Karl Marx sobre a ilusão da felicidade

“O sofrimento religioso é
ao mesmo tempo
a expressão do
sofrimento verdadeiro
e um protesto contra
o sofrimento real.

A religião é o suspiro
da criatura aflita,
o coração de um
mundo sem coração,
é o espírito da situação
sem espírito.

A religião é o ópio do povo.

A abolição da religião como felicidade ilusória
é o que falta para sua verdadeira felicidade.

Pedir para que descartem as ilusões sobre sua situação
é pedir para que descartem a própria situação
que necessita de ilusões.

A crítica da religião, em seu âmago,
a crítica desse vale de lágrimas
da qual a religião é a auréola.

Essa crítica retirou as flores imaginárias das correntes dos homens,
não para que ele continue a usar essas correntes
sem consolo ou fantasia,
mas para que ele possa quebrar essas correntes
e então colher a flor viva.”

Karl Marx

Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. Einleitung. Introdução. MEW 1, S. 378, 1844 MEW 1, p. 378, 1844

Métodos científicos: método dedutivo

Continuando nossa análise dos métodos científicos, hoje apresentamos o método dedutivo. Tal método faz o caminho oposto ao método indutivo.

Enquanto o método indutivo parte de casos específicos para tentar chegar a uma regra geral (o que, muitas vezes, leva a uma generalização indevida), o método dedutivo parte da compreensão da regra geral para então compreender os casos específicos. Já no início do texto, essas diferenças ficam bastante claras.

Continuar lendo

Métodos científicos: método indutivo

Tudo o que pode ser considerado ciência utiliza, necessariamente, um método científico, ou seja, utilizam um conjunto de atividades sistemáticas e racionais que culminam na aquisição de conhecimento válido e verdadeiro. Esse método deve auxiliar as decisões do cientista, definindo os caminhos a seguir e detectando os possíveis erros.

A utilização de um método científico não se restringe à produção de conhecimento científico apenas. Podemos (e devemos) utilizar tais métodos em vários momentos de nossas vidas. Por exemplo: você aprende a fazer bolo de chocolate. Na primeira vez que você faz, ele não fica macio. Lendo a respeito, você descobre que uma das causas pode ser a falta de fermento. Na segunda tentativa, você aumenta a quantidade de fermento (experimentação) e o bolo fica bom.

Em outras palavras, qualquer problema que precise ser resolvido em qualquer momento de nossa vida pode ser resolvido utilizando o método científico.

Não há um só método científico. Com este artigo, inauguro uma sequência que pretende apresentar, além do método indutivo, o dedutivo, o hipotético-dedutivo e o dialético, além de apresentar os métodos científicos nas ciências sociais.

Leia também: Sobre porquê a ciência é a única forma de conhecimento que vale a pena.

Continuar lendo

Carl Sagan e sua totalmente armada nave espacial da imaginação

Carl Sagan foi um dos mais famosos divulgadores científicos da história. Cientista,  astrobiólogo, astrônomo, astrofísico, cosmólogo, Sagan escreveu mais de 600 publicações científicas, além de 20 livros científicos e de ficção. Carl Sagan foi um grande defensor do método científico, do pensamento cético, do materialismo, não só na Academia, mas no dia a dia, em cada decisão que tomamos.

Em 2011, o blog Ninjerktsu publicou este story board do que seria um filme onde Sagan, pilotando a Imaginação, caça a Astrologia (pilotada pelos signos), que reage com várias pseudociências (homeopatia e moto-perpétuo). Para derrotar as pseudociências, Sagan utiliza simplesmente o Método Científico!

Um trabalho genial do Ninjerktsu  (que diz ser artista de story boards na Dreamworks) que disponibilizo na esperança de que seja utilizado para ensinar as crianças sobre a ciência e o pensamento crítico.

Veja também outros conteúdos sobre Carl Sagan e mais sobre Pseudociências.

Continuar lendo

Sobre porquê a ciência é a única forma de conhecimento que vale a pena

 

“O maior pecado contra a mente humana é acreditar em coisas sem evidências. A ciência é somente o supra-sumo do bom-senso – isto é, rigidamente precisa em sua observação e inimiga da lógica falaciosa.”
Thomas Henry Huxley

Conhecimento CientíficoO pensamento científico é algo relativamente novo na história da humanidade. Suas bases começaram a ser desenhadas na Grécia antiga, quando os pensadores pré-socráticos começaram a substituir a crença nos mitos por explicações céticas para os fenômenos do mundo, mas o método científico só se torna realidade no século XVI.

Antes do surgimento do método científico, o conhecimento acumulado pelo ser humano era altamente empírico ou era simplesmente baseado em dogmas e tradições. A ciência permitiu ao homem produzir o conhecimento de forma mais coletiva e controlada, com menos perda de tempo e mais próximo da realidade.

Apesar de qualquer tipo de conhecimento ser capaz de chegar à verdade, apenas o conhecimento científico é capaz de negar a si próprio, ou seja, de perceber por seus próprios métodos que está errado, que não é a verdade.

O texto a seguir, é parte do livro Fundamentos da Metodologia Científica e identifica os quatro tipos de conhecimento e suas diferenças. Isso permitirá compreender melhor as diferenças entre o conhecimento vulgar, dogmático ou religioso do conhecimento científico.

Continuar lendo

Materialismo, idealismo e dialética: chamando as coisas pelos seus nomes

glass-ball-1974826_960_720O senso comum faz uma grande confusão entre os termos materialismo e idealismo. Com influência, provavelmente, da moral religiosa, várias pessoas defendem a ideia de que o materialismo é o enaltecimento dos prazeres mundanos em detrimento de ideais mais “elevados”.

Essa ideia não é nova:

 “O filisteu entende por materialismo glutonaria, bebedeira, cobiça, prazer da carne e vida faustosa, cupidez, avareza, rapacidade, caça ao lucro e intrujice de Bolsa, em suma, todos os vícios sujos de que ele próprio em segredo é escravo; e por idealismo, a crença na virtude, na filantropia universal e, em geral, num ‘mundo melhor’, de que faz alarde diante de outros, mas nos quais ele próprio [só] acredita, no máximo, enquanto cuida de atravessar a ressaca ou a bancarrota que necessariamente se seguem aos seus habituais excessos ‘materialistas’ e [enquanto], além disso, canta a sua cantiga predileta: que é o homem? — meio animal, meio anjo.”
(ENGELS, F. Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Clássica Alemã. 1886)

Como demonstra o texto a seguir, essa visão não condiz com a realidade. Ele explica o ponto de vista de um dos principais teóricos do materialismo, o alemão Karl Marx. O materialismo (em especial o materialismo histórico e dialético) é uma concepção filosófica, não um preceito moral. O preceito básico seguido pelo materialismo é a observação da matéria, ou seja, do mundo real, sem o uso de hipóteses mágicas ou fantásticas. Ou seja, o materialismo defende que o mundo deve ser explicado a partir de si mesmo, até porque a matéria é a realidade objetiva e existe independente de nossa percepção ou consciência.

Leia também As teses de Marx sobre a filosofia de Feuerbach.

Continuar lendo

Obscurantismo com diploma

ObscurantismoO objetivo deste site é a propagação do pensamento materialista, ou seja, fazer com que as pessoas passem a usar a realidade como parâmetro para analisar o mundo, ao invés de dogmas e tradições. Nesse sentido, propagandeamos a ciência e o pensamento científico.

Um dos grandes inimigos do pensamento científico são os dogmas e religiões que se travestem de ciência, ou seja, aquelas disciplinas que se afirmam científicas, mas que não se utilizam do método científico, carecem de provas ou plauseabilidade, não se baseiam em estudos ou pesquisas etc.

O artigo a seguir foi apresentado na Primeira Conferência Iberoamericana sobre Pensamento Crítico da revista Pensar, na Argentina, em setembro de 2005. Apesar do tempo, o texto continua extremamente atual.

De lá pra cá a situação piorou bastante, ao ponto de criarem uma faculdade com o único objetivo de dar uma “cara” científica para a pseudociência religiosa da Ontopsicologia (Faculdade Antonio Meneghetti).

As faculdades e universidades particulares se tornaram fábricas de dinheiro e, para alcançar o lucro a qualquer custo, abrem cursos os mais bizarros.

As Faculdades Integradas Espírita, em Curitiba, oferecem um Curso Superior de Formação Específica em Yoga que “visa conceber um profissional que utilize métodos da Filosofia Hindu, privilegiando a difusão de técnicas de prevenção à doença, numa ação mediadora dos estados patológicos para a busca do equilíbrio bio-psico-social e espiritual do indivíduo, seguindo os pressupostos dos textos do Yoga Clássico” e o Curso Superior de Formação Específica em Naturoterapia, contendo em seu currículo: auriculoterapia e massoterapia, acupuntura e fitoterapia, iridologia, florais, hidroterapia, geoterapia, trofoterapia, cromoterapia, Zen Shiatsu, Tui-Ná e Reflexolologia Podal.

O obscurantismo atingiu a Universidade e ganhou seu diploma. Agora, como um vírus, arrasta gerações de jovens de volta à Idade Média.

Leia outros textos sobre pseudociências.

Continuar lendo

Einstein: tornando-me um livre pensador e um cientista

O texto a seguir foi extraído do livro Autobiographical Notes (ISBN 0812691792), produzido a partir de escritos de Einstein e traduzidos para o inglês por Paul Arthur Schilpp.

Estas notas foram a única tentativa de Einstein de fazer um rascunho de sua própria história e de suas percepções na juventude e do que o levou à ciência. É o testemunho de um homem que nunca se dobrou e se manteve crítico por toda a sua vida.

Neste trecho, o físico alemão discorre sobre sua descoberta do pensamento materialista, crítico e científico: o livre pensamento.

Há uma edição em português, da Nova Fronteira (ISBN  852091344x). Vale a pena.

Continuar lendo

A arte refinada de detectar mentiras

Este é mais um texto clássico de The Demon-Haunted World (O Mundo Assombrado pelos Demônios – A Ciência vista como uma vela no escuro), de Carl Sagan.

Desta vez, Sagan analisa uma série de “dicas” para detectarmos que uma afirmação é uma mentira (ou pelo menos que tem grandes chances disso). Explica rapidamente algumas falácias (grandes indícios da má fé do interlocutor).

É um texto importante para qualquer pessoa que deseje realizar debates com seriedade em busca do conhecimento verdadeiro.

Veja outros textos de Carl Sagan.

Continuar lendo