Um manifesto pela ciência reprodutível

* Marcus R. Munafò, Brian A. Nosek, Dorothy V. M. Bishop,
Katherine S. Button, Christopher D. Chambers, Nathalie Percie du Sert,
Uri Simonsohn, Eric-Jan Wagenmakers, Jennifer J. Ware & John P. A. Ioannidis

Melhorar a confiabilidade e a eficiência da pesquisa científica aumentará a credibilidade da literatura científica publicada e acelerará descobertas. Aqui nós defendemos a adoção de medidas para otimizar os elementos chave do processo científico: métodos, relatório e divulgação, reprodutibilidade, avaliação e incentivos. Há evidências tanto de simulações quanto de estudos empíricos que suportam a efetividade dessas medidas, mas sua ampla adoção por pesquisadores, instituições, financiadores e publicações exigirá avaliação e melhorias iterativas. Nós discutimos os objetivos dessas medidas, e como elas podem ser implementadas, na esperança de que isso vá facilitar ações que aumentem a transparência, reprodutibilidade e eficiência da pesquisa científica.

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Vinte anos sem Carl Sagan

Há vinte anos atrás o mundo perdeu um grande ser humano. Carl Sagan foi um astrônomo estadunidense, cosmólogo, astrofísico, astrobiólogo, popularizador da ciência, cético científico, professor, autor ganhador do Prêmio Pulizter, celebridade televisiva ganhadora do Prêmio Peabody e um humanitário visionário, dedicado a melhorar a alfabetização científica em todo o mundo. Ele recebeu a Medalha de Distinção em Serviço Público da NASA, ajudando a planejar as primeiras mensagens da Terra enviadas ao Espaço e defendendo o Projeto SETI (Busca por Inteligência Extraterrestre). Sua série na televisão pública nos anos 80, Cosmos, atingiu centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. Ele foi um verdadeiro defensor da ciência, do ceticismo científico e do pensamento crítico. Carl Sagan morreu de pneumonia com 62 anos, em 20 de dezembro de 1996, depois de ter sofrido com um câncer e passar por vários transplantes de medula óssea.

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Apelo pelo respeito à laicidade

Por ocasião do 9 de dezembro de 2016, aniversário da promulgação da lei de 1905 da separação entre Igreja e Estado*

(para assinar, clique aqui)

É pouco dizer que a laicidade vai mal: maltratada, manipulada, vilipendiada, sem ousar se afirmar laica por medo de amálgamas e más interpretações. Princípio de paz, teria se tornado assunto de discórdia. Princípio de unidade para além das diferenças, a ela são atribuídos fins identitários.

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O cérebro crente: porque a ciência é o único caminho para fora do realismo dependente da crença

Michael Shermer *

O presidente Barack Obama nasceu no Havaí? Eu achei a questão tão absurda, sem mencionar a possibilidade de racismo em sua motivação, que quando eu foi confrontado com “birthers”1 que acreditam em outra coisa, eu achei difícil até mesmo me concentrar em seus argumentos sobre a diferença entre uma certidão de nascimento e um certificado de nascido vivo. A razão é porque uma vez que eu formei uma opinião sobre o assunto, tornou-se uma crença, sujeita a uma série de vieses cognitivos para garantir a sua verosimilhança. Eu fiquei irracional? Possivelmente. De fato, é assim que a maioria dos sistema de crença funcionam para a maioria de nós na maioria do tempo.

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O que é método científico?

Isaac Asimov*

Método científico é, obviamente, o método usado pelos cientistas ao fazerem descobertas científicas. Esta definição, porém, parece não ajudar muito. É possível entrar em maiores detalhes?

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Pelo fim do Apartheid: boicote acadêmico a Israel

Recentemente, o deputado federal Jean Willys (PSOL-RJ), indo na contra-mão da comunidade acadêmica internacional, foi a Israel por convite da Universidade Hebraica de Jerusalém. Foi um grande (e triste) exemplo de como trabalha a retórica do pós-modernismo (muito presente no PSOL): em nome de uma pretensa “liberdade da comunidade LGBT” no país, Willys tenta justificar o racismo e o genocídio praticado pelo Estado fascista de Israel. Em sua palestra que, segundo ele, versou “sobre antissemitismo, racismo, homofobia e outras formas de ódio e preconceito”, Willys ignorou completamente o fato de que Israel promove exatamente esse racismo, promove a segregação racial de seus cidadão, promove a ocupação militar de outros países, promove o genocídio do povo palestino, promove a esterilização forçada de mulheres negras em seu território.

O fato de a palestra de Jean Willys ter sido feita na Universidade Hebraica de Jerusalém não é secundário. Tal universidade é um símbolo da violência sionista. Boa parte das suas instalações foram construídas em terras tomadas ilegalmente e violentamente dos palestinos em Jerusalém Oriental. Uma carta aberta assinada por 76 acadêmicos e endossada por centenas de organizações e pesquisadores internacionais afirmava, já em 2013, que “apesar de todas as universidades israelenses compactuarem plenamente com a ocupação, o colonialismo de assentamentos e o apartheid, a Universidade Hebraica de Jerusalém tem papel proeminente”. Destaca ainda que “a universidade compactua com o tratamento desigual de palestinos, inclusive daqueles que são cidadãos de Israel [e] restringe a liberdade de expressão e de protesto de seus poucos estudantes palestinos”.

Em nome da liberdade de pensamento, nós apoiamos qualquer forma de boicote e sanções ao Estado Sionista de Israel e publicamos aqui a Campanha Palestina pelo Boicote Acadêmico e Cultural a Israel. Organize o boicote em sua Universidade e, se desejar, envie-nos notícias sobre a campanha.

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Teu feminismo burguês me oprime

Claudia S. M.

Teu feminismo burguês me oprime
Quando tentas me impor que sou livre
E me faz lavar teu banheiro, tuas calcinhas,
E dentro da tua casa sou assediada pelo patrão
“Mas quem nunca caiu em tentação … ele é homem” Continuar lendo