Maiores cérebros no mundo pedem embargo a Israel pelo fim do genocídio palestino

Alguns dos maiores cérebros do mundo, incluindo sete ganhadores do Prêmio Nobel, publicaram este mês no The Guardian um manifesto exigindo um embargo total de Israel, semelhante ao embargo ao Apartheid sul-africano nos anos 1970.

As assinaturas incluem acadêmicos, filósofos, músicos, cineastas, jornalistas e escritores, como o professor do MIT Noam Chomsky, que é judeu, o arcebispo anglicano Desmond Tutu (agraciado com o Prêmio Nobel da Paz em 1984 pela sua luta contra o Apartheid na África do Sul), Adolfo Peres Esquivel (Prêmio Pulitzer em 2002), o historiador israelense Ilan Pappe, o ex-juiz da Corte Internacional John Dugard, Federico Zaragoza, ex-diretor geral da Unesco e várias outras personalidades.

O texto denuncia os 30 bilhões de dólares de ajuda militar que os EUA entrega ao regime fascista de Israel, bem como os bilhões em armamento exportados pela Europa a tal regime segregacionista. Denunciam, na mesma linha, hipocrisia de países como a China, Índia e até o Brasil que, mesmo com a política oficial de apoio aos palestinos, permite que suas empresas comercializem armas com Israel.


O comércio de armas e ataque de Israel a Gaza

Israel mais uma vez desencadeou toda a força do seu exército contra a população cativa na Palestina, particularmente na Faixa de Gaza sitiada, em um ato inumano e ilegal de agressão militar. A habilidade de Israel de lançar tais ataques devastadores com impunidade vem, em grande parte, da vasta cooperação militar internacional e do comércio que mantém com governos cúmplices ao redor o mundo.  Durante o período de 2008 a 2019, os EUA tem um acordo para prover ajuda militar a Israel no valor de 30 bilhões de dólares, enquanto a exportação militar anual de Israel para o mundo atingiu bilhões de dólares

Nos últimos anos, os países da Europa tem exportado bilhões de euros em armas para Israel e a União Européia tem fornecido a empresas militares israelenses bolsas de pesquisa no valor de centenas de milhões. Economias emergentes como Índia, Brasil e Chile tem aumentado rapidamente seu comércio e cooperação com Israel, apesar de sua declaração de apoio aos direitos palestinos. Por importar e exportar armas para Israel e facilitar o desenvolvimento de tecnologia militar israelense, os governos estão efetivamente enviando uma mensagem clara de aprovação para a agressão militar de Israel, incluindo os seus crimes de guerra e possíveis crimes contra a humanidade.

A tecnologia militar de Israel é vendida como “testada em campo” e exportada através do mundo. Comércio militar e pesquisas militares conjuntas com Israel encorajam a impunidade a israelense para cometer graves violações das leis internacionais e facilitam o entrincheiramento do sistema israelense de ocupação, colonização e negação sistemática dos direitos dos palestinos. Apelamos à ONU e aos governos de todo o mundo a tomar medidas imediatas para implementar um embargo militar claro e legal a Israel, semelhante a que foi imposto à  África do Sul durante o apartheid.

Adolfo Pérez Esquivel: ativista de direitos humanos, Prêmio Nobel da Paz de 1980, Argentina. Ahdaf Soueif: escritor, Egito e Reino Unido.Aki Olavi Kaurismäki: diretor de cinema, Finlândia. Alice Walker: escritora, EUA. Arcebispo Desmond Tutu: Nobel da Paz de 1984, África do Sul. Betty Williams: Nobel da Paz de 1976, Irlanda. Boots Riley: rapper, poeta e produtor cultural, EUA. Brian Eno: músico. Reino Unido. Caryl Churchill: dramaturg, Reino Unido. Chris Hedges: jornalista Prêmio Pulitzer em 2002, EUA. Cynthia McKinney: política e ativist, EUA. David Palumbo-Liu: acadêmic, EUA. Etienne Balibar: filósofo, França. Federico Mayor Zaragoza: ex-diretor-geral da Unesco, Espanha. Felim Egan: pintor, Irlanda. Frei Betto: teólogo da libertação, Brasil. Gillian Slovo: escritora. Reino Unido e África do Sul. Githa Hariharan: escritora, Índia. Giulio Marcon: filósofo e deputado, Itália. Hilary Rose: acadêmic, Reino Unido. Ilan Pappe: historiado, Israel. Ismail Coovadia: ex-embaixador sul-africano para Israel. James Kelman: escritor, Escócia. Janne Teller: escritor, Dinamarca. Jeremy Corbyn: membro do parlamento, Reino Unido. Joanna Rajkowska: artist, Polônia. Jody Williams: Nobel da Paz de 1997, EUA. John Berger: artist, Reino Unido. John Dugard: ex-juiz da Corte Internacional de Justiça, África do Sul. John McDonnell: membro do parlamento, Reino Unido. John Pilger: jornalista e cineasta, Austrália. Judith Butler: filósof, EUA. Juliane House: acadêmica, Alemanha. Karma Nabulsi: acadêmica, Reino Unido e Palestina. Ken Loach: cineasta, Reino Unido. Kool AD (Victor Vazquez): músic, EUA. Liz Lochhead: poetiza, Escócia. Luisa Morgantini: ex-vice-presidente do Parlamento Europeu, Itália. Mairead Maguire: Nobel da Paz de 1976, Irlanda. Michael Mansfield: advogad, Reino Unido. Michael Ondaatje: escrito, Canadá. Mike Leigh: escritor e diretor, Reino Unido. Naomi Wallace: poetiza e dramaturga, EUA. Noam Chomsky: escritor e acadêmico, EUA. Nurit Peled: acadêmica, Israel. Prabhat Patnaik: economista, Índia. Przemyslaw Wielgosz: editor-chefe da edição polonesa do Le Monde Diplomatique, Polônia. Raja Shehadeh: autor e advogado, Palestina. Rashid Khalidi: autor e acadêmico, Palestina e EUA. Richard Falk: ex-responsável da ONU pelos territórios palestinos ocupados, EUA. Rigoberta Menchú: Nobel da Paz de 1992, Guatemala. Roger Waters: músic, Reino Unido. Ronnie Kasrils: ex-ministro de governo, África do Sul. Rose Fenton: diretora do Free World Centre, Reino Unido. Sabrina Mahfouz: autor, Reino Unido. Saleh Bakri: ator, Palsetina. Sir Geoffrey Bindman: advogad, Reino Unido. Slavoj Zizek: autor, Eslovênia. Steven Rose: acadêmico, Reino Unido. Tom Leonard: escrito, Escócia. Tunde Adebimpe: músic, EUA. Victoria Brittain: jornalist, Reino Unido. Willie van Peer: acadêmic, Alemanha. Zwelinzima Vavi: secretário-geral do Cosatu (Congresso dos Sindicatos Sul-africanos), África do Sul.

Fonte: The Guardian
Tradução: Maurício Sauerbronn de Moura
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Um pensamento sobre “Maiores cérebros no mundo pedem embargo a Israel pelo fim do genocídio palestino

  1. Pingback: Maiores cérebros no mundo pedem embargo a Israel pelo fim do genocídio palestino Publicado em 27/07/2014 por Maurício M – Viva Palestina

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