Racismo prejudica produção científica de pesquisadores negros no Brasil

O dia 13 de maio marca a abolição formal da escravatura, mas o Brasil está longe de acabar com o racismo presente nas instituições. Nas universidades, locais de construção do saber, a questão ainda se perpetua na graduação, apesar do sistema de cotas, e mais ainda na pós-graduação e na pesquisa científica, onde são raras as ações afirmativas. Pesquisadores negros relatam à Agência Brasil as dificuldades que enfrentam na academia, desde o ingresso e a permanência até as barreiras para abordar temas que envolvem questões raciais. Para esses especialistas, a tentativa de invisibilidade de negros como protagonistas de processos acadêmicos impacta toda a sociedade.

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Manifesto Contra a redução da maioridade penal

Se prender pessoas resolvesse os problemas da segurança pública seríamos o quarto país mais seguro do mundo. Isso porque temos a quarta maior população carcerária do planeta. De 1990 até hoje o Brasil aumentou em seis vezes o número de pessoas presas e esta realidade, em vez de diminuir a criminalidade, só fez aumentar a violência. Por mais que o fracasso desta medida seja óbvio, vemos agora uma proposta que quer que crianças e adolescentes sejam submetidos ao mesmo erro.

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Ditadura militar brasileira perseguiu centenas de cientistas

A história de 471 cientistas perseguidos durante a ditadura militar foi pesquisada e, a partir de hoje (31), pode ser consultada no site do Projeto Ciência na Ditadura. Esta é a primeira fase do trabalho feito pelo pesquisador titular da Coordenação de História da Ciência do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast) Alfredo Tiomno Tolmasquim e pelos professores Gilda Olinto e Ricardo Pimenta, do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict).

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O que acontece quando a educação vira mercadoria

A Anhanguera Educacional tornou-se uma empresa S.A., com ações na bolsa de valores e uma agressiva política de compra de outras instituições. Depois de gastar R$ 800 milhões com a compra de 12 redes de ensino, o grupo tornou-se a maior rede de ensino do país. Só no ABC a Anhanguera já adquiriu a Faenac, em São Caetano, a Anchieta e a Uniban, em São Bernardo, a UniA e a UniABC, em Santo André.

Com a aquisição de tantas faculdades, era de se esperar que houvesse mudanças no quadro de professores, promovendo assim um alinhamento com as diretrizes do grupo. No entanto, o que acabou acontecendo foi muito mais que isso.

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Violência obstétrica: a “medicina” contra a ciência

O termo violência obstétrica é amplo. Engloba os procedimentos, físicos ou não, que a mulher passa que não estejam baseados na ciência desde a gestação, o trabalho de parto, o parto, o pós-parto ou o abortamento. A lista dessas violências é extensa: agredir verbalmente ou fazer comentários constrangedores sobre a mulher ou sua família, recusar ou dificultar o atendimento, não permitir acompanhante, fazer lavagem intestinal, raspagem dos pelos, jejum, episiotomia (alargar o carnal de parto fazendo um corte no períneo) ou separar a mãe do bebê saudável após o nascimento são apenas alguns exemplos.

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Latuff e o Estado laico do Senhor Jesus

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Ilustração: Carlos Latuff

Ritalina, a droga legal que ameaça o futuro

É uma situação comum. A criança dá trabalho, questiona muito, viaja nas suas fantasias, se desliga da realidade. Os pais se incomodam e levam ao médico, um psiquiatra talvez.  Ele não hesita: o diagnóstico é déficit de atenção (ou Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH) e indica ritalina para a criança.

O medicamento é uma bomba. Da família das anfetaminas, a ritalina, ou metilfenidato, tem o mesmo mecanismo de qualquer estimulante, inclusive a cocaína, aumentando a concentração de dopamina nas sinapses. A criança “sossega”: pára de viajar, de questionar e tem o comportamento zombie like, como a própria medicina define. Ou seja, vira zumbi — um robozinho sem emoções. É um alívio para os pais, claro, e também para os médicos. Por esse motivo a droga tem sido indicada indiscriminadamente nos consultórios da vida. A ponto de o Brasil ser o segundo país que mais consome ritalina no mundo, só perdendo para os EUA.

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Aprender a aprender: um slogan para a ignorância

Dermeval Saviani é um dos maiores teóricos da educação no Brasil. Graduado em Filosofia em 1966, é doutor em filosofia da educação e livre-docente em história da educação. Saviani é autor de 15 livros, entre eles Escola e Democracia, Educação – Do Senso Comum a Consciência Filosófica e A Questão Pedagógica na Formação de Professores. Tem dezenas de participações em livros, prefácios e artigos publicados. Já participou de mais de 80 bancas de mestrado e doutorado, tendo tido dezenas de orientandos.

Saviani propõe o que chama de Pedagogia Histórico-Crítica, uma visão pedagógica que parte da dialética, especialmente do materialismo histórico, com influência da psicologia histórico-cultural de Vigotski. Para ele, o processo pedagógico não está desvinculado da prática social, ao contrário, a prática social é início e fim da prática educativa.

Em 2008 Saviani concedeu uma entrevista para Raquel Varela e Sandra Duarte que foi publicada na revista portuguesa Rubra, número 3. Leia a íntegra:


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Jovens judeus vivem ruptura com sionismo

Eles não apoiam o Estado de Israel. Mesmo vindo de famílias judaicas tradicionais, seus corações e mentes são solidários à causa palestina. Parentes e amigos reagem com rancor, mas este grupo de jovens rechaça as crenças sionistas

Yuri Haasz, Elena Judensnaider, Shajar Goldwaser, Bruno Huberman e Bianca Neumann Marcossi gostam dos quadrinhos pró-palestinos de Joe Sacco e têm simpatia pelo polêmico “A Invenção do Povo Judeu”, de Shlomo Sand. Aplaudem filmes como “Lemon Tree” e documentários como “Defamation” ou “The Gate Keepers”, narrativas críticas ao Estado de Israel.

Para além de um repertório cultural pouco comum entre os judeus, os cinco chamaram atenção quando se reuniram, no dia 8 de julho, junto com outros colegas, para repudiar a ação militar de Israel na Faixa de Gaza. Diante do consulado desse país em São Paulo, ergueram cartazes de protesto que horrorizaram parte da comunidade judaica.

Estes jovens, em roda de conversa com Opera Mundi, relataram sua trajetória de contestação ao sionismo e a reação que sua atitude provoca entre familiares. Discutiram também o que é ser judeu no século 21, problematizando a proposta de dois Estados para dois povos e repensando a própria existência de um lar nacional judaico encarnado por Israel.

“Queremos deixar claro, em nossa condição judaica, que não compactuamos com a opressão ao povo palestino e o massacre de civis em Gaza”, afirma Yuri Haasz. “Israel não atua em autodefesa, mas com a intenção de ocupação territorial, para inviabilizar a criação de dois Estados.”

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Saviani e o papel da escola

saviani“O papel da escola
não é mostrar a face visível da lua,
isto é, reiterar o cotidiano,
mas mostrar a face oculta, ou seja,
revelar os aspectos essenciais
das relações sociais
que se ocultam sob os fenômenos
que se mostram à
nossa percepção imediata.”

Dermeval Saviani

SAVIANI, Dermeval. Origem e desenvolvimento da pedagogia histórico-crítica. 2012. p. 2