O pensamento científico dá frutos

Sobre porquê a ciência é a única forma de conhecimento que vale a pena

“O maior pecado contra a mente humana é acreditar em coisas sem evidências. A ciência é somente o supra-sumo do bom-senso – isto é, rigidamente precisa em sua observação e inimiga da lógica falaciosa.”
Thomas Henry Huxley

A Ciência faz crescer a árvore do conhecimento em nossas mentesO pensamento científico é algo relativamente novo na história da humanidade. Suas bases começaram a ser desenhadas na Grécia antiga, quando os pensadores pré-socráticos começaram a substituir a crença nos mitos por explicações céticas para os fenômenos do mundo, mas o método científico só se torna realidade no século XVI.

Antes do surgimento do método científico, o conhecimento acumulado pelo ser humano era altamente empírico ou era simplesmente baseado em dogmas e tradições. A ciência permitiu ao homem produzir o conhecimento de forma mais coletiva e controlada, com menos perda de tempo e mais próximo da realidade.

Apesar de qualquer tipo de conhecimento ser capaz de chegar à verdade, apenas o conhecimento científico é capaz de negar a si próprio, ou seja, de perceber por seus próprios métodos que está errado, que não é a verdade.

O texto a seguir, é parte do livro Fundamentos da Metodologia Científica e identifica os quatro tipos de conhecimento e suas diferenças. Isso permitirá compreender melhor as diferenças entre o conhecimento vulgar, dogmático ou religioso do conhecimento científico.

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Materialismo

Materialismo, idealismo e dialética: chamando as coisas pelos seus nomes

O senso comum faz uma grande confusão entre os termos materialismo e idealismo. Com influência, provavelmente, da moral religiosa, várias pessoas defendem a ideia de que o materialismo é o enaltecimento dos prazeres mundanos em detrimento de ideais mais “elevados”.

Essa ideia não é nova:

 “O filisteu entende por materialismo glutonaria, bebedeira, cobiça, prazer da carne e vida faustosa, cupidez, avareza, rapacidade, caça ao lucro e intrujice de Bolsa, em suma, todos os vícios sujos de que ele próprio em segredo é escravo; e por idealismo, a crença na virtude, na filantropia universal e, em geral, num ‘mundo melhor’, de que faz alarde diante de outros, mas nos quais ele próprio [só] acredita, no máximo, enquanto cuida de atravessar a ressaca ou a bancarrota que necessariamente se seguem aos seus habituais excessos ‘materialistas’ e [enquanto], além disso, canta a sua cantiga predileta: que é o homem? — meio animal, meio anjo.”
(ENGELS, F. Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Clássica Alemã. 1886)

Como demonstra o texto a seguir, essa visão não condiz com a realidade. Ele explica o ponto de vista de um dos principais teóricos do materialismo, o alemão Karl Marx. O materialismo (em especial o materialismo histórico e dialético) é uma concepção filosófica, não um preceito moral. O preceito básico seguido pelo materialismo é a observação da matéria, ou seja, do mundo real, sem o uso de hipóteses mágicas ou fantásticas. Ou seja, o materialismo defende que o mundo deve ser explicado a partir de si mesmo, até porque a matéria é a realidade objetiva e existe independente de nossa percepção ou consciência.

Leia também As teses de Marx sobre a filosofia de Feuerbach.

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Michael Shermer: por que as pessoas acreditam em coisas estranhas?

Michael Shermer é um psicólogo e historiador da ciência. Em 1992 fundou a revista Skeptic (cético), onde expôs as falácias do Design Inteligente, das conspirações do 11 de setembro, visitas alienígenas e outras crenças e paranoias populares.  Shermer defende que só podemos entender o nosso mundo combinando boa teoria com a boa ciência.

Nesta palestra para o TED, Shermer analisa os motivos que levam as pessoas a “verem” a Virgem Maria em um sanduíche de queijo ou nas letras demoníacas que aparecem quando tocamos um disco ao contrário. O vídeo faz-nos perceber como nossa mente nos leva a acreditar em coisas estranhas, mesmo ignorando os fatos.

Veja outros vídeos do TED.

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O Gênio de Charles Darwin

Em agosto de 2008, a emissora pública britânica Channel 4 exibiu um documentário em três partes chamado The Genius of Charles Darwin (O Gênio de Charles Darwin).

Escrito e apresentado pelo biólogo evolucionista Richard Dawkins, o documentário ganhou o British Broadcast Awards de Melhor Série de Documentários para a TV de 2008.

Os nomes dos episódios fazem alusão a clássicos da ficção científica (O Guia do Mochileiro das Galáxias, O Quinto Elemento e Star Wars) e trata da Teoria da Evolução das Espécies, sistematizada por Chares Darwin em seu livro A Origem das Espécies (Sobre a Origem das Espécies por Meio da Selecção Natural ou a Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela Vida), de 1859.

Dawkins começa explicando o mecanismo de Seleção Natural e conta a história de como Darwin desenvolveu sua teoria. Para discutir o assunto, exibe uma aula para crianças, procura por fósseis no sul da Inglaterra e viaja até Nairóbi.

No segundo episódio, Dawkins discorre sobre algumas das ramificações filosóficas e sociais da Evolução. Conversa com o paleontologista Richard Leakey e visita a maior igreja pentecostal do Quenia. O documentário também discute a eugenia e o Darwinismo Social, explicando que estes não são versões da Seleção Natural.

O último episódio explica o motivo de a Teoria das Evolução das Espécies ser uma das mais controversas ideias da história, mostrando as teorias de vários anti-evolucionistas.

A seguir, apresento a íntegra do documentário, disponibilizado pelo Canal de JoseGabr1el no YouTube (é preciso ativar as legendas no player).

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Carl Sagan nos apresenta seu dragão de estimação

O texto a seguir é um clássico. Foi extraído do livo The Demon-Haunted World (O Mundo Assombrado pelos Demônios – A Ciência vista como uma vela no escuro), de Carl Sagan.

Este texto é bastante usado para tentar explicar o que os defensores do materialismo entendem como “refutabilidade” (ou falseabilidade), ou seja, a capacidade de prover uma experiência física que comprove que uma afirmação é falsa (ou não).

Com este texto, como com toda a sua vida e obra, Sagan explica e defende o materialismo e o ceticismo como métodos para buscar os fatos e analisar o mundo.

Veja outros textos de Carl Sagan.

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As teses de Marx sobre a filosofia de Feuerbach

Por volta do ano de 1845, Marx começava a formular sua crítica à filosofia alemã, tanto ao idealismo quanto ao materialismo contemplativo. Analisando as ideias do jovem hegeliano Ludwig Feuerbach (que já publiquei aqui), Marx formula ideias centrais a partir das quais ele evoluiria sua crítica.

Esse rascunho só chegou a ser publicado após a morte de Marx, quando Engels editou-as e publicou-as como um apêndice ao seu livro Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã. O texto original só ressurgiu em 1924 quando o Instituto de Marxismo-Leninismo de Moscou publicou A filosofia alemã.

Com este texto, continuamos nossa série sobre a gênese do pensamento materialista.

Aqui, Marx entende que não basta contemplar a matéria estática, como se fosse um quadro. É preciso entender que a realidade é a matéria em movimento, a interação entre os elementos e os indivíduos. Com essa compreensão, percebe que é necessário alterar esse mundo, alterar a realidade, alterar as interações entre os indivíduos conforme as necessidades reais das pessoas reais.

Porantim

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A Relatividade e o Paradoxo dos Gêmeos

Neil deGrasse Tysson é um astrofísico estadunidense. Foi apresentador do programa científico  NOVA scienceNOW e é figura frequente em programas de entrevista. Além de ser um grande propagandeador da ciência, Tyson tem uma extensa carreira acadêmica, sendo pesquisador da formação e evolução estelar, cosmologia e astronomia galáctica. Teve vários cargos em várias instituições de pesquisa e museus e tem vário livros publicados. Neste vídeo, Tysson explica de maneira simples as bases da Relatividade Geral de Einstein e suas consequências teóricas, como o Paradoxo de Gêmeos.

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Os princípios da filosofia do futuro de Feuerbach

Dentro da série de descoberta das raízes do materialismo, publico o terceiro dos textos clássicos de Feuerbach.

Este texto, junto com os outros dois já publicados, lança as bases da defesa de Feuerbach de transformar a teologia em antropologia, ou seja, de propor que a filosofia deixe de se basear na fé e no imaterial e passe a se basear no homem natural, em seus sentimentos, história, anseios. É o esboço do materialismo, do ateísmo teórico responsável e coerente. Assim, critica toda filosofia especulativa que desconsidere as experiências empíricas do indivíduo.

Feuerbach materializa uma crítica a seu mestre, Hegel, por este reafirmar o idealismo ao valorizar o que o homem não pode sentir em detrimento da sensibilidade humana.

Leia também outros textos de Feuerbach.

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A gênese do materialismo: Necessidade de uma Reforma da Filosofia

Este é o segundo texto que publico sobre a gênese do materismo para compreendermos o nascimento do pensamento materialista.

Mais uma vez, trago um texto de Ludwig Feuerbach. Filósofo alemão do século XIX, grande influenciador da filosofia materialista.

Leia também as Teses Provisórias para a Reforma da Filosofia.

Porantim

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Pessoas menos inteligentes tendem a ser mais conservadoras e preconceituosas

Não é nova a idéia de que o conservadorismo e o preconceito estão ligados umbilicalmente. Vários estudos já realizados chegaram a essa conclusão. A novidade é que o posicionamento conservador e o preconceito podem estar ligados à baixa inteligência.

Um estudo feito por pesquisadores de uma universidade de Ontario, no Canadá, chegou a conclusões bastante interessantes: adultos de baixo QI ou com dificuldades cognitivas tendem a ter atitudes conservadoras e preconceituosas (racismo, homofobia, machismo etc).

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