O neonazismo judeu (sim, isso existe!)

A crescente onda de violência de grupos racistas judeus dentro e fora de Israel tem trazido à luz um pouco do submundo dessas organizações. A coisa veio à tona em 2014, quando um protesto contra a guerra em Tel Aviv foi atacado violentamente por um grande número de jovens. Dentre os atacantes, alguns jovens que ostentavam camisetas com símbolos neonazistas. Um deles ostentava o logotipo “Good night left side”, um símbolo utilizado por neonazis europeus, substituindo a cruz solar (símbolo nazista) pela estrela de Davi (símbolo judeu).

As imagens levaram o CEO do Instituto de Prevenção do Ódio Online (uma ONG dedicada a combater o anti-semitismo), Andre Oboler, a investigar o caso. Oboler descobriu que grupos de judeus de Israel, EUA e Austrália (especialmente os ligados ao sionismo) tem estreitas relações através da Internet com grupos neonazistas europeus. O que os une: o ódio e a violência contra os muçulmanos.

No fim de  2014, o YNetNews Magazine investigou um grupo ultranacionalista, o Lehava. Um de seus repórteres se infiltrou no grupo por dois meses e meio e presenciou várias “patrulhas” armadas em busca de casais “mistos” com o objetivo de não permitir, pela intimidação ou pela violência, que não judeus tenham qualquer relação com judeus, especialmente as mulheres.

O Lehava (LeMeniat Hitbolelut B’eretz HaKodesh – Prevenção de Assimilação na Terra Santa) são um grupo racista de ultra-direita que afirma lutar contra a “assimilação” dos judeus pelos gentios (não-judeus). Fazem parte do movimento Kahanista e, como tal, defendem a segregação dos gentios em Israel e costumam organizar ataques a árabes e cristãos pelas ruas de Tel Aviv e outras cidades de Israel.

Os Kahanistas são os seguidores das ideias de Meir Kahane, um político e rabino ortodoxo propagador do racismo e defensor da expulsão ou aniquilação dos árabes de toda a Palestina.

Nos EUA, Kahane criou a JDL (Jewish Defense League – Liga de defesa judaica) e o Kach, em Israel, mas seus seguidores criaram várias outras organizações, como o Otzma Yehudit, o Kahane Chai, o Terror Against Terror e o próprio Lehava.

Todas essas organizações foram condenadas ou estão sendo acusadas de incitação à violência, racismo e até terrorismo. Militantes do Lehava, por exemplo, incendiaram uma escola em Jerusalém;

A JDL é um caso à parte. Considerada uma organização terrorista pelo FBI desde 1985, foi considerada a segunda organização terrorista mais ativa nos EUA. Tem inúmeras ações dentro e fora do país. Já tentaram explodir uma bomba em Culver City, Califórnia, já agrediram jornalistas franceses, assassinaram  Alex Odeh (diretor regional do Comitê Anti-Discriminação Árabe-Americano) com uma carta-bomba, mesmo método usado por eles para assassinar Patricia Wilkerson, da ProWest. A JDL também está envolvida com extorsão e com lavagem de dinheiro.

Mas será possível um nazismo judeu?

À primeira vista, o termo neonazismo associado ao ao judaísmo parecem uma contradição absurda. Pra entender isso, é preciso resgatar um pouco a origem e o que representou o nazismo na História.

O Nazismo foi a expressão alemã do fascismo. Apesar de sua maior expressão na Itália, o fascismo teve expressão em vários países, como o Salazarismo e o Integralismo Lusitano em Portugal, o Franquismo e a Falange Tradicionalista na Espanha, o Integralismo no Brasil, as Falanges Libanesas e um monte de outras organizações com nomes parecidos com “falanges”, “camisas” (camisas-pardas, camisas-negras, camisas-cáqui, camisas-verdes, camisas-cinzentas, camisas-azuis e por aí vai).

Todas essas organizações tinham características comuns:

  • Culto ao tradicionalismo, expresso tanto na retórica quanto na simbologia, com a escolha de ícones ancestrais, sejam romanos, celtas, gregos ou do oriente médio. Os nazistas usavam a Cruz Celta, a Suástica (Mesopotâmia) e a águia (Roma). Os fascistas italianos usavam o Fascio Romano. Todos usavam a Saudação Romana (esticar o braço com a palma para baixo ou para frente), só pra lembrar alguns exemplos;
  • Militarização, principalmente dos jovens, tanto na utilização de uniformes militares quanto na formação de milícias que eram usados para ataques violentos a qualquer um que discorde deles;
  • Ódio às minorias, sejam raciais, religiosas, sexuais ou qualquer outra desculpa pra odiar;
  • Anti-comunismo, estendendo-se ao combate violento a qualquer vertente socialista, desde os anarquistas até os comunistas, incluindo social-democratas;
  • Proibição da auto-organização dos trabalhadores, fechando sindicatos livres e criando sindicatos vinculados ao Estado. Fechando os partidos operários. Perseguindo ou cooptando todas as lideranças dos trabalhadores;
  • Conciliação de classes, com adesão predominante da classe média;
  • Moralismo, impondo uma ética idealizada, cultuando a disciplina, a subordinação ao líder, a aceitação e outros valores religiosos;
  • Ultranacionalismo, a partir de conceitos de Nação e Pátria idealizados e, geralmente, falsos. Xenofobia.

No fascismo alemão, o nazismo, o ódio não era apenas aos judeus, mas também aos homossexuais, negros, ciganos, eslavos, árabes, pacifistas, comunistas, doentes mentais, deficiente físicos e até minorias religiosas, como testemunhas de Jeová.

Com o fim da segunda guerra, o termo “neonazismo” passou a designar grupos ou gangues inspiradas nos valores do fascismo. Assim, temos grandes e genéricos movimentos neonazis (como Stormfront e White Power), partidos (como o NPD – Partido Nacional-Democrático da Alemanha, o Partido-Nacional Bolchevique, o Aurora Dourada da Grécia, o Partido Nacional Britânico, o Partido Nazista Americano e bizarro Partido Verde Nazista Liberal, dos EUA) e grupos nacionais (como a Ku Klux Klan, Phineas Priesthood, The Heritage Front e vários outros.

O Brasil não escapa da lista: Carecas do ABC, Carecas do Subúrbio, Carecas do Brasil, White Power, Partido Nacionalista Revolucionário Brasileiro (PNRB), Ação Integralista Brasileira, Frente Integralista Brasileira, Soberanos da Revolução e outros grupelhos. Recentemente o PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro) participou da organização do Congresso de Fundação da Frente Nacionalista, mais uma tentativa de unificar os neonazistas.

O que diferencia os grupos é o foco do seu ódio (alguns são os negros, alguns são os judeus, alguns são qualquer um que não seja cristão e por aí vai), mas as características citadas continuam presentes.

Bom, nesse contexto, fica claro que o Lehava e os kahanistas (JDL, TNT e afins) são, de fato, organizações que se encaixam no neonazismo. A diferença é ao invés de o Povo Escolhido ser o “ariano”, é o judeu. O ódio e a violência permanecem.

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2 pensamentos sobre “O neonazismo judeu (sim, isso existe!)

    • Uma busca no Google com “camisas cáqui alemanha” retorna ZERO resultados relevantes em português, em inglês e em alemão. Pesquisa com “cequistas” e “cequismo” restorna ZERO resultados relevantes tanto em português quanto em inglês.

      Tem razão, eu estou mostrando só um lado: o lado do mundo real.

      Esquizofrenia tem cura. Procure um médico.

      Curtir

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