Justiça para as vítimas das igrejas!

Justiça para as vítimas de abuso sexual pelas igrejas!O texto a seguir foi publicado pela Fédération Nationale de la Libre Pensée (FNLP – Federação Nacional do Livre Pensamento), da França.

A FNLP é parte integrante da Associação Internacional do Livre Pensamento (AILP) e este texto se coloca como parte da campanha decidida pela AILP em seu congresso de fundação, em Oslo, “para revelar e denunciar os crimes cometidos pelos sacerdotes”. É parte, também, da construção do IV Congresso da AILP, que se realizará no dia 11 de agosto no Conway Hall, em Londres (saiba mais).

Os brasileiros também são vítimas das igrejas. Vários casos de pedofilia por padres tem sido registrados por aqui e a lei do silêncio também impera.

Os Livres Pensadores brasileiros, desde já, declaram seu apoio a esta campanha e à construção do IV Congresso da AILP.

Justiça para as vítimas de abuso sexual pelas igrejas!

Um artigo muito interessante foi publicado pelo “Le Point” em 23 de maio de 2014, vamos transcrevê-lo:

Embaraçoso, justamente quando o Vaticano se prepara para a guerra contra os padres pedófilos. De acordo com o pai de uma das vítimas, a diocese de Paris vem protegendo um desses sacerdotes, apesar de ter sido condenado em abril de 2012 por ‘abuso sexual em um menor de 15 anos por uma pessoa que abusou da autoridade de sua posição’. Padre C. tinha sido na época condenado pelo Tribunal de Grande Instance de Paris1 a seis meses de prisão com prorrogação, juntamente com uma ‘proibição de cinco anos para a prática de uma atividade profissional ou voluntário que envolva contato regular com menores de idade’.

Tudo isso foi suficiente para a Igreja prevenir qualquer futura relação entre o condenado e o jovem rebanho? O Papa Francisco continua repetindo desde que chegou ao Vaticano: o código do silêncio acabou, um estrito princípio de precaução precisa ser implementado. A pedido do Santo Padre, uma comissão de especialistas trabalha nos procedimentos a serem aplicados para responder aos casos. No começo de maio foi revelado que 848 padres foram excomungados por atos de pedofilia e que 2.572 tem estado isolados em monastérios desde 2004. E sobre o Padre C.? Depois de ter sido sentenciado, foi designado pela Diocese de Paris primeiro para um departamento de arquivos, em seguida, no outono passado, como vice-capelão em um hospital católico em Paris… no bairro onde a família da vítima vive.

O padre ouviu sobre sua nomeação por acaso: a Diocese não pensou direito para informá-lo. “Ele foi posto em contato com pessoas vulneráveis novamente! Isso significa que, por fim,  lhe será dada uma paróquia novamente? Alguém está tirando sarro de nós!” . “Alguém” significa, primeiro, Sua Graça André Vingt-Trois, Arcebispo de Paris. O pai o procurou em junho de 2011 quando descobriu mensagens curtas e apaixonadas enviadas a seu filho de 14 anos pelo seu pároco. A queixa que ele registrou na Brigada de Proteção ao Menor foi fechada em setembro de 2011 porque a vítima não prestou nenhum depoimento. O pai então recebeu uma resposta do arcebispo que pode ser resumida como “Vá em paz e siga em frente”!

Falso, absolutamente falso, assegura hoje a Diocese – que não quer publicar o conteúdo de suas palavras. “Não tínhamos naquele momento todos os elementos para avaiar quão sério o caso era, mas temos sido vigilantes e afastamos o padre de sua paróquia”. De fato, o padre foi enviado a um monastério no Marrocos. Mas no verão anterior ele participou da Jornada Mundial da Juventude. De seu retiro, ele continuou a enviar mensagens para o adolescente que, em certo momento, confessou a seus pais. Uma nova investigação foi aberta, o padre foi devolvido à custódia. A diocese afirmou que desta vez eles tinham enviado um arquivo à Congregação para a Doutrina da Fé, que é responsável pelos casos de pedofilia no Vaticano. Supostamente, eles aprovaram as decisões seguintes do arcebispo nesse caso. “Nós fomos ainda mais longe quando divulgamos dentro da paróquia as acusações contra o padre, para que novas vítimas aparecessem”.

Durante as audiências, o padre admitiu sua atração por garotos jovens, uma tendência homossexual. Ele sugeriu que o segundo era menos sério que o primeiro. Ele também admitiu sentimentos obsessivos em relação a adolescentes e alguns toques no peito, às vezes sob as roupas. O menino admitiu que o Padre C. tentou beijá-lo várias vezes. “No início não era nada sexual, mas passou a ser”, afirmou o padre citado nas considerações do julgamento de abril de 2012. “Como ele continuava voltando, eu não percebi que eles estava traumatizado”. A corte o sentenciou, considerando o abuso sexual como “extremamente leve” e considerando, após o padre passar por perícia, que ele não precisava de tratamento.

“Nós temos respeitado escrupulosamente as recomendações da justiça, assegura a Diocese. No hospital ao qual ele foi designado, ele é supervisionado por uma equipe de capelães. Acima de tudo,  não há atendimento pediátrico no hospital”. “Podem haver pacientes com uns 15 anos, diz o diretor do hospital, mas são muito poucos”. O pai do jovem descobriu sobre isso no semanário Marianne de 16 de maio e rangeu os dentes. “Suponho que se tratava de reintegrar esse sacerdote, a intenção era seguramente boa. Mas é provável que, no futuro, fiquemos mais vigilantes com as pessoas apresentadas pelo arcebispado”.

Até esta data ainda não se decidiu o futuro do padre da capelania. “Este é nosso hospital local, protesta o pai. Você pode me imaginar sendo hospitalizado e, ao pedir a comunhão, dar de cara com ele? Como esta decisão pode ter sido tomada mesmo ele tendo tentado entrar em contato com nosso filho depois do julgamento?”. “Enojado”, se declara disposto a defender sua causa diretamente em Roma. “A Igreja é uma família. Nosso papel como crentes é apoiar aos padres, mas também dizer quando as coisas estão erradas. De um lado, o Vaticano se mostra, hoje, extremamente firme nesses assuntos, do outro, a Igreja de Paris age como se nada tivesse acontecido”. Ela agiu muito pouco e muito tarde, para dizer o mínimo.

Alguns comentários a serem feitos

Primeiro, quem emite, apoiando-se em provas, esta terrível acusação contra a Igreja, que ela encobra as artimanhas de um sacerdote pedófilo, não é um Livre Pensador mas um crente a quem não se pode suspeitar ser anticlerical.

Em seguida, o desenvolvimento dos fatos e o lugar dentro da hierarquia da Igreja Católica das pessoas incriminadas (especialmente o arcebispo de Paris) põe abaixo todo o sistema de propaganda da  Santa Sé que afirma combater a pedofilia em suas fileiras, e não respeita uma decisão da justiça sobre um pedófilo condenado.

Por fim, este assunto, junto com outros, demonstra quão justificada é a decisão do Congresso fundador da AILP (Associação Internacional do Livre Pensamento) de Oslo em 2011, de lançar especialmente uma campanha “para revelar e denunciar os crimes cometidos pelos sacerdotes”. Teremos uma ampla oportunidade de discutir esta campanha durante o IV Congresso da AILP em Londres na segunda-feira, 11 de agosto. Para isso, é necessário que muitos estejamos presente e ajudemos a nostros amigos de vários países a fazer a viagem.

“Queremos que se faça justiça para com as vítimas das igrejas. Justiça não é arrependimento. O arrependimento é um critério religioso que só concerne às igrejas, as quais se colocam assim acima das leis humanas. Queremos justiça, o que implica, em caso de reconhecida responsabilidade, em sanções tanto judiciais como financeiras e morais.

Justiça para as vítimas de abusos sexuais por parte das igrejas!
Tais abusos sexuais se revelam como uma instituição dentro da Instituição”

A Federação de Paris do Livre Pensamento o conclama a unir-se a esta luta!


  1. Uma espécie de tribunal municipal de primeira instância (NdT)
Fonte: Justice pour les victimes des Églises!
Tradução: Maurício Sauerbronn de Moura
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