Pessoas menos inteligentes tendem a ser mais conservadoras e preconceituosas

Não é nova a idéia de que o conservadorismo e o preconceito estão ligados umbilicalmente. Vários estudos já realizados chegaram a essa conclusão. A novidade é que o posicionamento conservador e o preconceito podem estar ligados à baixa inteligência.

Um estudo feito por pesquisadores de uma universidade de Ontario, no Canadá, chegou a conclusões bastante interessantes: adultos de baixo QI ou com dificuldades cognitivas tendem a ter atitudes conservadoras e preconceituosas (racismo, homofobia, machismo etc).

O estudo foi dirigido pelos pesquisadores Gordon Hodson e Michael A. Busseri, do departamento de Psicologia da Universidade Brock, de Ontario, e foi publicado pela revista Psychological Science.

Os dados levam a crer que as pessoas menos inteligentes se sentem atraídas por ideologias conservadoras porque estas exigem menos esforço intelectual, pois oferecem estruturas ordenadas e hierarquizadas, onde o indivíduo pode se sentir mais confortável.

É bom deixar claro que inteligência nada tem a ver com escolaridade. Há vários exemplos históricos (como a Comuna de Paris ou a Revolução Russa) em que as classes mais baixas e com menos escolaridade se mostraram as únicas capazes de pensar de maneira progressista.

Hodson afirma que “menor capacidade cognitiva pode levar a várias formas simples de representar o mundo e uma delas pode ser incorporada em uma ideologia de direita, onde ‘pessoas que eu não conheço são ameaças’ e ‘o mundo é um lugar perigoso ‘…”.

A grande contribuição dessa pesquisa pode ser a criação de novas formas de combater o racismo e outras formas de preconceito. “Pode haver limites cognitivos na capacidade de assumir a perspectiva dos outros, particularmente estrangeiros”, entende Hodson, já que a crença corrente é que o preconceito tem origens emocionais, não cognitivas.

O que será que Marco Feliciano e Silas Malafaia têm a dizer sobre isso?

Fontes:


Edição em 10/04/2013

Esclarecimentos

Este post levou a uma enxurrada de comentários os mais variados. Como algumas coisas apareceram várias vezes, resolvi esclarecer.

Talvez eu tenha pecado por assumir como premissa que as pessoas chegam a conclusões lógicas facilmente. Aparentemente estou errado, então vou tentar explicar de uma maneira mais simples.

1. “Então você acha que…”

Não tente adivinhar o que eu acho. Este post é simplesmente uma notícia superficial sobre uma pesquisa realizada por pesquisadores canadenses com dados britânicos.

Eu não emiti absolutamente nenhum comentário no texto. Me limitei a descrever a pesquisa conforme eu a compreendi.

2. “Todo conservador é burro”

Percebam: isso não está escrito no texto. Isso não está escrito na pesquisa. Isso não está escrito nas duas matérias jornalísticas que se referem à pesquisa.

De onde tiraram isso? De uma parca noção de lógica. Pensam: se a premissa A e a premissa B tem relação de dependência de B para A, então a recíproca sempre será verdadeira. Bom, isso não existe. Um cachorro amigo é diferente de um amigo cachorro. Não há equivalência lógica entre A -> B e B -> A.

Essa frase é ainda pior pelo uso do termo “burro”. Esse termo não designa nada em específico. É apenas um adjetivo pejorativo. Este blog não concorda com o uso do termo.

3. “Essa pesquisa é preconceituosa”

Por favor, a pesquisa não apresenta conceito nenhum, como pode pré-conceituar. Tal afirmação carece totalmente de sentido.

A pesquisa chegou a conclusões a partir de dados obtidos. No documento com os resultados da pesquisa (último link da seção “fontes) está descrita a metodologia de coleta de dados e de avaliação. Todos têm o direito de discordar da metodologia – inclusive acho importante que o façam – mas chegar a uma conclusão pré-concebida sobre a pesquisa sem lê-la sim é que é preconceito.

Nessa categoria ainda há os ad hominen (falácia de ataque ao argumentador) contra os pesquisadores. Falácias, em geral, não tem a capacidade de chegar a conclusões coerentes.

4. “Eu tenho não sei quantas graduações… Eu falo esperanto e klingon”

Não conheço pesquisa que correlacione escolaridade e capacidade cognitiva. Seu currículo não é de nenhuma serventia aqui.

Esse argumento parece é ser uma tentantiva de argumentum magister dixit (apelo à autoridade).

5. “Não consigo abrir o link da pesquisa”

Bom gente, eu lamento muito, mas o link é da revista Psychological Science e eu não tenho autorização para distribuí-lo. Um colega postou um link que aparentemente também tem uma versão em pdf da pesquisa (não conferi): http://www.30bananasaday.com/forum/topics/bright-minds-and-dark-attitudes

6. “Não se usam mais testes de QI”

Isso não é inteiramente verdade, mas OK, eles estão em desuso. Por outro lado, quem se der ao trabalho de ler a pesquisa, perceberá que os testes foram aplicados pelo governo britânico em 1958 e 1970. Ora, qual instrumental existia na época? Sejamos honestos: é uma crítica que não tem cabimento.

7. “A ciência não serve pra nada. Racionalismo e ceticismo levam a uma vida sem sentido”

Bom, antes de qualquer coisa, por favor, leia este texto que explica resumidamente o que é o Livre Pensamento. Se você nega a ciência,  nega o racionalismo e o ceticismo, está fazendo o que aqui?

8. Este texto é um ataque ao cristianismo

Essa é tão bizarra que eu nem sei o que responder. Cadê o ataque? Malafaia e Feliciano foram citados por serem líderes assumidamente conservadores e sabidamente preconceituosos. Poderia ter citado outros: Reinaldo Azevedo ou Olavo de Carvalho, por exemplo. Se bem que esses não lideram ninguém…

9. “Quem acredita nisso é idiota”, “Quem é progressista tem mais HIV” e absurdos do tipo

Sim, houve vários comentários desse tipo. Será que o cara pensa mesmo que isso é um argumento sério?

Bom, se eu esqueci de mais alguma pérola, eu posto depois.

Sobre os comentários

Se o que você tem a dizer se enquadra em algum dos “argumentos” acima, não perca seu tempo.

Se tudo o que você tem a dizer são ofensas, não perca seu tempo.

Eu leio e procuro responder a todos os comentários. Se seu post demorar a aparecer é porque eu estou trabalhando, comendo, dormindo ou realizando outras necessidades. Não fique nervoso, quando eu tiver tempo, vou responder e liberar o comentário.

Não faça spam. Tem muito spam nisso aqui e eu nem olho mais a caixa de spam.

Se você encontrar erros de português e quiser me avisar disso, fico muito feliz. Se puder, por favor, indique onde está o erro.

766 pensamentos sobre “Pessoas menos inteligentes tendem a ser mais conservadoras e preconceituosas

  1. Por isso que eu disse, para o seu próprio bem (e de quem tiver a desventura de tomar conhecimento desse site) de “calar-se” sem antes refletir a respeito do que escreve.

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  2. Pingback: Pessoas menos inteligentes tendem a ser mais conservadoras e preconceituosas | Blog Controvérsia

  3. bem na minha opinião achei a pesquisa fraca, obsoleta,totalmente desatualizada e no minimo erronia para não dizer nada ofensivo! ps: peço que corrija o numero 4 aonde foi citado “argumentum ad verecundiam ” como sendo ( apelo à autoridade) guando na realidade significa argumento para confundir… sem mais comentários!

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    • Plauto, todos temos o direito de expressar opiniões. Elas ficam mais realistas quando embasadas por evidências (como no caso da pesquisa citada).

      Quais evidências você pode apresentar sobre a obsolescência, falta de atualidade e erros da pesquisa em si ou de suas conclusões?

      Sobre o termo latino, tem razão. Usei o termo genérico não o específico. O argumentum magister dixit é um dos tipos de ad verecundiam.

      Agora perceba que, ao expressar “opiniões” sem maiores explicações e sem embasamento expresso, você incorre em ad verecundiam… Coincidência, não?

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  4. Penso que uma pessoa inteligente não deveria dar tanto crédito à estudos conduzidos dentro dos Estados Unidos da América.

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  5. Bom, por experiência pessoal digo que conheço muitos conservadores e preconceituosos. E é raro ver muita inteligência nessas pessoas. São de escolaridades diversas, mas todos apresentam resistência a aceitar determinados entendimentos por mais provas e evidências que existam.

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  6. Esclarecedora. Confesso já ter relacionado pouca inteligência, à intolerância e preconceito de modo geral.
    A pesquisa é uma pérola realmente. Mas as “explicações” que o dono do Blog deu, equipara-se lindamente! Estou “curtindo” a página no Facebook e me cadastrei para receber atualizações do Blog. Agradeço por tantas informações valiosas

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  7. Pesquisa coerente, apesar de ter sido feito há quase 5 décadas, considero bem atual! Arrisco dizer que se houvesse replicação utilizando métodos parecidos no Brasil haveria alta correlação também entre as duas variáveis. É legal quando se tem um resquício de prova científica sobre aquilo que vemos em nosso cotidiano. Mas o que eu mais gostei foram os retornos em relação aos comentários negativos. Isso mostra que a pesquisa tem sim seu sentido e que o conteúdo está latente no inconsciente das pessoas afetadas. Porém acho que todos têm direito de concordar ou discordar e, como dito anteriormente, falácias não afetam pessoas que usam da razão para guiar suas escolhas. Agradeço a oportunidade de poder compartilhar informações tão interessantes, gostaria de continuar seguindo as próximas postagens!
    Estejam em paz!

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  8. A pergunta é: Você acha que o mundo é um lugar legal e justo pra todos? Se a sua resposta for “sim”, então continue sendo um conservador, afinal, as coisas já estão boas como estão 🙂

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  9. Os resultados das pesquisas são bem equivalentes ao que se nota por aí. Pois normalmente pessoas muito religiosas, a beirar o fanatismo, tendem a julgar muito os individuos que nao seguem os seus dogmas, e acabam ficando cegadas pelos mesmos. Mas nao se aplica só a religião, afinal qualquer um que acha que só ele está certo e não aceita opniões ou culturas diferentes é provido de muita ignorância.
    Sem querer ser um “pé no saco”, mas Porantim, acho que você ataca muito as pessoas nos comentários muitas vezes não interpretando muito bem o que elas disseram como no caso do Luiz Alberto; e também falando dos “níveis” delas, afinal cada um tem um modo diferente de pensar e opniar e deve-se respeitar tal.

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    • Olá, Hiago.

      Obrigado por seu comentário.

      Perceba apenas que não se deve respeito a ideias. Se deve respeito a pessoas.

      Ideias não tem que ser repeitadas. Ideias tem que ser discutidas, postas à prova, evoluídas. Isso é que constrói o conhecimento.

      Continue a acompanhar o Livre Pensamento!

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  10. Eu gostaria de mais luz e detalhes na definição de alguns termos, para remover ambigüidade. Na suposição inicial, de que o conservadorismo e o preconceito estão umbilicalmente ligados, como assim conservadorismo? Eu acho o termo abrangente, podendo se referir ao tradicionalismo em geral, conservadorismo moderno, conservadorismo político ou ate mesmo conservadorismo político no Brasil. Ainda mais que hoje em dia existe jargão pra tudo, so queria uma definição melhor.
    O termo progressista também foi usado e me soou como uma antítese para o termo conservadorismo. Enfim, so quero esclarecimento para saber em que aspecto esses termos estão sendo usados

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      • Ao autor,

        Infelizmente vou presumir que usas o termo conservador de uma maneira “conservadora”, ignorando que a natureza da palavra implica relatividade. Principalmente pelo texto ter sido escrito em português, embora a pesquisa original seja estrangeira, uma palavra carregada como esta pode até mesmo mudar o sentido completo de uma premissa. Não acredito que este seja o caso, mas estou muito inclinado a acreditar que o propósito da colocação da palavra tenha sido proposital para causar exatamente a revolta dentre os que se auto intitulam “conservadores” no que tange ao cenário social brasileiro atual. E após ler algumas respostas do autor, associando o conservadorismo ao nazismo – o que é inerentemente diferente de algo do tipo “as ideologias conservadoras sociais brasileiras atualmente, muito se assimilam com as ideologias sociais por trás do nazismo” – eu fiquei decepcionado, pois por um momento achei que o texto e o blog davam juz ao nome de “livre pensamento”, livre de qualquer tendencionismo político e desligados de ideologias pré-estabelecidas.e viés. No entanto, estou desenvolvendo a impressão (posso estar errado, minha impressão é prematura) de que todo este debate não passa de direita X esquerda, de percepções pretas e brancas, sem espaço para o cinza e sem verdadeiro valor filosófico.

        Se a premissa do autor no primeiro parágrafo é de que o conservadorismo, em qualquer cenário político ou circunstância, é necessariamente ligado ao preconceito, eu prefiro não disputar (até porque eu tenho razões para acreditar que teu conhecimento em lógica é suficiente para entender as falhas desta generalização).
        Se o autor não entendeu a profundidade da minha dúvida, também acredito que não vai entender a superficialidade e ambiguidade da resposa (pesquisas e pesquisadores… ?)
        Se eu que realmente estou completamente por fora dos debates sociais no Brasil, por estar momentaneamente distante terminando educação no exterior, e não deveria perguntar coisas estúpidas sobre termos que deveriam ser automaticamente entendidos pelo público, então eu me desculpo e evito mais atormentações.

        Porém, acredito que justamente por estar ativamente envolvido em debates sociais em um outro país, onde o termo conservador tem um significado diferente do que no Brasil em diversos aspectos, ainda acredito que minha dúvida seja válida

        Não vejo faltas lógicas no texto (até porque se eu visse, nem ao menos perderia tempo) mas o autor muito bem sabe que análise crítica é muito mais abrangente do que consistência lógica. Isso nada mais é do que o primeiro filtro.

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        • Olá, Guilherme.

          Veja, tanto “Conservador” quanto “Livre Pensamento” designam correntes filosóficas específicas. Os termos, inclusive, são opostos.

          O Conservadorismo (ou Conservantismo) surgiu em oposição à Revolução Francesa. É a corrente que crê nos dogmas e nas tradições (mesmo inventadas) acima das mudanças trazidas pela razão e pela ciência.

          Ao contrário, o Livre Pensamento surgiu enquanto corrente filosófica a partir do Iluminismo (embora suas premissas sejam bem mais antigas). O Livre Pensamento defende que é a razão e a ciência que podem explicar o mundo e que devemos desconfiar de todos os dogmas e tradições. O Livre Pensamento, ao contrário do Conservantismo, apoiou a Revolução Francesa (e criticou sua deformação) e a Comuna de Paris.

          Perceba que o autor deste texto não emite absolutamente nenhuma opinião. Limita-se a descrever uma pesquisa realizada. Não há debate “esquerda X direita” até porque o autor não usa nenhum dos dois termos (apenas um dos autores da pesquisa, Gordon Hodson, faz a ligação entre “direita política” e algumas ideias que ele considera da “direita”).

          Não sei o que o país onde está entende pelo termo. Seu IP é de Idaho. Se for o caso, o termo usado nos EUA é Conservatism. Pelo que sei, o Conservadorismo dos EUA se aproximou bastante do Liberalismo, ou seja, é defensor da destruição dos serviços públicos. O Conservadorismo fascista (e nazista) tem algumas diferenças mas é basicamente muito parecido (defende a Propriedade Privada dos Meios de Produção, é nacionalista, é dogmático e tradicionalista).

          Sobre a premissa levantada por si no seu segundo parágrafo, perceba que não é isso que está escrito no texto. Sugiro uma leitura mais atenta.

          Apesar de discordar de si, agradeço a educação e seriedade com que tratou o assunto nos comentários.

          Continue a acompanhar o Livre Pensamento.

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      • Ao autor

        Na tua resposta, quisestes dizer para procurar a definição da pesquisa em questão e dos pesquisadores do estudo em questão?
        Não sei se por teres usado a palavra “pesquisas” que entendi tua resposta como uma generelização de como os “estudiosos” no Brasil se referem ao uso da palavra conservadorismo, dando a entender com desdém que eu deveria saber a que se refere, logicamente.. Acho que agora entendi melhor tua resposta.

        Porém, no teu primeiro parágrafo, ainda usaste o termo conservador de maneira independente e afirmando que está ligado ao preconceito. Ainda acredito que esse termo seja muito abrangente.

        Considere mais os parágrafos segundo, quinto e sexto de minha resposta.

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        • Guilherme,

          O texto se refere a pesquisas acadêmicas publicadas. Correto? Onde você acha que é o melhor lugar para saber qual a compreensão dos autores da pesquisa se não na sua própria letra? Eu lhe dei a minha compreensão do termo, mas a compreensão dos autores você deve buscar na fonte. Concorda?

          Não há desdém. Não há generalização. Dei a resposta a uma pergunta clara o mais claramente que fui capaz.

          Como já disse na outra resposta, você não entendeu o que está escrito no segundo parágrafo. Aparentemente também não entendeu quem é autor da pesquisa, quem é autor do texto…

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          • Porantim,

            Primeiro, tratemos dos mal entendidos.
            No meu primeiro post, eu fiz uma pergunta sobre uma suposição de tua autoria. Eu havia lido as pesquisas e entendido como os pesquisadores usavam o termo e justamente achei muito politico. Eu lhe perguntei como você particularmente o usava, pois minha primeira impessão do blog era de que se tratava de uma página de filosofia e não de tendencionismo político. A tua segunda resposta respondeu minha pergunta inicial. Acredito que se você ler a minha primeira pergunta novamente vai entender um pouco diferente.
            No meu terceiro post, eu admiti que entendi erroneamente tua resposta inicial. (Escrevi meu Segundo post logo após escrever o primeiro, tu não tinha publicado tua segunda resposta ainda). Mas ao mesmo tempo que entendi errado, a definição dos pesquisadores não era a que eu procurava, eu procurava a tua, pois fiz menção ao primeiro parágrafo do texto.

            Enfim, aos argumentos.

            Eu desconhecia o termo “Livre Pensamento” como jargão filosófico. Eu estudei materiais sobre o assunto de ontem para hoje então meu conhecimento ainda está fresco, me corrija se eu tiver mal entendido. Antes de falar sobre Livre Pensamento em si, o fato de o termo ser um jargão é justamente o cerne de mina pergunta inicial. Com tantos termos “técnicos” e jargões, os sentidos reais das palavras ficam obscuros, e causam ambiguidade demais, pelo menos para mim, que tenho a tendência de levar as palavras ao pé da letra. Por exemplo, aqui onde eu estudo, a palavra conservador é sinônimo de Republicano. Tanto culturalmente como tecnicamente, uma palavra pode ser associada com coisas digamos não diferentes, mas incompletas. Na tua resposta mencionaste que o conservadorismo Americano possuí caracteristicas do Liberalism, o que é verdade. Porém, o termo Liberalism aqui é usado para definer as visões políticas opostas, ou em outras palavras, liberalism é um sinônimo de democrata. Então se você conversar com um Americano republicano e concluir que ele tem visões políticas liberais, ele vai negar e até mesmo se ofender (acredite, eu já passei muito por isso). O meu ponto é que o emprego dos termos causa confusão. E acredito que se você fizer uma análise sobre a repercussão do teu artigo, verá que o grande foco da revolta de muitos foi o fato da ênfase no termo “conservador”. Eu não estou nem ao menos criticando o emprego da palavra, apenas fazendo uma análise. E suponhamos que você tivesse escrito o texto omitindo a palavra conservadorismo, e dado ênfase apenas ao preconceito. O que teria sido diferente?

            Deixa eu lhe explicar agora aonde eu ainda estou confuso com relação a sua opinião. Pelo que eu entendi sobre o Conservadorismo e Livre Pensamento como correntes filósoficas, eles são modos diferentes de se pensar e analisar. Então se eu aceito algo apenas pelo fato de aquilo ser um “costume”, ou porque alguma “autoridade” o disse, eu estou pensando de um modo conservador. Ao contrário, se eu analiso criticamente, dando espaço para a ciência e a razão, mesmo que isso implique questionar algo que tem sido feito por muito tempo, essa forma de raciocínio constitui Livre Pensamento. Eu concluí que as duas formas de pensamento não são necessariamente ligadas a nenhum pensamento específico pré estabelecido e inquestionável (o que nada mais é que um dogma). Tido que a ciência é está em constante crescimento e evolução, para nutrir o verdadeiro livre pensamento, nós devemos tomar cuidado até mesmo com os dogmas científicos. Einsten, por exemplo, desafiou muitos dogmas científicos da época, sendo o livre pensador da sua época. Nos nossos dias, se um novo Eisnten surgir e expander as leis da física, os conservadores serão aqueles que relutarem em aceitar as novas mudanças, pois estudaram a lei da relatividade a vida toda. Por isso meu argumento de o termo conservador ser um termo flutuante. Pensar de forma conservadora e pensar de forma livres são coisa mutáveis, relativas as circunstâncias em que nos encontramos. Concorda comigo neste parágrafo? Eu estou me formando em ciência da computação então eu confesso que me expressar em palavras ou linguística realmente não é o meu forte. Eu acredito que tenho percepção rápida de lógica, mas me perdoe se eu soar muito confuso ao me expressar.

            A cultura popular atribui o “pensamento conservador” a certos aspectos sociais e politicos específicos. Voltando aos EUA, one estou mais familiarizado com o dogmatismo politico. Para se considerer conservador, você “deve” acreditar no direito de portar armas, ser contra o aborto, ser contra o casamento gay e contra grande parte do intervencionismo, principalmente no Mercado. Fica claro que esses pensamentos são chamados de conservadores, porque eles querem manter tradições. Os que se auto entitulam liberais, “devem” acreditar exatamente no oposto. De uma certa forma, esses pensamentos propõem mudanças, por isso são chamados de democráticos e progressistas. Mas a minha preocupação não é a origem dessas “doutrinas’ políticas, e sim a maneira com que o indivíduo decide aderi-las. Na sua grande maioria, as pessoas tomam posições políticas baseadas em autoridade e pressão social (o pai, o amigo, a tia). Essa maneira de se pensar é “conservadora”. Então pode parecer um paradoxo, mas muitas pessoas “conservadoramente” escolhem ser “liberais”. Ou elas tomaram uma decisão liberal, de uma maneira conservadora. Vamos ver se uma anedota consegue ilustrar melhor.
            Sem entrar no extenso debate social, político e científico do aborto, suponhamos que uma pessoa não tenha uma decisão formada sobre o caso. Se essa pessoa então toma a decisão de apoiar a legalização do aborto, ela esta propondo uma mudança, uma revolução. Mas pode-se dizer que automaticamente esta pessoa está “pensando livremente”. E se esta pessoa nem sequer ponderou sobre o assunto, apenas viu seu político favorito tratando o assunto de forma aparentemente convincente? E se a partir desse momento essa pessoa desconsiderar automaticamente todos os argumentos opostos, apenas porque já tomou a decisão sem nunca refletir mais proundamente? É mais que óbvio que a pessoa que forma sua opinião de ser contra a legalização por causa de sua religião ou tradição está sendo conservadora, mas e a pessoa anterior, não está sendo conservadora também, em seu modo de pensar? Agora suponhamos que uma Terceira pessoa estude profundamente o assunto, dando ênfase a todos os aspectos centíficos e lógicos e conclua que o aborto seja moralmente incorreto, e deva ser aplicado somente em casos extremos (estupro, incesto, risco, etc). Essa pessoa seria socialmente taxada como conservadora por possuir tal opinião, mas nesse caso eu acredito que essa pessoa pensou livremente. Existem argumentos lógicos em ambos os lados e quando as pessoas estudam um assunto profundamente sem viés, acabm por tomar a decisão que mais agrega valores morais subjetivos e pessoais.

            Para não dizer que fugi totalmente do assunto. O Nazismo pode ter sido baseado em fundamentos conservadores, assim como também a URSS ou outras formas de governo totalitários foram fundados a partir de conceitos revolucionários. Portanto, eu pessoalmente acredito que o EXTREMISMO, seja direita esquerda, seja conservador ou revolucionário, que está umbilicalmente ligado ao preconceito. E por isso eu não entendi direito o teu primeiro parágrafo, e talvez ainda não entenda. E quando me refiri a premissa do primeiro parágrafo, me restringi somente ao primeiro parágrafo, não dizendo que essa é a premissa de todo o texto. Talvez para finalizar, explique melhor o teu primeiro parágrafo.

            (Perdoe o post extremamente longo e os erros de acentuação. Que fique claro para qualquer outro espectador que eu não tenho intenção nenhuma em “ganhar o argumento”, pois isso me parece tão infantil quanto crianças brincando de lutinha. Estou apenas tentando, talvez de forma patética, expressar minhas dúvidas e visões)

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            • Nossa… Esse ficou grande. Vamos lá:

              É natural usarmos termos, nomes, para designar coisas. Quando alguém fala “comprei um quilo de batatas”, você sabe o que ela comprou e a quantidade. Não é verdade?

              Quando alguém fala em Façade, Factory, Adapter, Bridge, Classe ou Objeto na sua faculdade, você sabe exatamente do que ele está falando, não é? Você não pensa em fachada de uma casa, nem em fábrica de móveis, nem em ponte pênsil. Certo?

              A mesma coisa acontece com todas as áreas de conhecimento. Cada “grupo” cria termos próprios para designar, com pouca ou nenhuma margem de dúvida, seus objetos de estudo. Em ciência da computação chamamos isso de “ontologias” ou “vocabulário formal”.

              Assim, Livre Pensamento e Conservadorismo são termos específicos, correntes. As confusões surgem das pessoas que não estão acostumadas com os termos, da mesma forma como em qualquer outra profissão.

              Não tem muito jeito de isso não acontecer. Imagina se você não puder mais usar o termo “objeto”? Como ficaria a tradução Programação Orientada a Objetos? Algo como “Paradigma de programação baseado em unidades de software que representam abstrações de objetos do mundo real”? Ficaria impossível, não é?

              Assim, o uso de termos consagrados no meio acadêmico não é um dogma, é uma facilidade, é uma forma de ser claro.

              O dicionário Merriam-Webster define o termo conservatism assim:

              a political philosophy based on tradition and social stability, stressing established institutions, and preferring gradual development to abrupt change; specifically : such a philosophy calling for lower taxes, limited government regulation of business and investing, a strong national defense, and individual financial responsibility for personal needs (as retirement income or health-care coverage)

              A Wikipedia diz:

              Conservatism (Latin: conservare, “to retain”) is a political and social philosophy that promotes retaining traditional social institutions. A person who follows the philosophies of conservatism is referred to as a traditionalist or conservative.

              Como deve perceber, apesar de algumas diferenças, não há tanta margem assim para confusão.

              Em uma outra resposta nesta discussão, eu utilizei as definições do artigo Uma análise a respeito do pensamento conservador (STELMACKI JUNIOR, R). Coloco novamente aqui:

              • “governo fundado não nos direitos humanos, mas no atendimento das necessidades de seus membros através de um Estado forte e bem estruturado”
              • “a lei, e com ela a ordem, está acima da sociedade, até porque ela é norma jurídica e não social. A legitimidade do poder e sua execução se estrutura no Estado e não na sociedade, o aparelho do Estado tem total controle e competência para gerir o todo social.” (citando MERCADANTE, P. Aconsciência conservadora no Brasil)
              • para manter a ordem vigente e o status quo, “uma nova ideia teoricamente (ou aparentemente) mais justa pode ser inadequada e até mesmo “nociva” se posta em prática.” (citando VIANA, L. W. A revolução passiva: Iberismo e Americanismo no Brasil)
              • “O conservadorismo, portanto, é próprio de uma sociedade de classes (capitalista), onde há conflito e oposição de interesses políticos, sociais e econômicos”
              • São contra “políticas sociais distributivas, legislação de proteção trabalhista, sistema educacional e de seguridade social universalistas e laicos, e […] temas como união civil entre pessoas do mesmo sexo, medidas de ação afirmativa e de proteção aos direitos das mulheres, dentre e de minorias.”
              • “mantêm forte respeito por instituições tradicionais, como a família e a propriedade privada”
              • “Por princípio, são adversários das mudanças súbitas e das inovações e tendem a aceitar as imperfeições do ser humano como realidades inerentes a sua natureza, em vez de contar com a possibilidade de reconstrução e aperfeiçoamento”

              Usei ainda uma definição do Olavo de Carvalho (astrólogo e conservador notório): “O termo ‘conservador’ denota a adesão a princípios e valores atemporais, que devem ser conservados a despeito de toda mudança histórica, quando mais não seja porque somente neles e por eles a História adquire uma forma inteligível. Por exemplo, a noção de uma ordem divina do cosmos ou a de uma natureza humana universal e permanente.”

              Acho que, por essas definições, fica claro que os termos não são “mutantes”. Por definição, as posições conservadoras não mudam ou mudam muito pouco e muito devagar.

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  11. Dois erros que eu achei, pra te ajudar na revisão.
    Esclarecimento 2: pensem, ao invés de pensam
    Esclarecimento 3: pre-conceituar, ao inves de pre-conceiturar

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  12. Complicado hein?
    Eu realmente acredito que o problema que ocorreu aqui é o mesmo que ocorre muitas vezes na imprensa: tomar como verdade o resultado de poucos artigos. Não estou dizendo que você tomou isso como verdade, mas o titulo e a maneira que você descreveu levaram a muitos a essa impressão.
    Testes de QI são ultrapassados pois não eram precisos o suficiente, não englobam diversas inteligencias, e até mesmo o conceito do que caracteriza inteligencia é bem delicado. Enfim, utilizar testes da década de 70, um período bem diferente do agora, sem dúvida compromete em muito qualquer argumento que esteja presente no texto. Por favor não compare pesquisas naturais da Terra com pesquisas na área de humanas, a natureza não muda, o homem muda constantemente.
    “Não é nova a idéia de que o conservadorismo e o preconceito estão ligados umbilicalmente.” Quem se explica mal, não pode reclamar de ser mal compreendido. Eu me considero um homem conservador, e quando digo isso não falo sobre o casamento, posições religiosas, opções sexuais ou qualquer minoria que você se sinta incumbido de proteger, sou conservador no sentido que sinto falta de certos valores que não são mais desenvolvidos, sou conservador com relação a familia, não a constituição pai e mãe, mas ao fato de que ela exista como organismo, trabalhando em conjunto a procura de construir indivíduos, e não como um amontoado de gente que dorme sobre o mesmo teto.
    Eu poderia me alongar mais, pois existem muitas outras coisas que se perderam ao longo dos anos e por uma moda besta de invocar o novo sobre qualquer perspectiva, são ditas como retrógradas, desnecessárias e erradas em essência. O que procuro expressar aqui é que existem níveis e níveis de conservadorismo, e filosofias bem distintas ligadas ao conservadorismo de cada individuo, generalizar todas as pessoas conservadoras é um baita preconceito, mas como já venho me dizendo a anos: todos somos preconceituosos, pois faz parte de nossa natureza, podemos conversar sobre isso em outro momento se desejar.
    Enfim, reavalie como expressou sua opinião com o texto e as rebatidas, afinal muitas delas são invalidas e pouco precisas, mas é algo que ocorre, afinal expressar opiniões não é algo simples, mas é um trabalho importante para quem aspira ser mais. Principalmente quando for escrever esse tipo de texto, pense e reflita bem cada paragrafo, se coloque no lugar de quem vai ler a sua noticia antes, irá ajudá-lo.
    Boa Sorte!

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  13. Bom Dia! Como professor universitário, tenho a experiência empírica dessa pesquisa e a confirmo. Infelizmente, provocar o pensamento, a crítica embasada e a liberdade de exposição não são bem vistas, muito menos estimuladas. Endosso, entretanto, que não a correlação “inteligência X anos/nível de escolaridade” existe, na mesma medida em que uma estimula, formata, dá voz, organiza e estrutura a outra. A realidade, porém, parece mostrar que quanto menos seres cerebrados conscientes existirem, maior a permanência do status quo manipulador. Quero acrescentar à discussão e me dirigir aos inúmeros preconceituosos que mal conseguiram ler a matéria ou a pesquisa, a seguinte dúvida: assim como em outros momentos da história, o conservadorismo pode se disfarçar de discurso progressista e, em nome de um suposto “avanço” social, provocar justamente um retrocesso e um recrudescimento das relações sociais ? Não se abre aí, por consequência, a janela das ditaduras (sejam de direita ou do proletariado) ? Parabéns pelo blog.

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    • Olá, Carlos.

      Obrigado por seu comentário. Só quero fazer um parênteses: não se pode colocar a ditadura da burguesia e a ditadura do proletariado no mesmo saco. Uma é a antítese da outra. Elas são mutuamente excludentes e diametralmente opostas.

      Hoje vivemos na ditadura do Capital. No sistema de produção capitalista, a antítese do Capital é o Trabalho. Pensando dialeticamente: para superar a ditadura do Capital (burguesia), é necessária a ditadura do Trabalho (proletariado). Só assim seremos capazes de uma nova síntese.

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  14. SER CONSERVADOR NÃO SIGNIFICA NECESSARIAMENTE SER PRECONCEITUOSO. DEPENDENDO DO CONTEXTO PODEM SER DISTINTOS. SER CONSERVADOR, MUITAS VEZES PODE SER UMA FORMA DE GARANTIR FELICIDADE EM COISAS QUE SE ACREDITA. COM CERTEZA O PRECONCEITO É UMA FORMA DE PRISÃO, UMA FORMA DE INIBIR A LIBERDADE NO VIVER.

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    • Márcia, por favor, desligue o Caps Lock. É feio e é mal educado.

      Não entendi sua lógica. Encher a cara de cachaça todo dia ou cheirar cocaína como um louco também são formas “de garantir a felicidade em coisas que se acredita”. Isso não quer dizer absolutamente nada.

      É óbvio que quem se apega a dogmas, mesmo que falsos e absurdos, é mais feliz! Quem aceita a “verdade” sem questionar não é capaz de perceber sua miséria! Conhece o ditado “a ignorância é uma bênção”?

      Bom, e é exatamente isso que a pesquisa diz: tendências conservadoras são mais fáceis de serem aceitas porque não exigem pensamento, não exigem crítica, ao contrário. Quanto menos se pensar, melhor.

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  15. Prezado Porantim, postar algo na internet é um risco cada vez maior…Tenho um amigo que fez um texto superinteligente sobre a nova legislação das domésticas, relacionando com a filhinha dele, e recebeu até ameaça de morte ! Fazer o quê ? Língua portuguesa tem suas dificuldades e interpretação diz muito do que cada um tem dentro de si…Bom, quanto ao texto e à pesquisa, louvo sua iniciativa. Toda pesquisa séria deve ser divulgada. É informação. O que se pensa e faz dela, é problema de cada um. Ninguém deveria criticar a postagem de pesquisas…
    Eu, embora um tanto conservadora para os moldes atuais, em função da minha crença de que a Bíblia deve nortear todos os meus passos, não me considero preconceituosa, na medida em que a própria Bíblia (o problema é que poucos lêem…E quando lêem, claro, interpretam-na nos moldes de seus próprios condicionalismos…Poderia citar uns nomes “metidos”, tipo Esser ou Claus Canaris para explicar isso, mas não vou tomar seu tempo !) nos incita a buscar nossa própria evolução como pessoa e aceitar os erros alheios (ou o que consideramos erros…de novo a tal da interpretação…), orando pelas pessoas e, se tivermos oportunidade, mostrando a elas um caminho melhor, mais luminoso…O que sempre é um risco, também…Aliás, alguém já disse que viver é um risco…
    Bom, arremato com a conclusão de que conservadorismo não é o mesmo que preconceito e o que é preconceito para mim pode não ser para outrem…Pode ser conceito formado e bem formado, por exemplo. Acho que o melhor é abrirmos a mente para os bons argumentos, sem subestimar ninguém. Há sabedoria onde não há cognição formal e isso Jesus demonstrou na escolha de seus discípulos…Neste caso, quem tem razão é Sócrates, o filósofo, consagrando a humildade – principalmente a intelectual – como a melhor das virtudes.
    Mas faz sentido a pesquisa, pois quem tem dificuldades em construir argumentos deve tender a buscar as construções mentais mais simples. Que bom seria se nessa tendência conseguissem chegar ao Evangelho, que consegue ser a melhor e mais complexa filosofia e a mais simples delas, pois resume-se, no final, ao Amor.
    Abçs.

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    • Olá, Izabel.

      Obrigado por seus comentários.

      Concordo em quase tudo com você, mas perceba que você fez uma certa confusão com os termos. Vejamos:

      Ninguém afirma que conservadorismo e preconceito são a mesma coisa (nem eu nem os pesquisadores).

      Cognição não é formal. Cognição é a aquisição do conhecimento. A educação (essa sim, formal ou não) é apenas uma parte do processo cognitivo. Acho que deixei bem claro que educação formal não tem nada a ver com essa pesquisa, não?

      Continue a acompanhar o blog e comentar os posts.

      Um abraço

      Porantim

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    • Deusina, sua opinião é um chute. Não há relação lógica entre as duas coisas. Sugiro a leitura do Guia de Falácias.

      De qualquer forma, a única que considerou alguma coisa “fundamental” aqui é você. Este texto nunca se pretendeu “fundação” de nada.

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  16. Conheço pessoas que não são inteligentes mas tem uma sabedoria enorme, e pra mim isso isso já basta, colocar em pauta uma discussão que não tem fim é tolice, é burrice, e ignorância.

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    • Caro Thiago,

      Debate nenhum deve “ter fim”. Evoluir o conhecimento é nossa obrigação.

      Para o Livre Pensamento, “tolice, burrice e ignorância” é dobrar-se cegamente a dogmas “indiscutíveis”.

      Obrigado por sua contribuição nesta discussão.

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    • só pra lhe situar, Hitler era muito religioso, extremista.
      E conheço pessoas que dizem que ele só fez o que fez porque tá na bíblia, e, de certa forma, está lá.
      O problema do Hitler foi que ele levou a bíblia muito ao pé da letra. Pra justificar o massacre contra os Judeus: “Pilatos: Estou inocente do sangue desse justo. Considerai isto. e o povo respondeu: que caia sobre nós e nossos filhos” O povo a que a bíblia se refere no momento da crucificação é o povo judeu.

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      • É verdade que Hitler se considerava um “bom cristão”, mas não é esse meu ponto. Há vários cristãos que não são conservadores.

        A linha ideológica conhecida como “Conservadorismo” tem origem em Edmund Burke. As características do conservadorismo são (STELMACKI JUNIOR, R. Uma análise a respeito do pensamento conservador):

        • “governo fundado não nos direitos humanos, mas no atendimento das necessidades de seus membros através de um Estado forte e bem estruturado”
        • “a lei, e com ela a ordem, está acima da sociedade, até porque ela é norma jurídica e não social. A legitimidade do poder e sua execução se estrutura no Estado e não na sociedade, o aparelho do Estado tem total controle e competência para gerir o todo social.” (citando MERCADANTE, P. Aconsciência conservadora no Brasil)
        • para manter a ordem vigente e o status quo, “uma nova ideia teoricamente (ou aparentemente) mais justa pode ser inadequada e até mesmo “nociva” se posta em prática.” (citando VIANA, L. W. A revolução passiva: Iberismo e Americanismo no Brasil)
        • “O conservadorismo, portanto, é próprio de uma sociedade de classes (capitalista), onde há conflito e oposição de interesses políticos, sociais e econômicos”
        • São contra “políticas sociais distributivas, legislação de proteção trabalhista, sistema educacional e de seguridade social universalistas e laicos, e […] temas como união civil entre pessoas do mesmo sexo, medidas de ação afirmativa e de proteção aos direitos das mulheres, dentre e de minorias.”
        • “mantêm forte respeito por instituições tradicionais, como a família e a propriedade privada”
        • “Por princípio, são adversários das mudanças súbitas e das inovações e tendem a aceitar as imperfeições do ser humano como realidades inerentes a sua natureza, em vez de contar com a possibilidade de reconstrução e aperfeiçoamento”

        Para Olavo de Carvalho (conservador notório) “O termo ‘conservador’ denota a adesão a princípios e valores atemporais, que devem ser conservados a despeito de toda mudança histórica, quando mais não seja porque somente neles e por eles a História adquire uma forma inteligível. Por exemplo, a noção de uma ordem divina do cosmos ou a de uma natureza humana universal e permanente.”

        Se prestar atenção, todas essas características são características dos regimes fascistas (como o nazismo).

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      • Ainda sobre seu argumento, Sam, uma citação:

        “Como um Cristão amoroso e como um homem, leio a passagem que nos conta como o Senhor finalmente se ergueu em Sua força e apanhou o azorrague para expulsar do Templo a raça de víboras. Como foi esplendida a sua luta em defesa do mundo e contra o veneno judeu. Hoje, depois de 2 mil anos, é com muita emoção que reconheço, mais profundamente do que nunca, o fato de que foi em nome disso que Ele teve que derramar Seu sangue na cruz. Como cristão tenho o dever de não me deixar enganar, tenho o dever de lutar pela verdade e pela justiça. E como homem, tenho o dever de zelar para que a sociedade humana não sofra o mesmo colapso catastrófico que sofreu a civilização do mundo antigo 2 mil anos atrás – uma civilização que foi levada a ruína por esse mesmo povo judeu.” – Discurso do Adolf Hitler em 12 de abril de 1942, em Munique

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  17. Essa pesquisa é tendenciosa e a própria preconceituosa. Como pode incluir pessoas como Edmund Burke, Olavo de Carvalho, Tomás de Aquino, Isaac Newton, Bismarck dentre muitos outros conservadores na escala de “menos inteligentes”. Se a premissa fosse verdadeira, A = “adultos de baixo QI ou com dificuldades cognitivas tendem a ter atitudes conservadoras e preconceituosas ” e B = que pessoas progressistas são inteligentes por tem mais escolaridade “classes mais baixas e com menos escolaridade se mostraram as únicas capazes de pensar de maneira progressista.” concluímos, portanto, que A e B só podem ser verdadeiros, ou seja, A ^ B -> V ou “pessoas inteligentes com escolaridade são progressistas e não preconceituosas. Aí entra UMA CONTRADIÇÃO pois, para que A e B seja verdade SE E SOMENTE SE A e B sejam ambos verdadeiro. Se existe C “há conservadores inteligentes como Newton, Galileu, Bismarck” entra em contradição a premissa A e B PROVANDO QUE A PESQUISA É FALSA!!!!! É um absurdo! É mentira!

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    • Emanoel, sua argumentação é uma falácia.

      Você contrabandeou uma premissa que não existe no texto.

      Perceba que toda a sua lógica é falha. Mesmo que sua premissa B fosse verdadeira, não haveria contradição com C.

      Procure estudar um pouco de lógica, acho que você fugiu das aulas.

      Obrigado por acompanhar o Livre Pensamento.

      Porantim

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  18. Achei o texto engraçado e válido. Gostei que você usou um ‘tendem’ em “pessoas menos inteligentes TENDEM a ser mais conservadoras e preconceituosas”, porque nem sempre essas coisas estão ligadas entre si. Achei engraçado porque sou extremamente preconceituosa (não tenho o preconceito comum contra negros ou homossexuais/bissexuais, mas detesto estrangeiros e trato-os mal mesmo, principalmente os metidos do primeiro mundo). No entanto, não sou nada conservadora: não vejo problema em casamento gay, não vejo problema que adotem filhos juntos ou arranjem uma barriga de aluguel, não ligo de vê-los juntos na rua como qualquer casal, acho negros e mestiços lindos e eles têm o mesmo direito que qualquer um, não ligo pra famílias constituídas fora do casamento (até acho que casamento é coisa antiga, de gente “véia”) e acho muito legal alguns pais ou mães criarem os filhos sozinhos com sucesso. Sou 140% a favor de coisas novas, mas detesto a síndrome do vira-lata que o brasileiro tem de se achar inferior ao estrangeiro. A pesquisa que você arranjou pode ser antiga, mas a informação dela ainda é muito atual. Você também escreve bem, então que tal fazer um post sobre nossa síndrome do vira-lata/da inferioridade do brasileiro um dia? Gostaria de saber sua opinião sobre isso.

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    • Olá, Nicolle.

      Sabe, isso é interessante.

      Andando pelo resto da América Latina, você perceberá que não somos só nós que vemos o estrangeiro como uma coisa melhor. Por todo canto, o brasileiro é visto como um povo batalhador, que conquista seus direitos pela luta, na rua. Somos vistos como um povo progressista e consciente politicamente.

      Talvez isso que você chama de “síndrome de vira lata” seja uma reação dos povos que foram dominados e oprimidos por estrangeiros durante tanto tempo…

      Continue a acompanhar o Livre Pensamento.

      Porantim

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  19. Essa pesquisa é idiota e infundada por si só porque não leva em consideração o real pensamento conservador. Pelo contrário, parte de um falso pressuposto, na verdade um espantalho, sobre o pensamento conservador e desenvolve toda a pesquisa sobre esse falso objeto. Isso é vigarice e empulhação da pior espécie. Ademais, o nível de conhecimento dos opinantes aqui à respeito da questão é digno de ensino pré-fundamental. Se alguém quer ter legitimidade para criticar o pensamento conservador tem que obrigatoriamente ter lido ao menos uma obra de algum grande pensador como: Russel Kirk, T.S Elliot, Edmund Burke, Leo Strauss ou Alexis de Tocqueville, caso contrário não passará de um mero palpiteiro ignorante que repete chavões e clichezinhos de ensino fundamental. É exatamente o que percebo da maioria das pessoas aqui.

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    • Caro Robson.

      Sua argumentação peca na honestidade.

      A pesquisa parte de dados coletados nos anos 70 e comparados com dados coletados recentemente. A pesquisa não parte de “pressuposto” nenhum, como você afirma.

      Na verdade, o espantalho é seu: perceba que sua crítica não se refere nem ao texto nem à pesquisa. Você inventou um argumento, atribuiu-o a este texto e tenta criticar o argumento inventado.

      Sugiro que leia do que se trata a falácia do espantalho e não a use mais: Espantalho

      Além disso, você se utiliza de outra falácia, o ad hominem, quando ataca o pensamento contrário com termos como “palpiteiro ignorante”.

      Talvez você devesse ler as pesquisas e as outras referências deste texto antes de utilizar esse espaço para “palpites” e falácias.

      Obrigado por acompanhar o Livre Pensamento.

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    • Eu li Elliot, Burke e Strauss… continuo achando conservadorismo, e qualquer comportamento extremista, um pensamento primitivo e preguiçoso. Sim, acomodado sim, afinal, é justamente isto que mostra a pesquisa: as pessoas se acomodam com as situações e aceitam o estado que chegou porque têm preguiça de pensar, aferir novas indagações, propôr mudanças porque mudar é trabalhoso, é difícil. Veja o quanto a mulheres tiveram que lutar pra mudar o pensamento machista de que a mulher não tem voz, não pode trabalhar ou votar, ou viver sem ter que depender de um homem sem ser taxada de “fácil”… veja o quanto os negros tiveram que lutar para obter a liberdade, veja o quanto os gays estão lutando pra ter diretos cíveis iguais aos de qualquer outro casal heterossexual… saia do seu mundinho e tente acreditar que tudo no que vc põe sua fé e defende com unhas e dentes possa estar errado… vc vai sentir um pouquinho do que é frustração. E se não lutar por mudança vc sente essa frustração todo dia. Mas vc não sente isso… afinal, vc não é uma mulher no séc. XV… ou um negro antes do séc. 20… e a julgar pelo seu pensamento conservador vc deve dizer pra todo mundo que é heterossexual.

      e quanto à relatividade do conceito de “conservador” (argumento que vi em outro comentário), digo o seguinte: SOU CONSERVADOR. Afinal, conservo a ideia mudança constante. Pois é nisso que acredito. Ah… e outra coisa que eu não poderia deixar de lhe falar: EVOLUÇÃO EXISTE.

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  20. Texto interessante, mas, acredito eu, que deveria ser tratado com mais profundidade. A ‘análises superficiais’, geralmente, causam esse tipo de reação semelhante ao ‘qualidade’ das informações contidas no texto (comentários preconceituosos, sem fundamentação). Li o texto e a pesquisa original, mas não acredito que o conservadorismo, especificamente, seja sinônimo de ‘ignorância’ ou ‘baixo Q.I’ (minhas palavras). Hoje, não existe absolutamente nenhuma pesquisa ou estudo, de uma forma geral, que não seja isento de interesses ou ideologias de um grupo. O que essas pessoas fazem, na verdade, é utilizar de ideologias, para justificarem seus preconceitos. Como citado acima, o Cristianismo, assim como boa parte das religiões, é complexo e exige capacidade crítica e analítica de suas premissas. O que essas pessoas fazem – alguns citados anteriormente – é desvirtuar os princípios do Cristianismo, para justificar seus preconceitos e o fazem de forma arbitrária, tendo em vista que essa religião, especificamente, prega a compreensão, o respeito à diversidade, e relações interpessoais amistosas.

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    • Olá, C. Santos.

      Este texto não pretendeu em momento algum ser uma “análise profunda”, afinal, isto aqui é apenas um blog. A mesma pretensão tiveram os outros sites que divulgaram a pesquisa.

      A análise profunda eu deixo para a Academia. A ciência se faz com método e não creio que blogs não são lugares com metodologia científica. O que acha?

      Perceba que nem eu nem as pesquisas citadas afirmam que conservadorismo e “ignorância” são sinônimos. O que as pesquisas citadas afirmam é que há uma relação de dificuldades cognitivas com conservadorismo (e não o contrário, necessariamente). Outra das pesquisas estabelece uma relação entre posições conservadoras e preconceitos (inclusive estabelece o escopo dos preconceitos).

      O que acho é que, aqueles com interesse nos resultados de tais pesquisas, leiam-nas. Procurem onde elas foram publicadas. Procurem se há contrapontos.

      Como você disse: aprofundem-se no conhecimento ao invés de vir “achar” aqui.

      Obrigado por sua participação, Santos. Continue a acompanhar o Livre Pensamento.

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  21. Bom… Só de ler o compilado sobre os comentários enviados, já é possivel ver que o resultado da pesquisa ainda é atual e se aplica também aos brasileiros.

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  22. A pesquisa fala sobre tendência, mas acho que o pessoal que te ofende nos comentários entende como se a pesquisa ditasse uma regra sem exceção.

    Eu penso que o teste de QI não consegue medir por completo todas as áreas da inteligência (memória, imaginação, juízo, raciocínio, abstração e concepção). Por outro lado, acho que a pesquisa ainda é válida hoje, apesar dos dados terem sido recolhidos no século passado.

    Consigo observar uma tendência para o preconceito (com ênfase no sexismo e homofobia) nas pessoas que tem dificuldade cognitiva e fraco poder de abstração.

    Entretanto, observe.. falo em tendência.

    Conheço também vários contra-exemplos. Pessoas que não seguiram a tendência. Tanto de um lado (pessoas altamente inteligente, em todas as áreas da inteligência) como de outro (pessoas com muita dificuldade em todas as áreas da inteligência).
    Pessoas que julgo altamente inteligentes, mas carregam em si preconceitos vergonhosos. E pessoas não tão inteligentes (não vou usar burras, pois o dono do blog acha uma palavra feia!) que conseguem aceitar e entender com muita facilidade as diferenças e a ambiguidade do ser humano.

    Gostei do site, bacana! vou compartilhar esse post com meus contatos. Abraço!

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    • Olá, Mondego.

      Mondego é seu nome mesmo? Porque Mondego é um rio português 🙂

      Obrigado por sua participação. De fato, o título do artigo e o texto falam em “tendência”, como você.

      Um abraço.

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  23. Meu QI é de exatos 158 e sou muito conservador mesmo tendo apenas 26 anos. pra mim essa pesquisa não faz nenhum sentido, dados fracos e sem ao menos um fonte logica ou racional. Pra mim é somente um texto elaborado por um mente fraca que tenta se sobressair fazendo sim os de QI baixo acreditarem que por terem opinião diferente da maioria se acharem um “pouco mais espertos”. Sou totalmente contra qualquer tipo de preconceito, mas dizer que uma pessoa tem QI mais baixo por ter um gosto diferente já é absurdo e beira o ridículo.

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    • Caro Levy Garcia.

      Apesar de ser um gênio magnânimo, seu cérebro “avantajado” foi incapaz sequer de ler o texto que tenta criticar.

      Como eu disse no próprio texto, não me interessa se você fala Klingon ou Élfico, me interessam as evidências que você apresenta. Diga-se de passagem, se os dados oficiais da Grã Bretanha são “fracos, ilógicos e irracionais”, você tem a obrigação de indicar as falhas metodológicas.

      Veja, seu “imenso” QI, que você se orgulha tanto, não foi nem capaz de compreender o que está escrito!

      Onde exatamente no texto está escrito que “uma pessoa com QI baixo tem gosto diferente”???? Cite!

      Sabe, Levy, ridículo é chegar aqui vomitando uma autoridade falsa e sequer saber o assunto sobre o qual discorre. Não acha?

      O mínimo que você deveria fazer é ler o texto e buscar compreendê-lo.

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    • Levy,

      Por favor, gostaria que me contasse qual foi o teste de QI ao qual você foi submetido para que eu nunca cometa o erro de submeter meus filhos a ele. Por que pela sua incapacidade de ler um texto e compreende-lo, com certeza há um sério engano quanto a pontuação que você diz ter.
      Mas eu vou tentar ajudar: Não se tenta determinar o nível da capacidade cognitiva dos indivíduos de acordo com suas preferências políticas e visões de mundo. Mede-se a capacidade cognitiva por meio de técnicas, assim como o teste de QI ao qual você foi submetido, e se estabele uma correlação entre: baixa capacidade cognitiva e indivíduos crenças conservadoras.
      Não quer dizer que todos os conservadores têm baixa capacidade cognitiva, nem que uma pessoa com alta capacidade cognitiva não possa ser conservadora. O que se conclui da correlação que descrevi é que a maior parte, ou boa parte, das pessoas com baixa capacidade cognitiva tendem a ser conservadoras.
      Nada a mais, nada a menos. Compreende?

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  24. Pingback: Pessoas menos inteligentes tendem a ser mais conservadoras e preconceituosas | Hablar Español es Exquisito

  25. A pesquisa pode estar correta, tanto que o autor do texto se mostrou bem preconceituoso quando citou nomes de pessoas tentando associar seus nomes a preconceito.

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    • Davi, não se sinta no direito de “adivinhar” o que eu pensou ou eu não penso. Não atribua a mim algo que eu não disse. Lembre-se que cabe a você provar o que diz.

      Onde fui preconceituoso?

      Onde associei qualquer nome ao preconceito?

      Não acha que deveria ler o texto inteiro e buscar compreender o que está escrito, não o que você quer que esteja escrito?

      Não acha que usar de mentiras e subterfúgios afasta o debate sincero?

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