A revolução dos cravos e as lições de abril

Em todos os anos, Portugal comemora o Dia da Liberdade no 25 de abril. Esta data marca o dia da Revolução dos Cravos, que extinguiu a ditadura fascista do Estado Novo, que mergulhou o país em mais de uma década de guerras e quatro décadas de terror e retrocessos nos direitos dos trabalhadores.

Este dia deve servir de lição aos brasileiros que, hoje, passam por uma ofensiva desse mesmo fascismo destruidor, xenófobo, misógino, racista e homofóbico.

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Nosso verbo é lutar: Somos todos palestinos

A luta pela vida e auto-determinação do povo palestino sempre estiveram presentes aqui no Livre Pensamento. A laicidade, a democracia, a paz e poder viver segundo seus próprios costumes são direitos fundamentais dos povos do mundo. Direitos esses que tem sido roubados pelo Estado de Israel aliado ao imperialismo mundial, que mata, tortura e aprisiona o povo palestino aos milhares há mais de 60 anos. Um Estado racista, governado pelo Sionismo (um tipo de fascismo) que não se contenta em massacrar os palestinos, mas comete dezenas de crimes contra os Beduínos, os Beta Israel (judeus etíopes), os Mizrahim (judeus árabes) e tantos outros povos.

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O porquê da canção de abril

da esquerda para a direita: Barata Moura, Vitorino, José Jorge Letria, Manuel Freire, Fausto, Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira – 29 de março de 1974

Ainda sobre a Revolução de Abril em Portugal, publico um texto do jornalista e historiador alentejano Pedro Laranjeira.

Em 1974, Pedro era jornalista freelance e tinha suas reportagens constantemente veiculadas no programa Limite, da Rádio Renascença, o mesmo programa que transmitiu Grândola Vila Morena em 25 de abril, como senha de arranque da MFA.

Como jornalista, Pedro cobriu a Revolução de Abril, gravando cerca de 7 horas de reportagem, junto com seus colegas Adelino Gomes, Paulo Coelho e Barbara Skolimowska. Esse material, editado e condensado em cerca de 2 horas e meia, foi veiculado pela Rádio Renascença durante a noite de 26 e a madrugada de 27 de abril de 1974 e posteriormente  publicado em vinil com o título de O dia 25 de abril – Diário da Revolução 1974.

Testemunha ocular, Pedro publicou este texto em seu blog em 30 de março de 2007. Não conhecia o texto e recebi a dica do também jornalista Roberto Salomão, a quem desde já agradeço.

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Grândola: Vila Morena

No meu último post dia 25, aniversário da Revolução dos Cravos, eu postei um vídeo com a versão da Grândola Vila Morena, a música que se tornou tema dessa revolução.

Eu citei no texto que haviam outras versões, com a Amália Rodrigues, a Nara Leão e a banda 365.

Bom, me cobraram que eu publicasse também essas versões.

Amália Rodrigues, a Rainha do Fado, é uma das mais importantes cantoras portuguesas. Nunca teve um posicionamento político muito claro, mas era amiga e contribuinte do Partido Comunista Português. O vídeo contém, além da gravação feita por Amália, vários artistas cantando a música (a partir dos 3 minutos). Entre eles está o Prêmio Nobel de Literatura José Saramago.

A gravação de Nara Leão é do EP de 1974,  A Senha do Novo Portugal, que também tem outra música do Zeca Afonso, Maio Maduro de Maio.

O terceiro vídeo é a da banda punk paulista 365. O clipe é novo, de 2011, mas a música foi gravada por eles em 1987.

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Portugal: 40 anos de liberdade

Hoje, 25 de abril, é feriado nacional em Portugal. É o Dia da Liberdade. Neste dia se comemora o movimento social que derrubou a ditadura fascista portuguesa do Estado Novo que durou mais de quatro décadas e mergulhou o país em 13 anos de guerras nas colônias.

A unidade dos trabalhadores portugueses, seus estudantes e seus soldados foi tão grande que a revolução portuguesa terminou com poucos tiros disparados e apenas 4 civis mortos pela polícia política.

Para simbolizar essa unidade, os civis distribuíram cravos vermelhos aos militares, que os colocaram nas pontas das armas. Por isso, a revolução portuguesa ficou conhecida como Revolução dos Cravos.

A revolução culminou com a construção e a entrada em vigor da nova Constituição, em 25 de abril de 1976.

Várias músicas fizeram parte da revolução ou foram ligadas a ela como homenagem. Uma dessas músicas tornou-se símbolo desse movimento, Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso. Ela foi escolhida para ser a segunda senha para o arranque das tropas (a primeira foi E depois do adeus, cantada por Paulo de Carvalho).

Aos 20 minutos da madrugada de 25 de abril de 74, Grândola, Vila Morena foi tocada no programa Limite, na Rádio Renascença e iniciou as operações simultâneas em todo o país das tropas organizadas pelo MFA. Apesar de os militares pedirem para que os civis não saíssem às ruas, já na madrugada as ruas de Lisboa foram tomadas pelo povo, que confraternizou com as tropas, distribuindo cravos. O mesmo ocorreu por todo o país.

Várias regravações da música foram feitas posteriormente, como por Amália Rodrigues, Nara Leão e até pela banda punk paulistana 365.

Assim, quero oferecer essa linda música como homenagem a este dia tão importante para a história dos países lusófonos.

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Babeuf e a igualdade entre os homens

Gracchus Babeuf, nascido François Noël Babeuf (1760 – 1797), foi um trabalhador francês que participou da Revolução Francesa e foi assassinado pela sua defesa da igualdade entre os homens.

Em 1789, no início da Revolução Francesa, participa da redação de uma lista de reivindicações do povo, onde defende a igualdade radical entre todos os seres humanos. Adotou o nome Gracchus em homenagem a dois irmãos romanos (Tiberius e Gaius Gracchus) que militaram em defesa da reforma agrária.

Babeuf defendia que não bastava a igualdade de direitos (perante a lei), mas era necessária a igualdade nas condições de vida das pessoas. Para alcançar tal intento, defendia a abolição da propriedade privada.

“Quando o governo viola os direitos do povo, a insurreição é, para o povo e para cada porção do povo, o mais sagrado dos direitos e o mais indispensável dos deveres.”
Gracchus Babeuf

Após a queda de Robespierre e a contrarrevolução do termidor (que retornou a burguesia ao poder na França), Babeuf apoiou a criação de uma organização popular, conhecida como Conjuração dos Iguais. Os Iguais defendiam a igualdade efetiva, real, entre os homens na “comunidade dos bens e dos trabalho”, onde, todos teriam acesso aos bens produzidos por seu trabalho.

A Conjuração dos Iguais é considerada o primeiro partido socialista da história. O texto que apresento hoje é o programa desse partido. É o manifesto em que Os Iguais declaram seus princípios e seus objetivos e é a primeira declaração política de caráter socialista da história.

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