levaram à medicina foi a ideia ingênua de que médicos sempre sabem o que fazem. Eu estava errada. Marya Zilberberg acertou quando disse que “a única certeza sobre a medicina é a incerteza”. Históricos de pacientes são incertos, exames físicos são incertos, testes são incertos, diagnósticos são incertos, tratamentos são incertos, até a anatomia humana é incerta. Médicos não são cientistas, eles são usuários práticos da ciência que aplicam evidências científicas ao cuidado do paciente. Medicina trata de probabilidades e suposições informadas, não certezas. Sintomas podem significar várias coisas. Eles podem ser um sinal de doenças sérias exigindo tratamento, uma doença que ainda não sabemos identificar e tratar, uma condição benigna que se resolverá sem tratamento, uma hipersensibilização de funções corporais normais, depressão, transtorno de somatização, simulação de doença ou um pedido de ajuda.

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O cérebro crente: porque a ciência é o único caminho para fora do realismo dependente da crença

Michael Shermer *

O presidente Barack Obama nasceu no Havaí? Eu achei a questão tão absurda, sem mencionar a possibilidade de racismo em sua motivação, que quando eu foi confrontado com “birthers”1 que acreditam em outra coisa, eu achei difícil até mesmo me concentrar em seus argumentos sobre a diferença entre uma certidão de nascimento e um certificado de nascido vivo. A razão é porque uma vez que eu formei uma opinião sobre o assunto, tornou-se uma crença, sujeita a uma série de vieses cognitivos para garantir a sua verosimilhança. Eu fiquei irracional? Possivelmente. De fato, é assim que a maioria dos sistema de crença funcionam para a maioria de nós na maioria do tempo.

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Bronowski e o fracasso da magia

Jacob Bronowski

“O homem domina a natureza
não pela força,
mas pela compreensão.

É por isto que a ciência
teve sucesso
onde a magia fracassou:

porque ela não buscou
um encantamento
para lançar sobre a natureza”

Jacob Bronowski

Bronowski, Jacob. In Singh, Simon. Big Bang. Editora Record. Rio de Janeiro/São Paulo. 2006. ISBN: 85-01-07213-3 (pág. 459)

Vargas Vila: toda fé é uma tirania

“Duvide.
Nenhuma fé até hoje
foi tolerante.
A dúvida é a tolerância.
A fé levantou fogueiras,
a dúvida
não as levantará jamais.
Toda fé é uma tirania
e todo crente
é um escravo.
Não acredite”

Vargas Vila

In: BAZZO, Ezio Flavio. Assim falou Vargas Vila. Brasília, Companhia das Tetas Publicadora, 2005.

Se você abrir demais a sua mente, seu cérebro vai cair

Quem nunca se deparou com um defensor da astrologia que tem como argumento máximo a frase “mas funciona”? Geralmente seguido de alguma evidência anedótica com o próprio ou algum amigo ou parente.

O mesmo ocorre com defensores de outras pseudociências, como a homeopatia, quiropraxia ou reflexologia. Não sem surpresa, é o mesmo fenômeno quando se discutem a mediunidade e percepções “extrassensoriais”, medicina “alternativa”, abduções alienígenas e todo tipo de afirmação fantástica anticientífica.

Quando você se aprofunda na discussão com o indivíduo, sempre acaba surgindo, como argumento final, a frase “você precisa abrir a sua mente”.

Pois bem, o músico australiano Tim Minchin lança um desafio a todos esses “pensadores” e propõe inclusive um prêmio.

Além de músico, Minchin é ator e humorista e aborda constantemente temas como pseudociências, religião e fé. Ateu e cético, defende que nossas opiniões e visões de mundo devem se basear na realidade, nas evidências e que todos os dogmas e tradições devem ser desafiados.
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Livros são sensacionais

zen-pencils-043-thumbMais uma adaptação do Zen Pencils, desta vez uma frase do cosmólogo Carl Sagan. O texto tem origem em Cosmos (veja a série completa), série de TV que tornou Sagan um dos mais famosos divulgadores científicos do mundo.

Sagan foi um grande defensor do materialismo, do método científico e do pensamento crítico. Ele entendia que, para olhar o mundo criticamente, era necessário estudá-lo, compreendê-lo, conhecê-lo. Por isso sua defesa dos livros.

Pode-se dizer que os livros são a base fundamental do conhecimento. São o registro das coisas que a humanidade tem aprendido durante milênios. E não são apenas os livros técnicos ou científicos, mas também a ficção, que nos faz treinar nossa imaginação, exercitar nosso cérebro.

É por isso que todas as ditaduras, dos militares brasileiros ao nazismo, proibiram títulos, prenderam autores e leitores e destruíram livros. É por isso que todos os regimes teocráticos, da Inquisição católica aos Talebãs, fizeram o mesmo.

O conhecimento liberta. Um cérebro afiado e baseado no mundo real é um perigo para regimes ditatoriais e para todo tipo de obscurantismo.

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O que é sagrado? O sagrado é imune à crítica?

Tim Minchin é um ator, humorista e músico australiano. Em seus bem humorados shows musicais, Tim aborda constantemente temas como religião, pseudociências e fé. Ateu e cético, ele defende que nossa visão do mundo deva ser baseada na realidade, nos fatos.

Neste texto, parte de um show com a Heritage Orchestra no Royal Albert Hall, em Londres, Tim discorre sobre a compreensão do sagrado. O que faz um livro, um objeto ou um homem ser sagrado? São suas características intrínsecas ou é um conceito atribuído unicamente por um grupo de pessoas?

Qual o limite do respeito que deve ser cobrado sobre o “sagrado”? A Bíblia ou o Alcorão devem ser respeitados? E quanto às vacas, ratos, cobras, aranhas, gatos e outros animais sagrados em outras culturas? Se alguém pode ser morto por desenhar o Maomé, então também pode ser morto por comer carne de vaca?

No fim, Minchin dá um exemplo prático disso. O Papa é sagrado para alguns cristãos (há vários papas de várias igrejas e há igrejas que não acreditam na sacralidade do papa). Quando o Papa faz algo reprovável, temos o direito de criticá-lo? Ou  sua sacralidade o torna imune a críticas?

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A ciência precisa combater a pseudociência: uma declaração de 32 cientistas e filósofos russos

Representantes de várias ciências e disciplinas – astrônomos, fisicistas, químicos, biólogos, filósofos, advogados, psicólogos – estão preocupados com o crescimento generalizado da astrologia, medicina alternativa, quiromancia, numerologia e pseudociências místicas na Russia e outros países do mundo. Nós queremos chamar a atenção do público para a ameaça  de uma atitude acrítica frente às profecias e conselhos dos modernos “praticantes da ciências ocultas”, oferecidas tanto privativamente quanto nos meios de comunicação de massa. Aqueles que acreditam na dependência da fé humana nos corpos celestes, substâncias mágicas ou bruxaria precisam entender que a ciência não pode dar suporte a essas crenças de forma alguma.

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Teorias da conspiração: por que as pessoas continuam acreditando em histórias estúpidas?

Comunicação com extraterrestres encobertas pelos governos, Iluminattis, revolução gramsciana, Nova Ordem Mundial, 11 de setembro, Atlântida… Há dezenas de exemplos de teorias da conspiração propagadas tanto pelo senso comum quanto por uma autoproclamada “elite intelectual”, como blogueiros da Veja e lideranças conservadoras e reacionárias, como a TFP, o Pe. Paulo Ricardo e Olavo de Carvalho.

O ex-astrólogo e pseudofilósofo Olavo de Carvalho é um grande exemplo desse fenômeno. Tido como “erudito” pelos conservadores brasileiros (apesar de morar nos EUA), esse senhor defende que está em curso um projeto de dominação do mundo (a Nova Ordem Mundial) que se divide em três “frentes”: a islâmica, a metacapitalista e a russo-chinesa. Disso, ele conclui que o ex-presidente Bill Clinton era um agente comunista que trabalhava sob ordens do governo da China. Afirma também que Barack Obama é a personificação desse projeto, transitando nas três frentes. Obama teria falsificado sua certidão de nascimento do Quênia e, na verdade, seria islâmico e agente comunista, sob ordens das grandes corporações comandadas pelo especulador George Soros. Para ele, o grande alvo desse mega projeto é a destruição do “modo de vida ocidental” e do cristianismo.

Isso só pra citar uma de suas “verdades”.

Provas? Ora, como pseudocientista, ele afirma que esses Iluminatti são oniscientes, onipresentes e onipotentes e tem a capacidade de sumir com todas as provas.

O que assusta mais é que várias ditas “personalidades” seguem esse fanatismo conspiratório, como o blogueiro reacionário Reinaldo Azevedo, o músico Lobão, o padre Paulo Ricardo… A lista é extensa.

Um artigo produzido por dois psicólogos da Universidade de Kent e publicado na revista Social Psychological and Personality Science tenta analisar esse fenômeno. Como pessoas que aparentam bom senso podem se entregar a teorias sem nenhuma evidência, sem nenhum contato com a realidade. No texto a seguir, o psicólogo e historiador da ciência  analisa esse estudo.

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