Carl Sagan e sua totalmente armada nave espacial da imaginação

Carl Sagan foi um dos mais famosos divulgadores científicos da história. Cientista,  astrobiólogo, astrônomo, astrofísico, cosmólogo, Sagan escreveu mais de 600 publicações científicas, além de 20 livros científicos e de ficção. Carl Sagan foi um grande defensor do método científico, do pensamento cético, do materialismo, não só na Academia, mas no dia a dia, em cada decisão que tomamos.

Em 2011, o blog Ninjerktsu publicou este story board do que seria um filme onde Sagan, pilotando a Imaginação, caça a Astrologia (pilotada pelos signos), que reage com várias pseudociências (homeopatia e moto-perpétuo). Para derrotar as pseudociências, Sagan utiliza simplesmente o Método Científico!

Um trabalho genial do Ninjerktsu  (que diz ser artista de story boards na Dreamworks) que disponibilizo na esperança de que seja utilizado para ensinar as crianças sobre a ciência e o pensamento crítico.

Veja também outros conteúdos sobre Carl Sagan e mais sobre Pseudociências.

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Darwin e a ignorância

Darwin

“A ignorância mais frequentemente gera confiança do que o conhecimento: são os que sabem pouco, e não aqueles que sabem muito, que afirmam de uma forma tão categórica que este ou aquele problema nunca será resolvido pela ciência.”

Charles Darwin

Deus criou o Universo?

Curiosity é um programa do Discovery Channel. O objetivo do programa é responder “as questões mais desafiadoras da vida”.

Cada episódio escolhe uma pergunta e busca as respostas para ela, revelando os desdobramentos e as novas perguntas que surgem pelo caminho.

O vídeo a seguir é o primeiro episódio da primeira temporada do programa, que foi ao ar em 7 de agosto de 2011. Nele, Stephen Hawking analisa a existência de deuses a partir das evidências conhecidas. Para ele, o que (ou quem) criou o Universo é a questão mais fundamental da humanidade.

Hawking é um físico e cosmólogo britânico, diretor de pesquisa do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica e fundador do Centro de Cosmologia Teórica da Universidade de Cambridge.

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Stephen Hawkins sobre Deus

“O que eu fiz foi demonstrar que é possível determinar pelas leis da Ciência
o modo como o Universo começou.
Neste caso, não é necessário apelar a Deus para explicar como começou o Universo.
Se isto não prova que Deus não existe,
pelo menos prova que
Deus não é necessário para nada”

Stephen Hawkins

O pensamento científico dá frutos

Sobre porquê a ciência é a única forma de conhecimento que vale a pena

“O maior pecado contra a mente humana é acreditar em coisas sem evidências. A ciência é somente o supra-sumo do bom-senso – isto é, rigidamente precisa em sua observação e inimiga da lógica falaciosa.”
Thomas Henry Huxley

A Ciência faz crescer a árvore do conhecimento em nossas mentesO pensamento científico é algo relativamente novo na história da humanidade. Suas bases começaram a ser desenhadas na Grécia antiga, quando os pensadores pré-socráticos começaram a substituir a crença nos mitos por explicações céticas para os fenômenos do mundo, mas o método científico só se torna realidade no século XVI.

Antes do surgimento do método científico, o conhecimento acumulado pelo ser humano era altamente empírico ou era simplesmente baseado em dogmas e tradições. A ciência permitiu ao homem produzir o conhecimento de forma mais coletiva e controlada, com menos perda de tempo e mais próximo da realidade.

Apesar de qualquer tipo de conhecimento ser capaz de chegar à verdade, apenas o conhecimento científico é capaz de negar a si próprio, ou seja, de perceber por seus próprios métodos que está errado, que não é a verdade.

O texto a seguir, é parte do livro Fundamentos da Metodologia Científica e identifica os quatro tipos de conhecimento e suas diferenças. Isso permitirá compreender melhor as diferenças entre o conhecimento vulgar, dogmático ou religioso do conhecimento científico.

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Materialismo

Materialismo, idealismo e dialética: chamando as coisas pelos seus nomes

O senso comum faz uma grande confusão entre os termos materialismo e idealismo. Com influência, provavelmente, da moral religiosa, várias pessoas defendem a ideia de que o materialismo é o enaltecimento dos prazeres mundanos em detrimento de ideais mais “elevados”.

Essa ideia não é nova:

 “O filisteu entende por materialismo glutonaria, bebedeira, cobiça, prazer da carne e vida faustosa, cupidez, avareza, rapacidade, caça ao lucro e intrujice de Bolsa, em suma, todos os vícios sujos de que ele próprio em segredo é escravo; e por idealismo, a crença na virtude, na filantropia universal e, em geral, num ‘mundo melhor’, de que faz alarde diante de outros, mas nos quais ele próprio [só] acredita, no máximo, enquanto cuida de atravessar a ressaca ou a bancarrota que necessariamente se seguem aos seus habituais excessos ‘materialistas’ e [enquanto], além disso, canta a sua cantiga predileta: que é o homem? — meio animal, meio anjo.”
(ENGELS, F. Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Clássica Alemã. 1886)

Como demonstra o texto a seguir, essa visão não condiz com a realidade. Ele explica o ponto de vista de um dos principais teóricos do materialismo, o alemão Karl Marx. O materialismo (em especial o materialismo histórico e dialético) é uma concepção filosófica, não um preceito moral. O preceito básico seguido pelo materialismo é a observação da matéria, ou seja, do mundo real, sem o uso de hipóteses mágicas ou fantásticas. Ou seja, o materialismo defende que o mundo deve ser explicado a partir de si mesmo, até porque a matéria é a realidade objetiva e existe independente de nossa percepção ou consciência.

Leia também As teses de Marx sobre a filosofia de Feuerbach.

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Ontopsicologia: a pseudociência unindo o charlatanismo ao capitalismo selvagem

Em 2003 foi produzido o livro Método Científico & Fronteiras do Conhecimento, um trabalho conjunto do físico Ronaldo Mota, do geneticista Renato Z. Flores e dos biólogos Lenira Sepel e Élgion Loreto, todos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

O livro é dividido em duas partes. A primeira apresenta uma abordagem histórica do método científico, analisando desde as primeiras contribuições dos gregos, passando pelas bases do método científico no Renascimento, o seu amadurecimento (a partir da obra de Newton) até os filósofos da ciência contemporâneos, como Popper, Kuhn e Feyerabend.

A segunda parte utiliza temas contemporâneos para abordar as fronteiras do conhecimento. Para isso, analisa as pseudociências e apresenta conceitos e descobertas recentes nas áreas da genética, evolução e neourociências.

O texto a seguir é o capítulo 5 do livro, escrito pelo geneticista Renato Zamora Flores e é uma importante fonte de informação no debate sobre a fonteira entre o que é e o que não é ciência.

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A fronteira entre a ciência e a não ciência

Demarcando o que é e o que não é ciência

O seguinte artigo foi publicado pela Revista Filogênese, da Unesp, no volume 3, de 2010. Escrito pelo graduando em Filosofia pela UFOP, Rafael d’Aversa, busca os limites entre a ciência e a pseudociência através da análise de dois filósofos da ciência: Karl PopperRudolf Carnap.

Carnap foi um filósofo alemão. Um dos mais influentes membros do Círculo de Viena e defensor do positivismo lógico (neopositivismo), negava a metafísica (que considerava inútil e sem sentido) e defendia o princípio da verificação.

Popper era um filósofo da ciência nascido na Áustria e naturalizado britânico. Ele contrapõe o critério da verificação (do positivismo lógico) pelo método da falseabilidade. Apesar de sua crítica ao Círculo de Viena, é comummente descrito como um positivista.

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Um diploma em artes obscuras

Obscurantismo com diploma

O objetivo deste site é a propagação do pensamento materialista, ou seja, fazer com que as pessoas passem a usar a realidade como parâmetro para analisar o mundo, ao invés de dogmas e tradições. Nesse sentido, propagandeamos a ciência e o pensamento científico.

Um dos grandes inimigos do pensamento científico são os dogmas e religiões que se travestem de ciência, ou seja, aquelas disciplinas que se afirmam científicas, mas que não se utilizam do método científico, carecem de provas ou plauseabilidade, não se baseiam em estudos ou pesquisas etc.

O artigo a seguir foi apresentado na Primeira Conferência Iberoamericana sobre Pensamento Crítico da revista Pensar, na Argentina, em setembro de 2005. Apesar do tempo, o texto continua extremamente atual.

Professor ParanormalDe lá pra cá a situação piorou bastante, ao ponto de criarem uma faculdade com o único objetivo de dar uma “cara” científica para a pseudociência religiosa da Ontopsicologia (Faculdade Antonio Meneghetti).

As faculdades e universidades particulares se tornaram fábricas de dinheiro e, para alcançar o lucro a qualquer custo, abrem cursos os mais bizarros.

As Faculdades Integradas Espírita, em Curitiba, oferecem um Curso Superior de Formação Específica em Yoga que “visa conceber um profissional que utilize métodos da Filosofia Hindu, privilegiando a difusão de técnicas de prevenção à doença, numa ação mediadora dos estados patológicos para a busca do equilíbrio bio-psico-social e espiritual do indivíduo, seguindo os pressupostos dos textos do Yoga Clássico” e o Curso Superior de Formação Específica em Naturoterapia, contendo em seu currículo: auriculoterapia e massoterapia, acupuntura e fitoterapia, iridologia, florais, hidroterapia, geoterapia, trofoterapia, cromoterapia, Zen Shiatsu, Tui-Ná e Reflexolologia Podal.

O obscurantismo atingiu a Universidade e ganhou seu diploma. Agora, como um vírus, arrasta gerações de jovens de volta à Idade Média.

Leia outros textos sobre pseudociências.

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Carl Sagan: a meritocracia e a imbecilização das crianças

Não me lembro quando o li pela primeira vez, já tinha mais de 30, mas há um livro que provavelmente foi um dos principais responsáveis por despertar em mim a compreensão de que era necessário propagandear o método científico, o materialismo.

Esse livro foi The Demon-Haunted World (O Mundo Assombrado pelos Demônios – A Ciência vista como uma vela no escuro), de Carl Sagan.

Já era fã incondicional de Sagan por conta da série Cosmos, que assistia avidamente e repetidamente (assista todos os episódios aqui), mas esse livro bateu mais fundo.

No livro, Sagan apresenta o método científico de uma forma simples, para fazê-lo ser compreendido por todos. O objetivo é propagandear a ciência, é convencer as pessoas comuns a pensarem de maneira materialista, científica, racional. Quer auxiliar as pessoas a não mais serem enganadas por superstições e pseudociências, pensando criticamente e questionando as novas e as velhas ideias.

É exatamente com o mesmo objetivo que criei este blog: a militância pelo materialismo.

O texto a seguir foi extraído desse livro. Nele, Sagan demonstra como as crianças passam de cientistas natos a adultos autômatos imbecilizados. Entende qual o papel da chamada “meritocracia” nesse processo, como a necessidade de ter seu “mérito” reconhecido faz com que os jovens passem a ter medo, ter pavor de errar. Assim, passam a preferir a certeza da mediocridade à insegurança da descoberta.

Sagan faz também uma crítica velada à política liberal e neoliberal que está destruindo a educação pública, em especial a educação científica, levando os EUA e o mundo de volta à Idade das Trevas.