Não é piada: Instituto Liberal denuncia a Física Quântica como sendo coisa de comunista

O liberalismo brasileiro está tão afundado no conservadorismo mais rancoroso que já está começando a surtar. Em um bastante criativo artigo1 no site do Instituto Liberal, um tal de Lucas de Moura Lima levanta a tese de que, como a Física Quântica é muito complicada, ela, na verdade, é um instrumento marxista para confundir as pessoas e fazê-las acreditar em uma agenda maléfica que levará o mundo ao inferno socialista.

Em um linguajar messiânico e religioso, o tal Lucas, que é administrador de empresas, associa os valores do Capitalismo à Verdade (com letra maiúscula porque só tem uma), à luz, a um tipo de compreensão celestial. Já o marxismo ele vincula à Mentira, ao lado sombrio e aos Lord Sith.

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O cérebro crente: porque a ciência é o único caminho para fora do realismo dependente da crença

Michael Shermer *

O presidente Barack Obama nasceu no Havaí? Eu achei a questão tão absurda, sem mencionar a possibilidade de racismo em sua motivação, que quando eu foi confrontado com “birthers”1 que acreditam em outra coisa, eu achei difícil até mesmo me concentrar em seus argumentos sobre a diferença entre uma certidão de nascimento e um certificado de nascido vivo. A razão é porque uma vez que eu formei uma opinião sobre o assunto, tornou-se uma crença, sujeita a uma série de vieses cognitivos para garantir a sua verosimilhança. Eu fiquei irracional? Possivelmente. De fato, é assim que a maioria dos sistema de crença funcionam para a maioria de nós na maioria do tempo.

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A iniciação científica na educação básica


Maria Francilene Câmara Santiago
Ivanaldo Santos
Simone Cabral Marinho dos Santos

Ao tentar elaborar respostas e soluções às dúvidas e problemas que levem a compreensão de si e do mundo, a ciência não se resume ao controle prático do homem sobre a natureza. Fazer do mundo uma provocação é tornar a prática científica inerente ao cotidiano, uma vez que oportuniza a observação, o questionamento e a compreensão da realidade social. E integrá- -la ao cotidiano da escola é, antes de tudo, transformar o conhecimento em algo não reprodutivo, mas criativo, bem como melhorar as condições de permanente aprendizagem, estimulando a aplicação prática de reflexões teóricas por meio de intervenções efetivas na sala de aula. Para tanto, a curiosidade natural e a criatividade do(a) aluno(a) devem ser estimuladas. É importante que este compreenda os fenômenos que ocorrem ao seu redor, possibilitando assim a produção de novos conhecimentos sob condições de permanente aprendizagem.

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Os principais argumentos contra o aborto: ponderações científicas

David Robert Grimes*

Só na semana passada, o aborto causou controvérsias nos EUA, Reino Unido e Chile. A ciência médica é muitas vezes reivindicada em ambos os lados do debate, mas o que há de evidências em algumas das principais reivindicações em torno do aborto?

Há poucos assuntos no discurso moderno tão divisivos, tão repletos de incompreensões e enraizados de convicções profundas quanto o aborto.

Os que defendem o direito de escolher argumentam que é um direito da mulher escolher se levará a gravidez a termo ou não. Do outro lado, os ativistas anti-aborto insistem que a partir do momento da concepção o feto tem o direito inalienável à existência. Nos últimos anos, a polarização aumentou e o tema tem se tornado politicamente excepcionalmente exaltado, com os aspectos pessoais e políticos cada vez mais dificilmente separados.

Em meio a tantos argumentos apaixonados, é fácil que incompreensões e ficção preencham o espaço vazio entre as ideologias opostas. No entanto, se quisermos ter uma discussão fundamentada sobre o direito ao aborto, temos que abandonar as falsidades persistentes que obscurecem o tema. Se quisermos escolher a razão em detrimento da retórica, vale a pena abordar alguns dos mitos mais perniciosas que surgem cada vez que a questão do aborto é levantada.

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Manifesto contra a ascensão do pós-modernismo anticientífico

por Martí Jiménez Mausbach, @MartiJim7

“A acusação de cientificista me orgulha. O cientificista é um tipo de sustenta que tudo o que pode ser conhecido é melhor compreendido utilizando o método científico em lugar da improvisação e da especulação desenfreada” -Mario Bunge

Me preocupa como o movimento anti-vacina, espalhado nas regiões mais ricas do mundo, tem provocado a pior epidemia de sarampo dos últimos 20 anos. Me preocupa que grupos políticos percam tempo promovendo moções contra a imaginária conspiração dos chemtrails1 ou as ondas não ionizantes. Me preocupa ver cartazes divulgando cursos de risoterapia ou de reiki em estabelecimentos comerciais sérios. Me preocupa que em uma iniciativa cidadã como o Multireferendo, 34.204 pessoas votaram contra os transgênicos, enquanto dois terços dos espanhóis não sabem que tomates têm genes. Me preocupa ver comissões de espiritualidade dançando em torno de uma espiga de milho no Acampada Sol2. Me preocupa que o velho continente esteja deixando escapar o potencial da biotecnologia agrário por fundamentalismo tecnofóbicos. Me preocupa que no final do ano passado, o presidente da Comissão Européia eliminou o cargo de assessor científico pelas pressões do Greenpeace. Me preocupa que cada vez mais gente considere incompatível, com o ativismo político, uma posição cética em relação a uma ampla gama de pseudociências, que abarcam desde a reflexologia até a psicanálise. Me preocupa que uma ampla massa social de esquerda siga desconfiando da ciência, ao considerá-la parte do stablishment capitalista. Me preocupa, em última análise, a ascensão do intelectualismo New Age, relativista pós-moderno, pseudocientífico e mesmo profundamente anti-científico.

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Pós-modernismo e a pseudociência que prejudica a mulher

Já tocamos no assunto aqui de como o pós-modernismo ressuscitou o feminismo reacionário, agora vamos compreender um pouco como a retórica pseudocientífica pós-modernista, iguala qualquer mitologia e charlatanismo ao conhecimento científico e acaba colocando em risco exatamente quem diz defender.

No texto a seguir, Claire Lehmann aborda como as hipóteses pós-modernas sobre gênero são prejudiciais à saúde da mulher. Clair é uma livre pensadora e psicóloga que escreve para várias publicações, como o The Guardian e o The Sydney Morning Herald  e está concluindo seu mestrado em psicologia forense.

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Materialismo, Relatividade e socialismo em Einstein

Este texto me foi enviado recentemente por seu autor para ser publicado e pode ser considerado o primeiro guest post do site (apesar de não ser um texto inédito). Nele, Glailson Santos expõe uma interessante visão sobre as teorias de Einstein, começando por desmitificar a Teoria da Relatividade, levanto-a a sua raiz mais simples. O autor resgata as origens materialistas e socialistas do físico, a partir de seus próprios escritos.

Aproveito para convidar nossos leitores a enviarem seus textos. Este site é de todos os livres pensadores!


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