Golpe sufoca a pesquisa científica

Falta de recursos leva à perda de estudantes pesquisadores

Washington Alves *

O governo golpista vem contingenciando verbas para pesquisa e inovação cientifica no país. Seja indiretamente, ao abandonar os estados em situação difícil, ou diretamente, quando retém recursos das Universidades Federais e Fundos de Pesquisa Nacionais. Um caso é a UERJ, que respira por aparelhos sem pagar, até hoje, o décimo terceiro de seus funcionários.

Agora o desmonte é na Universidade Federal do Rio (UFRJ). O professor titular do Instituto de Bioquímica e Biofísica, Sérgio Ferreira, diz em matéria do jornal Valor Econômico, que já perdeu 50 pesquisadores de graduação e pós-graduação. Ele diz que a falta de investimentos alimenta a fuga de cérebros: quadros importantes da pesquisa científica nacional vão trabalhar em universidades de outros países. Instrumentos de laboratório e até mesmo ratos que servem de cobaias para pesquisas estão em falta.

Sem o Ciências Sem Fronteiras, Temer empurra os pesquisadores a saírem do país sem perspectivas de retorno, ou a disputarem as bolsas do CNPq que no fim de 2016 já haviam sido cortadas em 20%.

O orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações sofreu um corte de 44%. Isso significa que a verba que a pasta tem em 2017 é metade do que tinha em 2005, uma calamidade!

Segundo Luiz Davidovitch (Presidente da Academia Brasileira de Ciências) nem os atuais projetos poderão ser tocados, pesquisas em andamento serão interrompidas. Até mesmo o projeto desenvolvido na UFRJ que pesquisa uma vacina para o Zika vírus está ameaçada.

O fim do governo Temer é urgente, para o bem da ciência e tecnologia no país. E a comunidade cientifica deve continuar se mobilizando contra os cortes do governo ilegítimo.

Cortes na USP

O reitor da Universidade de São Paulo Marco Antônio Zago já estabeleceu um teto de gastos que limita a folha de pagamento, causando demissões, e prejudicando a reposição e preenchimento do corpo docente. A Comissão Especial de Regimento de Trabalho (CERT), órgão responsável por supervisionar, fiscalizar, contratar ou demitir o corpo docente, segue a mesma linha da reitoria. Ela rejeitou o trabalho do professor Maurício Cardoso relacionado a formação do professor de história, com argumento de falta de relação do trabalho com a disciplina de História. Um absurdo que pode resultar em diminuição do salário do professor, rejeição de todas as bolsas de iniciação científica e pós-graduação ligadas ao professor. Os estudantes do curso de história, por iniciativa do Centro Acadêmico, organizaram um abaixo assinado pela revogação da decisão do CERT.


* Washington Alves é graduando de Ciências Atuariais na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP)

Fonte: Jornal O Trabalho, nº 807, São Paulo, p. 2, 18 mai. 2017.
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