Pelo fim do Apartheid: boicote acadêmico a Israel

Recentemente, o deputado federal Jean Willys (PSOL-RJ), indo na contra-mão da comunidade acadêmica internacional, foi a Israel por convite da Universidade Hebraica de Jerusalém. Foi um grande (e triste) exemplo de como trabalha a retórica do pós-modernismo (muito presente no PSOL): em nome de uma pretensa “liberdade da comunidade LGBT” no país, Willys tenta justificar o racismo e o genocídio praticado pelo Estado fascista de Israel. Em sua palestra que, segundo ele, versou “sobre antissemitismo, racismo, homofobia e outras formas de ódio e preconceito”, Willys ignorou completamente o fato de que Israel promove exatamente esse racismo, promove a segregação racial de seus cidadão, promove a ocupação militar de outros países, promove o genocídio do povo palestino, promove a esterilização forçada de mulheres negras em seu território.

O fato de a palestra de Jean Willys ter sido feita na Universidade Hebraica de Jerusalém não é secundário. Tal universidade é um símbolo da violência sionista. Boa parte das suas instalações foram construídas em terras tomadas ilegalmente e violentamente dos palestinos em Jerusalém Oriental. Uma carta aberta assinada por 76 acadêmicos e endossada por centenas de organizações e pesquisadores internacionais afirmava, já em 2013, que “apesar de todas as universidades israelenses compactuarem plenamente com a ocupação, o colonialismo de assentamentos e o apartheid, a Universidade Hebraica de Jerusalém tem papel proeminente”. Destaca ainda que “a universidade compactua com o tratamento desigual de palestinos, inclusive daqueles que são cidadãos de Israel [e] restringe a liberdade de expressão e de protesto de seus poucos estudantes palestinos”.

Em nome da liberdade de pensamento, nós apoiamos qualquer forma de boicote e sanções ao Estado Sionista de Israel e publicamos aqui a Campanha Palestina pelo Boicote Acadêmico e Cultural a Israel. Organize o boicote em sua Universidade e, se desejar, envie-nos notícias sobre a campanha.


Campanha Palestina pelo Boicote Acadêmico e Cultural a Israel

“Isso nunca pode ser tratado como usual. Universidades israelenses são uma parte íntima do regime israelense, por sua própria escolha. Enquanto palestinos não podem ter acesso às universidades e escolas, universidades israelenses produzem pesquisa, tecnologia argumentos e lideranças para a manutenção da ocupação. [Universidade Ben Gurion] não é exceção. Ao manter ligações tanto com as forças de defesa de Israel quanto com a indústria armamentista, a Universidade Ben Gurion sustenta e facilita estruturalmente a ocupação israelense”
Desmond Tutu, falando brevemente antes da Universidade de Joanesburgo cortar os laços com a Universidade Ben Gurion.

A Campanha Palestina pelo Boicote Acadêmico e Cultural a Israel (PACBI na sigla em Inglês) foi uma das entidades fundadoras em 2005 da Campanha de BDS (Boicote – Desinvestimento – Sanções) da Sociedade Civil Palestina e se mantém como elemento chave do movimento global de BDS liderado pelos palestinos.

PACBI foi lançada em Ramallah em abril de 2004 por um grupo de acadêmicos e intelectuais palestinos para se juntar ao crescente movimento internacional de boicote. A Campanha foi construída sobre o chamado palestino por um boicote econômico, cultural e acadêmico abrangente de Israel, publicado em agosto de 2002 e em uma declaração feito por acadêmicos e intelectuais palestinos nos territórios ocupados e na diáspora clamando por um boicote às instituições acadêmicas israelenses em outubro de 2003.

Em julho de 2004, a Campanha publicou uma declaração de princípios, ou o que ficou conhecido como Chamado de PACBI, endereçada aos colegas na comunidade internacional estimulando-os a boicotar amplamente e consistentemente todas as instituições acadêmicas e culturais israelenses até que Israel  se retire de todas as terras ocupadas em 1967, incluindo Jerusalém Oriental; remova todas as colônias nessas terras; concorde com a resoluções da ONU relativas à restituição dos direitos dos refugiados palestinos; e desmantele o sistema de apartheid. PACBI sempre defendeu o boicote às instituições, não aos indivíduos. Essa declaração foi recebida com apoio generalizado e até esta data foi assinada por mais de sessenta federações acadêmicas, culturais e da sociedade civil palestinas, sindicatos e organizações, incluindo a Federação de Sindicatos dos Professores e Empregados das Universidades Palestinas e a Rede de ONGs Palestinas na Cisjordânia. A campanha também estabeleceu um comitê consultivo composto por bem conhecidas figuras públicas e intelectuais.

A campanha palestina pelo boicote acadêmico e cultural a Israel é inspirada pelo papel histórico cumprido pelas pessoas de consciência na comunidade internacional de acadêmicos e intelectuais que assumiram a responsabilidade moral de lutar contra a injustiça, como exemplificado na sua luta para abolir o apartheid na África do Sul através de diversas formas de boicote.

Durante os últimos poucos anos e em resposta ao Chamado PACBI e ao chamado por um BDS amplo, várias iniciativas pelo desinvestimento ou boicote das instituições acadêmicas e culturais israelenses tem sido lançados por estudantes, acadêmicos e intelectuais na Europa, Estados Unidos, África do Sul, Canadá, Índia, Paquistão, Austrália, América Latina e outros lugares. Esses chamamentos reconhecem que as instituições acadêmicas israelenses (majoritariamente controladas pelo Estado) e a vasta maioria dos intelectuais e acadêmicos israelenses ou tem contribuído diretamente na ocupação e apartheid israelenses ou no mínimo tem sido cúmplices com seu silêncio. Além disso, os clamores pelo boicote inspirados no PACBI são consistentes em ter instituições, e não indivíduos, como alvo, afastando-se claramente dos testes políticos ou outras medidas macartistas.

Em abril de 2002, acadêmicos britânicos emitiram um clamor por uma moratória na pesquisa e colaboração acadêmica européia com instituições israelenses. Na França, um apelo à União Européia para não renovar seu Acordo de Associação de 1995 com Israel foi lançado pela Universidade de Paris-VI (Pierre-et-Marie-Curie) em dezembro de 2002 e foi assinado por várias outras universidades francesas. Apelos similares foram publicados na Itália e Austrália, enquanto nos Estados Unidos, grupos de estudantes e professores de várias universidades incluindo a Universidade de Nova Iorque, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e Princeton iniciaram campanhas de desinvestimento em Israel. Hoje, a alienação a Israel se espalhou por dezenas de campi na América do Norte, enquanto enquanto campanhas de boicote acadêmico e cultural afiliados ao PACBI tem alcançado vários países pelo mundo.

Implementando o Boicote Acadêmico

O Chamado PACBI declara:

“Nós, acadêmicos e intelectuais palestinos, chamamos nossos colegas na comunidade internacional para boicotar de maneira abrangente e consistente todas as instituições acadêmicas e culturais israelenses como uma contribuição à luta para acabar com a ocupação, colonização e sistema de apartheid de Israel, aplicando-se o seguinte:

  1. Abster-se de participar em qualquer forma de cooperação acadêmica e cultural, colaboração ou projetos conjuntos com instituições israelenses;
  2. Defender um boicote abrangente das instituições israelenses nos níveis nacional e internacional, incluindo a suspensão de todas as formas de financiamento e subsídios a estas instituições;
  3. Promover a alienação e desinvestimento de Israel por instituições acadêmicas internacionais;
  4. Trabalhar pela condenação das políticas israelenses pressionando pela resoluções a serem adotadas por associações e organizações acadêmicas, profissionais e culturais;
  5. Apoiar instituições acadêmicas e culturais palestinas diretamente sem a necessidade de parcerias com contrapartidas israelenses como uma condição explícita ou implícita por esse apoio.”

Diretrizes para o Boicote Acadêmico

Depois de anos de ativismo, construção de redes e desenvolvimento intelectual da campanha, o PACBI publicou estas Diretrizes para o Boicote Acadêmico Internacional de Israel em 2009 e revisou-as levemente em 2010. Os seguintes extratos introduzem a lógica dessas Diretrizes.

Antes de discutir as várias categorias de atividades acadêmicas que se enquadram no chamado ao boicote, e como regra geral primordial, é importante ressaltar que todas as instituições acadêmicas israelenses, a menos que se prove o contrário, são cúmplices na manutenção na ocupação Israelense e na negação dos direitos básicos aos palestinos, seja através do seu silêncio, real envolvimento na justificativa, encobrimento ou, de outra forma, desviando deliberadamente a atenção das violações das leis internacionais e direitos humanos por Israel, ou mesmo através da sua colaboração direta com as agências estatais na concepção e prática de tais violações. Desta forma, essas instituições, todas as suas atividades e todos os eventos que patrocinam ou apoiam devem ser boicotados. Eventos e projetos envolvendo indivíduos que representam explicitamente essas instituições cúmplices devem ser boicotados, pelo mesmo motivo. A mera afiliação institucional à academia israelense não é, portanto, uma condição suficiente para aplicar o boicote.

Um crescente número de instituições da sociedade civil palestina não estão mais dispostos a acolher acadêmicos e trabalhadores culturais internacionais que insistem em visitar ou trabalhar com instituições israelenses boicotáveis, assim violando o boicote palestino. Abrigar aqueles que furam nossos “piquetes” de boicote, várias organizações palestinas reconhecem agora, só pode minar o boicote ao apresentar uma falsa “simetria” ou “balanço” entre o opressor colonial e o colonizado.

Ainda que as visitas ao território palestino ocupado por apoiadores e defensores internacionais dos direitos palestinos são sempre vistos pelos palestinos como fonte de encorajamento e inspiração, PACBI e várias instituições palestinas acreditam que essa solidariedade também implica no respeito às diretrizes do boicote.

Baseado no que foi exposto acima, PACBI insta acadêmicos, associações e uniões acadêmicas e instituições acadêmicas através do mundo, onde for possível e relevante, a boicotar e/ou trabalhar em direção ao cancelamento ou anulação de eventos, atividades, acordos ou projetos que promovam a normalização de Israel na academia global, o encobrimento das violações israelenses das leis internacionais e direitos dos palestinos ou a violação do boicote.

Boicotar as instituições acadêmicas e culturais israelenses é uma necessidade urgente forma de pressão contra Israel que pode levar a sua conformidade com as leis internacionais e os requisitos para uma paz justa.

Para mais informações sobre o boicote acadêmico, visite  www.PACBI.org.

Fonte: BDS Movement
Tradução: Maurício Sauerbronn de Moura

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