O surrealismo canalha da direita brasileira

A direita brasileira é surreal. Quase não dá pra saber se é mal-caratismo ou pura estupidez, mesmo.

Exemplos não faltam: é polícia dizendo que Bakunin era um “potencial suspeito” de organizar ações violentas no Rio de Janeiro em 2014. São promotores que não sabem a diferença entre Engels e Hegel. É uma vereadora do Rio de Janeiro que acha que a Venezuela é governada pelo Seu Madruga. São vários vereadores de várias cidades propondo projetos de lei para “proibir o Apocalipse”. Ou a socialite que vê uma bandeira do Japão e acha que é uma invasão comunista. Tem o deputado que acha que Bertold Brecht é personagem da Escolinha do Professor Raimundo e ainda tem o candidato a presidência que diz que ornitorrinco é da Amazônia…

Bom… Dois juízes sendo homenageados em uma casa de prostituição…

Essa semana a senadora Ana Amélia, do PP do RS, utilizou suas redes sociais e o plenário do Senado Federal pra comentários tão estapafúrdios, xenófobos e racistas que só podia ser piada do Gentili. Reagindo a uma entrevista de outra senadora à TV Al Jazeera, quis vinculá-la ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Poderia até ser mais um exemplo da estupidez que ronda o discurso conservador, mas não é verossímil que Ana Amélia, uma jornalisa que foi diretora de uma grande rede de televisão, não saiba o que é a Al Jazeera ou que não saiba a diferença entre o Catar e a Síria. Tudo bem que a tal é uma espécie de Barbie Mausoléu, com roupinhas combinando para cada ocasião e posando de garota propaganda do MBL, mas será que ela teria sido vítima de algum tipo de demência?

Lançando mão do expediente mais comum na criação de notícias falsas, a canalha da direita brasileira tentou utilizar de várias mídias simultâneamente para convencer a população de que a senadora Gleisi Hoffmann estava aliciando terroristas islâmicos.

A insanidade começou com vários teóricos da conspiração do MBL afirmando ad nauseam que Gleisi havia violado a Lei de Segurança Nacional. Um tal de Jornalivre tem a pachorra de insinuar que a entrevista seria uma mensagem secreta que ela enviara aos terroristas.

O fake news dos Ken Carson do MBL conseguiu o que queria e aflorou o preconceito xenófobo, arrogante e ignorante dos conservadores. O senador José Medeiros, do Podemos, crendo que “muçulmano”, “árabe” e “terrorista” é tudo a mesma coisa, responsabilizou Gleisi pelos atentados terroristas que, eventualmente, acontecerão no Brasil porque ela foi falar com uma TV do Catar. Ainda acusou a senadora de enviar “um recado subliminar” a radicais e fundamentalistas islãmicos.

Medeiros foi ovacionado pelo MBL.

A tal Ana Amélia veio tentar surfar essa onda, acusando a colega de “convocar o Exército Islâmico pra vir ao Brasil”.

Outro procurando os olofotes foi o Major Olímpio,  que estrapolou a noção do ridículo, deixou o plenário babando de ódio e foi até a Procuradoria Geral da República protocolar um pedido de invesigação de Gleisi.

Tem uma parcela de idiotice aí, claro, mas o que tem mesmo é a falta de caráter de quem inventa notícias falsas pra tentar ganhar no grito.

Vergonhoso.

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