Darwin era um punk

Greg Graffin é conhecido por ser o vocalista da banda punk Bad Religion. O que poucos sabem é que Greg também é professor universitário na UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles).

Proeminente na cena Punk desde os 15 anos, com o Bad Religion, Greg se graduou em Antropologia e Geologia na UCLA, recebeu o título de mestre em Geologia na própria UCLA e concluiu seu doutorado em Zoologia na Universidade Cornell. O título de sua tese de doutorado foi “As visões de mundo monista, ateia e naturalista: perspectivas da biologia evolucionária”. Atualmente leciona Ciências da Vida na UCLA.

Greg também escreveu uma série de livros, sozinho ou em parcerias, sobre temas ligados à evolução e à religião.

Na entrevista a seguir, concedida a David Biello para a Scientific American em 2010, Gregory fala sobre ciência, evolução e a visão completamente equivocada do senso comum sobre essas coisas.


Como a evolução e o punk rock estão relacionados?

A ideia de ambos é que você desafie a autoridade, desafie o dogma. É um processo de descoberta coletiva. É debate, é experimentação e é verificação de afirmações que podem ser falsas.

No seu livro, Evolução da Anarquia: Fé, Ciência e Bad Religion em um Mundo sem Deus, você fala sobre a “exuberância anárquica da vida”. O que você quer dizer com isso?

O truque é: como falar sobre seleção natural sem implicar a rigidez da lei? Usamos isso quase como um participante ativo, quase como um deus. Na verdade, você poderia substituir a palavra “deus” por “seleção natural” em um monte de escritos evolucionários e pensaria estar ouvindo um teólogo. Esta é uma rotina que sabemos não existir, mas nós ensinamos mesmo assim: mutação genética e alguma força ativa escolhe o mais favorável. Isso simplesmente não é uma explicação completa sobre o que acontece. Nós precisamos parar de pensar sobre comportamentos rígidos e abraçar as surpresas.

Darvin foi um punk?

Ele era muito certinho por causa da cultura vitoriana inglesa mas com certeza gostava de confraternizar com os radicais. Há fãs do punk que ficam em pé no fundo e nunca vão “pogar”, mas amam a música e o que ela representa. Darwin pode ter sido esse tipo de antiautoritário contemplativo e pensativo.

Existe alguma boa música sobre ciência?

Não, eu não conheço nenhuma. A maioria dos compositores que tem a sorte de ter sua música no rádio ou serem ouvidos amplamente não sabem nada de ciência. As melhores músicas tem uma forte dose de metáfora. A maioria das canções sobre ciência não tem isso. Como She Blinded Me with Science. É uma música estúpida, sem ofensa ao Thomas Dolby.

Como a evolução pode ser um guia para a vida?

Quando você ganha na loteria, ninguém pede pra você justificar. Se você tem uma tragédia, todos querem saber porquê. Todo mundo precisa que você justifique. A maneira que você faz isso, a história ou a narrativa que faz, é sua visão de mundo. O registro fóssil me dá uma grande dose de conforto em tempos difíceis. Isso me ajuda a reconhecer que o drama que acontece no planeta é apenas um de uma série de episódios. Em última análise, a vida continua, mesmo depois de uma catástrofe. Isso me dá conforto. Não me pergunte o porquê.

Fonte: Scientific American
Tradução: Maurício Sauerbronn de Moura

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