Maiores cérebros no mundo pedem embargo a Israel pelo fim do genocídio palestino

Alguns dos maiores cérebros do mundo, incluindo sete ganhadores do Prêmio Nobel, publicaram este mês no The Guardian um manifesto exigindo um embargo total de Israel, semelhante ao embargo ao Apartheid sul-africano nos anos 1970.

As assinaturas incluem acadêmicos, filósofos, músicos, cineastas, jornalistas e escritores, como o professor do MIT Noam Chomsky, que é judeu, o arcebispo anglicano Desmond Tutu (agraciado com o Prêmio Nobel da Paz em 1984 pela sua luta contra o Apartheid na África do Sul), Adolfo Peres Esquivel (Prêmio Pulitzer em 2002), o historiador israelense Ilan Pappe, o ex-juiz da Corte Internacional John Dugard, Federico Zaragoza, ex-diretor geral da Unesco e várias outras personalidades.

O texto denuncia os 30 bilhões de dólares de ajuda militar que os EUA entrega ao regime fascista de Israel, bem como os bilhões em armamento exportados pela Europa a tal regime segregacionista. Denunciam, na mesma linha, hipocrisia de países como a China, Índia e até o Brasil que, mesmo com a política oficial de apoio aos palestinos, permite que suas empresas comercializem armas com Israel.

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Eduardo Galeano: Se Eu Fosse Palestino

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a escolher seus governantes.

Quando votam em quem não devem votar, são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma ratoeira sem saída, desde que o Hamas ganhou de forma limpa as eleições no ano de 2006. Algo parecido aconteceu em 1932, quando o Partido Comunista venceu as eleições em El Salvador.

Banhados em sangue, os salvadorenhos foram castigados por sua má conduta e, então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem. São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com péssima pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou.

E o desespero, a espera pela loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há anos, o direito à existência da Palestina.

Já resta pouco da Palestina.

Pouco a pouco, Israel a está apagando do mapa.

Os colonos invadem e depois deles os soldados vão restabelecendo a fronteira.

As balas sacralizam a remoção, como legítima defesa.

Não existe guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva.

Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha.

Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo.

Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel engole outro pedaço da Palestina, e os almoços continuam.

Eduardo Galeano

Um só Estado laico e democrático para palestinos e israelenses

Por centenas de anos os povos da Palestina viveram em paz uns com os outros, sejam beduínos, árabes, judeus ou cristãos. As permanentes ocupações estrangeiras construíram um povo multicultural, multireligiosa e multiracial. Foram egípcios, hebreus, assírios, babilônicos, persas, gregos, romanos, turcos…

A partir do Século IV, a maioria da população era cristã, que era a religião oficial do Império Bizantino, mas a presença árabe cresce muito a partir do Século VII.

O Império Otomano dominou toda a região (incluindo Síria e Líbano) por 400 anos, quando foi expulso pelos árabes durante a Primeira Guerra Mundial (pois era aliado da Alemanha). Com isso, a Liga das Nações entrega o controle da região para a Grã Bretanha e para a França. Também estabelece um acordo para facilitar a migração dos judeus para a região.

Acusando a Inglaterra de dificultar a migração dos judeus, os sionistas passam a patrocinar a formação de grupos paramilitares (alguns de orientação nazi-fascista) que começam a organizar ataques a civis, atentados a bomba e assassinatos dirigidos à administração britânica, mas principalmente com a intenção de dizimar o povo árabe residente na região. Vilas inteiras foram dizimadas, prisioneiros eram expostos e assassinados em praça pública.

Durante a Segunda Guerra Mundial os grupos paramilitares dão uma trégua, mas voltam com toda a força no fim da guerra. Em 1947 a Grã Bretanha entrega o problema à ONU, que dividiu a região em dois Estados: um exclusivamente judeu e outro árabe. O acordo que forçou essa resolução foi estabelecido em 1945 entre  Churchill, Roosevelt e Stálin.

Com a criação do Estado de Israel, os grupos paramilitares (que até então realizavam ataques a bomba e ataques a civis) se tornaram o serviço de inteligência e o exército de Israel.

A posição dos “dois Estados” (como estabelecido pela ONU) é a solução apontada tanto pelos sionistas trabalhistas quanto stalinistas, bem como as organizações de direita e extrema-direita (como liberais e fascistas). Por outro lado, a maioria das organizações e movimentos de esquerda, tanto em Israel quanto na Palestina, entendem que os quase 70 anos de experiência de tal proposta demonstram que ela só serviu para intensificar o massacre dos povos palestinos.

Entendem que a única saída é a constituição de um único Estado para todos os povos, sejam árabes, judeus, cristãos ou beduínos. Um Estado livre, laico, democrático e soberano.

Um desses movimentos é o Abnaa el-Balad (filhos da terra), um movimento secular nascido nas universidades de Israel que agrupa tanto palestinos quanto judeus, como Yoav Bar, que concede a entrevista a seguir.

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Hobsbawm sobre o massacre do povo palestino

Eric John Ernest Hobsbawm foi um historiador britânico nascido em um família judaica na cidade de Alexandria, no Egito, em 1917. Cresceu na Áustria e na Alemanha. Quando Hitler se torna chanceler da Alemanha, em 1933, Hobsbawm vai morar em Londes. Durante a guerra, foi alocado em uma unidade de engenharia do Exército Britânico, cavando trincheiras e construindo casamatas no litoral inglês.

Hobsbawm é considerado um dos mais importantes e influentes historiadores contemporâneos, tendo escrito, entre vários outros estudos, a trilogia de enorme importância para a historiografia, que analisa desde a Revolução Francesa em 1789 até o início da Primeira Guerra, em 1914: Era das Revoluções (1789-1848), A Era do Capital (1848-1875) e A Era dos Impérios (1875-1914). Posteriormente complementou essa obra em Era dos Extremos, que vai da Revolução Russa (1917) até o colapso da União Soviética (1991).

No texto a seguir, Hobsbawm faz uma breve análise das ações do Estado de Israel, especialmente da Operação Chumbo Fundido em 2008, conhecida como Massacre de Gaza, quando o Exército de Israel lançou a mais intensa operação militar contra um território palestino desde a Guerra dos Seis Dias em 1967. É a visão de um judeu a respeito do massacre terrorista perpetrado por um Estado ilegítimo em seu nome. Um genocídio que retoma a ofensiva.

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Bronowski e o fracasso da magia

Jacob Bronowski

“O homem domina a natureza
não pela força,
mas pela compreensão.

É por isto que a ciência
teve sucesso
onde a magia fracassou:

porque ela não buscou
um encantamento
para lançar sobre a natureza”

Jacob Bronowski

Bronowski, Jacob. In Singh, Simon. Big Bang. Editora Record. Rio de Janeiro/São Paulo. 2006. ISBN: 85-01-07213-3 (pág. 459)

A virulência machista do conservadorismo liberal brasileiro

Blogueiro da revista Veja, Rodrigo Constantino, sai em defesa do machismo de seu colega Bernardo Santoro, diretor do Instituto Liberal e coloca a máquina de difamação da Veja contra uma estudante de 20 anos

Há algumas semanas, Bernardo Santoro, um Professor Universitário da Faculdade de Direito da UERJ e UFRJ e diretor do Instituto Liberal publicou em seu perfil no Facebook um post fazendo chacota da luta das mulheres pela igualdade de direitos. No post, ele tenta resumir o objetivo de toda a luta de centenas de mulheres em um século de História à frase “poder dar pra todo mundo”.

Sendo figura pública e seguido por vários alunos, seu post atingiu grande público rapidamente e, óbvio, foi largamente considerado machista, recebendo uma merecida nota de repúdio do Coletivo Feminista da UFRJ.

Com a repercussão de tal nota, Santoro passou a afirmar que estava sofrendo “perseguição política” e “ideológica” pelas feministas. Como isso não deu certo, procurou um elo mais fraco pra atacar: escolheu uma aluna do primeiro ano do curso de Direito da UERJ, de apenas 20 anos, Maria Clara Bubna.

Maria Clara é membro do Coletivo de Mulheres da UERJ e era, então, aluna de Santoro. O professor acusou-a de ter escrito a nota (apesar de ela estudar na UERJ e a nota ser da UFRJ) e passou a expô-la ao ponto de seu amigo pessoal (e “menino maluquinho” da Veja), Rodrigo Constantino, entrar na onda de difamação.

Maria Clara está sofrendo ameaças violentas e, até para se proteger, resolveu quebrar o silêncio e publicar seu depoimento, que reproduzo abaixo.

O Livre Pensamento considera inaceitável qualquer tipo de opressão. Mais grave ainda quando um professor universitário usa do poder dado por sua posição para calar uma caloura. Muito mais grave quando um imenso império de comunicação de massas, como a Veja, é utilizada para coagir um coletivo em luta por seus direitos.

Opressores não passarão! Machistas não passarão!

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Sagan: a ciência e a democracia

“A ciência é muito mais do que um corpo de conhecimento.
É uma forma de pensar.
Isso é central para o seu sucesso.

A ciência nos convida a ficar com os fatos, mesmo quando eles não estão em conformidade com nossos conceitos.

Carl SaganEla nos aconselha a levantar hipóteses alternativas em nossas cabeças e ver qual delas melhor corresponde aos fatos.

Ela nos exorta a um balanço entre uma abertura sem barreias a novas ideias, mesmo heréticas, e a investigação cética mais rigorosa de tudo – novas ideias e sabedoria estabelecida.

Nós precisamos de uma ampla valorização desse tipo de pensamento.
Ele funciona.
É uma ferramenta essencial para a democracia em uma era de mudanças.

Nossa tarefa é não apenas trainar mais cientistas mas também aprofundar uma compreensão pública da ciência.”

Carl Sagan

SAGAN, Carl. Why We Need To Understand Science in The Skeptical Inquirer. Volume 14, 3ª edição (Primavera de 1990).
Tradução: Maurício Sauerbronn de Moura

Skinner e a inutilidade da punição

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“Uma pessoa que foi punida
não fica menos inclinada
a se comportar de
uma determinada maneira.
Na melhor das hipóteses,
ela aprende como
evitar a punição”

B. F. Skinner

Skinner, B. F. (1971). Beyond freedom and dignity. Indianapolis: Hackett Publishing.
Tradução: Maurício Sauerbronn de Moura

Vargas Vila: toda fé é uma tirania

“Duvide.
Nenhuma fé até hoje
foi tolerante.
A dúvida é a tolerância.
A fé levantou fogueiras,
a dúvida
não as levantará jamais.
Toda fé é uma tirania
e todo crente
é um escravo.
Não acredite”

Vargas Vila

In: BAZZO, Ezio Flavio. Assim falou Vargas Vila. Brasília, Companhia das Tetas Publicadora, 2005.

É útil estudar a evolução?

Richard-Lewontin“Se eu acho que é
útil estudar a evolução?

Eu acho que a resposta é sim,
porque a visão de mundo
que precisamos,
que eu preciso,
é uma visão de mundo materialista.

Tudo de verdadeiro
que nós pudermos aprender sobre a natureza
contribui para nossa compreensão do mundo material
e isso é desejável”

Richard C. Lewontin

LEWONTIN, Richard apud GRAFFIN, Greg; OLSON, Steve. Anarchy Evolution: Faith, Science, and Bad Religion in a World Without God. Harper Perennial. 2010.

Tradução: Maurício Moura