Conhecer a realidade para mudá-la

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“A primeira condição
para modificar a realidade
consiste em conhecê-la”

Eduardo Galeano

GALEANO, Eduardo. As Veias Abertas da América Latina. Trad. de Galeano de Freitas, Rio de Janeiro, Paz e Terra, (estudos latino-americano, v.12), p. 187

Materialismo, Relatividade e socialismo em Einstein

Este texto me foi enviado recentemente por seu autor para ser publicado e pode ser considerado o primeiro guest post do site (apesar de não ser um texto inédito). Nele, Glailson Santos expõe uma interessante visão sobre as teorias de Einstein, começando por desmitificar a Teoria da Relatividade, levanto-a a sua raiz mais simples. O autor resgata as origens materialistas e socialistas do físico, a partir de seus próprios escritos.

Aproveito para convidar nossos leitores a enviarem seus textos. Este site é de todos os livres pensadores!


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Aprender a aprender: um slogan para a ignorância

Dermeval Saviani é um dos maiores teóricos da educação no Brasil. Graduado em Filosofia em 1966, é doutor em filosofia da educação e livre-docente em história da educação. Saviani é autor de 15 livros, entre eles Escola e Democracia, Educação – Do Senso Comum a Consciência Filosófica e A Questão Pedagógica na Formação de Professores. Tem dezenas de participações em livros, prefácios e artigos publicados. Já participou de mais de 80 bancas de mestrado e doutorado, tendo tido dezenas de orientandos.

Saviani propõe o que chama de Pedagogia Histórico-Crítica, uma visão pedagógica que parte da dialética, especialmente do materialismo histórico, com influência da psicologia histórico-cultural de Vigotski. Para ele, o processo pedagógico não está desvinculado da prática social, ao contrário, a prática social é início e fim da prática educativa.

Em 2008 Saviani concedeu uma entrevista para Raquel Varela e Sandra Duarte que foi publicada na revista portuguesa Rubra, número 3. Leia a íntegra:


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Acadêmico da CAPES nega projeto científico por divergências ideológicas.

Constantemente temos alertado para o crescente obscurantismo nas universidades brasileiras e para as constantes tentativas de destruição da universidade pública. Agora é a vez dos projetos de pesquisa sofrerem um absurdo ataque.

Um projeto envolvendo três importantes universidades públicas brasileiras acaba de ser negado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) porque o acadêmico responsável pelo parecer discorda ideologicamente da metodologia proposta. Em outras palavras, o preconceito obscurantista de um indivíduo condenou a busca do conhecimento levada a cabo por 19 professores universitários, 9 doutorandos, 15 mestrandos e 27 graduados da Universidade de Brasília, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte!

A justificativa? Para o consultor da CAPES, a contribuição do método científico materialista histórico-dialético é “duvidosa” (SIC). O tal “acadêmico” nega a contribuição de Florestan Fernandes, Octavio Ianni, Maurício Tragtemberg, Adriano Codato, Marilena Chauí e centenas de outros filósofos, economistas, cientistas políticos, físicos, astrônomos, historiadores, sociólogos, pedagogos, psicólogos e teóricos e acadêmicos de todas as áreas do conhecimento.

Isso é sintomático. As ciências humanas vem perdendo cada vez mais espaço na pesquisa acadêmica. A perspectiva crítica, a compreensão do mundo, a cidadania estão sendo jogadas no lixo em nome de uma pretensa melhoria técnica, ou seja, não interessa mais o porquê fazer, mas apenas o fazer em si. É a construção de uma academia que forme cada vez mais apertadores de parafuso e cada vez menos pensadores.

Com toda a razão, os pesquisadores criaram uma petição pública para denunciar a tentativa de destruição do pensamento crítico levada a cabo por setores governamentais e da comunidade acadêmica.

O Livre Pensamento declara seu total apoio aos pesquisadores. Assine a petição online.

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Karl Marx sobre a ilusão da felicidade

“O sofrimento religioso é
ao mesmo tempo
a expressão do
sofrimento verdadeiro
e um protesto contra
o sofrimento real.

A religião é o suspiro
da criatura aflita,
o coração de um
mundo sem coração,
é o espírito da situação
sem espírito.

A religião é o ópio do povo.

A abolição da religião como felicidade ilusória
é o que falta para sua verdadeira felicidade.

Pedir para que descartem as ilusões sobre sua situação
é pedir para que descartem a própria situação
que necessita de ilusões.

A crítica da religião, em seu âmago,
a crítica desse vale de lágrimas
da qual a religião é a auréola.

Essa crítica retirou as flores imaginárias das correntes dos homens,
não para que ele continue a usar essas correntes
sem consolo ou fantasia,
mas para que ele possa quebrar essas correntes
e então colher a flor viva.”

Karl Marx

Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. Einleitung. Introdução. MEW 1, S. 378, 1844 MEW 1, p. 378, 1844

Materialismo, idealismo e dialética: chamando as coisas pelos seus nomes

MaterialismoO senso comum faz uma grande confusão entre os termos materialismo e idealismo. Com influência, provavelmente, da moral religiosa, várias pessoas defendem a ideia de que o materialismo é o enaltecimento dos prazeres mundanos em detrimento de ideais mais “elevados”.

Essa ideia não é nova:

 “O filisteu entende por materialismo glutonaria, bebedeira, cobiça, prazer da carne e vida faustosa, cupidez, avareza, rapacidade, caça ao lucro e intrujice de Bolsa, em suma, todos os vícios sujos de que ele próprio em segredo é escravo; e por idealismo, a crença na virtude, na filantropia universal e, em geral, num ‘mundo melhor’, de que faz alarde diante de outros, mas nos quais ele próprio [só] acredita, no máximo, enquanto cuida de atravessar a ressaca ou a bancarrota que necessariamente se seguem aos seus habituais excessos ‘materialistas’ e [enquanto], além disso, canta a sua cantiga predileta: que é o homem? — meio animal, meio anjo.”
(ENGELS, F. Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Clássica Alemã. 1886)

Como demonstra o texto a seguir, essa visão não condiz com a realidade. Ele explica o ponto de vista de um dos principais teóricos do materialismo, o alemão Karl Marx. O materialismo (em especial o materialismo histórico e dialético) é uma concepção filosófica, não um preceito moral. O preceito básico seguido pelo materialismo é a observação da matéria, ou seja, do mundo real, sem o uso de hipóteses mágicas ou fantásticas. Ou seja, o materialismo defende que o mundo deve ser explicado a partir de si mesmo, até porque a matéria é a realidade objetiva e existe independente de nossa percepção ou consciência.

Leia também As teses de Marx sobre a filosofia de Feuerbach.

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O “neoateísmo” e a atualidade do Materialismo Militante

Ultimamente tenho visto muito se falar em “ateísmo militante” ou “neoateísmo”, termos ligados a aqueles que fazem propaganda ou defesa pública da visão cética, científica ou atéia do mundo. Têm-se dito que o zoólogo queniano Richard Dawkins seria o “pai” dessa linha.

Bom, minha compreensão é que não existe esse tal “neoateísmo”, já que o ateísmo nada tem de novo. Principalmente no que concerne ao ateísmo militante. Nessa defesa, publico abaixo um texto de 1922 em que Vladimir I. Lenin defende o ateísmo militante.

O texto foi originalmente escrito para ser publicado na revista Pod Znameniem Marksisma (Sob a Bandeira do Marxismo)  em seu número 3, mas acabou sendo publicado apenas em 1961 (V. I. Lenin. Polnoe Sobranie Sotchinenii, Moscou : GIPL, 1961, Vol. 45, pp. 23 e s.).

Nadežda Krupskaja, esposa de Lênin, escreve um artigo na revista sobre a época em que foi escrito o texto. Segundo ela, Lenin acabara de ler diversos livros e brochuras sobre temas anti-religiosos como Die Christusmythe (O Mito de Cristo), de Arthur Drews, e Profits of Religion (Os Lucros da Religião), de Upton Sincler.

Em 1908, Gueorgui Plekhanov já havia tratado do assunto no livro Os Princípios Fundamentais do Marxismo.

No início, texto se refere a outro texto que já postei aqui (Atenção à Teoria),  publicado na edição número 1 da revista.

Esta versão foi traduzida por Asturig Emil von München. Optei por suprimir as notas do tradutor.

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