O Julgamento do Macaco

O professor John Scopes

As tentativas de impor o obscurantismo através da força sempre permeou o poder, em especial quando a distinção entre Estado e Religião não estão claras. O exemplo mais conhecido disso foi a Idade Medieval, quando Igreja e Estado eram umbilicalmente ligados e a Inquisição se encarregava de torturar e assassinar qualquer um que ousasse discordar dos dogmas estabelecidos.

Essa história todo mundo já ouviu falar, mas ela não acabou por aí. Vários países ainda qualificam a discordância religiosa como crime. Grande parte da Europa tem leis contra a blasfêmia, embora a opinião pública da maioria dos países geralmente consiga impedir sua ação.

Recentemente, um funcionário público da Indonésia foi condenado a cumprir 2,5 anos na cadeia por ter escrito a frase “Deus não Existe” no Facebook (embora líderes religiosos defendessem a decapitação). No mesmo país, cinco adolescentes foram presas por dançar. O Instituto Pew Research Center constatou em 2010 que 5,2 bilhões de pessoas (75% da população do mundo) vivem em locais em que há restrições de crença.

No Brasil não é diferente, com professores obrigando alunos a rezarem e os constantes ataques promovidos pela Bancada Evangélica e os conservadores de plantão (como a PEC 99/11, que iguala o status das igrejas grandes a organizações da Sociedade Civil, como sindicatos e partidos).

Mas o que dizer quando a ciência é classificada como crime?

Foi isso que aconteceu no estado do Tennessee (EUA) em 1925. Uma lei – proposta pelo deputado John Butler e assinada pelo governador Austin Peay – proibia a qualquer professor de instituições públicas (inclusive universidades) a negação do criacionismo bíblico, incluindo o ensino do evolucionismo.

No mesmo ano – como era de se esperar – o professor de ciências e matemática John Scopes foi preso, com base nessa lei, por ensinar a Teoria da Evolução, de Darwin. O julgamento do professor Scopes – formalmente nomeado como O Estado do Tennessee contra John Thomas Scopes – atingiu grande publicidade e ficou conhecido como O Julgamento do Macaco de Scopes. O julgamento durou 11 dias e terminou (por mais nonsense que isso pareça) com a condenação do professor.

O jornalista Edward J. Larson cobriu o caso e esse material foi a base do livro Summer for the Gods: The Scopes Trial and America’s Continuing Debate Over Science and Religion, que lhe rendeu um Prêmio Pulitzer.

Baseado no julgamento também foi escrita a peça teatral Inherit the Wind – por Jerome Lawrence e Robert Edwin Lee – , que estreou em 1955. Cinco anos depois, a peça foi adaptada para o cinema, dando origem ao filme com o mesmo nome – lançado no Brasil como O Vento Será Tua Herança. Esse filme recebeu várias readaptações e refilmagens em 1965,1988 e 1999.

Pelo seu valor histórico e por conta dos recentes debates sobre a interferência da religião no Estado e sobre a evolução (“somos todos macacos”), publico a versão de 1999 desse filme


macacoO Vento Será Sua Herança (Inherit the Wind) – 1999
Escrito por: Nedrick Young e Harold Jacob Smith a partir do texto teatral de Jerome Lawrence e Robert E. Lee
Direção: Daniel Petrie
Com: Jack Lemmon, George C. Scott e Lane Smith

Dica do Alexandre do Ativando Neurônios

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