A iniciação científica na educação básica


Maria Francilene Câmara Santiago
Ivanaldo Santos
Simone Cabral Marinho dos Santos

Ao tentar elaborar respostas e soluções às dúvidas e problemas que levem a compreensão de si e do mundo, a ciência não se resume ao controle prático do homem sobre a natureza. Fazer do mundo uma provocação é tornar a prática científica inerente ao cotidiano, uma vez que oportuniza a observação, o questionamento e a compreensão da realidade social. E integrá- -la ao cotidiano da escola é, antes de tudo, transformar o conhecimento em algo não reprodutivo, mas criativo, bem como melhorar as condições de permanente aprendizagem, estimulando a aplicação prática de reflexões teóricas por meio de intervenções efetivas na sala de aula. Para tanto, a curiosidade natural e a criatividade do(a) aluno(a) devem ser estimuladas. É importante que este compreenda os fenômenos que ocorrem ao seu redor, possibilitando assim a produção de novos conhecimentos sob condições de permanente aprendizagem.

Continuar lendo

Dicionário ilustrado da tortura no Brasil

No último domingo, 17 de abril, durante o espetáculo de horrores que foi a votação da abertura do processo de impedimento na Câmara, um dos ícones do fascismo brasileiro, Jair Bolsonaro, fez uma “homenagem” ao notório torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Bolsonaro é um ex-militar com uma carreira medíocre que foi alçado a condição de “celebridade” depois de uma tentativa de realizar vários atentados a bomba (várias bombas na Vila Militar na Zona Norte do Rio, outras da Academia de Agulhas Negras, em Rezende, e em vários outros quartéis), quando foi convidado pela Veja para ser um de seus articulistas. Hoje é um parlamentar também medíocre que, apesar de não fazer nada além de ser deputado nos últimos 25 anos, teve apenas um projeto aprovado em toda a sua História, o que o torna um dos parlamentares mais incompetentes de todos os tempos. A única coisa que mantém sua notoriedade são suas posições misóginas, racistas, homofóbicas e sua profunda estupidez. É um palhaço alimentado por uma mídia mais medíocre do que ele.

Continuar lendo

Os principais argumentos contra o aborto: ponderações científicas

David Robert Grimes*

Só na semana passada, o aborto causou controvérsias nos EUA, Reino Unido e Chile. A ciência médica é muitas vezes reivindicada em ambos os lados do debate, mas o que há de evidências em algumas das principais reivindicações em torno do aborto?

Há poucos assuntos no discurso moderno tão divisivos, tão repletos de incompreensões e enraizados de convicções profundas quanto o aborto.

Os que defendem o direito de escolher argumentam que é um direito da mulher escolher se levará a gravidez a termo ou não. Do outro lado, os ativistas anti-aborto insistem que a partir do momento da concepção o feto tem o direito inalienável à existência. Nos últimos anos, a polarização aumentou e o tema tem se tornado politicamente excepcionalmente exaltado, com os aspectos pessoais e políticos cada vez mais dificilmente separados.

Em meio a tantos argumentos apaixonados, é fácil que incompreensões e ficção preencham o espaço vazio entre as ideologias opostas. No entanto, se quisermos ter uma discussão fundamentada sobre o direito ao aborto, temos que abandonar as falsidades persistentes que obscurecem o tema. Se quisermos escolher a razão em detrimento da retórica, vale a pena abordar alguns dos mitos mais perniciosas que surgem cada vez que a questão do aborto é levantada.

Continuar lendo

Resgatar o vermelho da bandeira na luta contra a opressão da mulher!

Misa Boito

O 8 de março de 2016, no Brasil, ocorre em uma situação na qual as mulheres, em particular das classes trabalhadoras, estão ameaçadas de gerar fetos com microcefalia. Dadas as suas condições materiais, elas são mais sujeitas ao zika vírus, um possível responsável por essa anomalia.

Num país ainda coberto pelo manto obscurantista que impede o direito democrático à opção ao aborto, o governo, através de seu ministro da Saúde, Marcelo Castro (PMDB), se nega a legalizar o aborto em comprovada situação de microcefalia, uma questão elementar de saúde. Um fato que expressa o quão atrasado é o Brasil em relação aos direitos das mulheres. No caso do aborto, um direito elementar é negado com as bençãos do Papa Francisco que, em sua última incursão pela América Latina (Cuba e México), manifestou-se contrário ao aborto de fetos com microcefalia, argumentando: “é matar uma pessoa para salvar outra, no melhor dos casos, ou para deixá-la bem. É um mal em si mesmo”.

Continuar lendo

Por que é urgente legalizar o aborto?

Kalinka Jezari

Segundo dados divulgados no final da primeira quinzena de janeiro de 2016 pelo Ministério da Saúde, mais de 3.500 récem-nascidos foram diagnosticados com suspeita de microcefalia, possivelmente relacionada ao vírus zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, também transmissor da dengue e da chikungunya.

Continuar lendo

O neonazismo judeu (sim, isso existe!)

A crescente onda de violência de grupos racistas judeus dentro e fora de Israel tem trazido à luz um pouco do submundo dessas organizações. A coisa veio à tona em 2014, quando um protesto contra a guerra em Tel Aviv foi atacado violentamente por um grande número de jovens. Dentre os atacantes, alguns jovens que ostentavam camisetas com símbolos neonazistas. Um deles ostentava o logotipo “Good night left side”, um símbolo utilizado por neonazis europeus, substituindo a cruz solar (símbolo nazista) pela estrela de Davi (símbolo judeu).

As imagens levaram o CEO do Instituto de Prevenção do Ódio Online (uma ONG dedicada a combater o anti-semitismo), Andre Oboler, a investigar o caso. Oboler descobriu que grupos de judeus de Israel, EUA e Austrália (especialmente os ligados ao sionismo) tem estreitas relações através da Internet com grupos neonazistas europeus. O que os une: o ódio e a violência contra os muçulmanos.

Continuar lendo

“Limpeza étnica”: o racismo legalizado de Israel

“Precisa de uma empregada? Está cansado de ser multado por contratar imigrantes ilegais? Não quer contratar uma faxineira árabe por questões de segurança? Está cansado de seguir a lei e depois ser processado por empregados temporários?”

Não, esse texto não foi retirado de uma propaganda do Século XIX. Ele é a chamada de um folheto distribuído em pleno 2016 nas ruas de Tel Aviv, em Israel. Ele oferece serviços domésticos com preços que variam segundo a origem étnica do empregado.

Continuar lendo

Pelo fim do Apartheid: boicote acadêmico a Israel

Recentemente, o deputado federal Jean Willys (PSOL-RJ), indo na contra-mão da comunidade acadêmica internacional, foi a Israel por convite da Universidade Hebraica de Jerusalém. Foi um grande (e triste) exemplo de como trabalha a retórica do pós-modernismo (muito presente no PSOL): em nome de uma pretensa “liberdade da comunidade LGBT” no país, Willys tenta justificar o racismo e o genocídio praticado pelo Estado fascista de Israel. Em sua palestra que, segundo ele, versou “sobre antissemitismo, racismo, homofobia e outras formas de ódio e preconceito”, Willys ignorou completamente o fato de que Israel promove exatamente esse racismo, promove a segregação racial de seus cidadão, promove a ocupação militar de outros países, promove o genocídio do povo palestino, promove a esterilização forçada de mulheres negras em seu território.

O fato de a palestra de Jean Willys ter sido feita na Universidade Hebraica de Jerusalém não é secundário. Tal universidade é um símbolo da violência sionista. Boa parte das suas instalações foram construídas em terras tomadas ilegalmente e violentamente dos palestinos em Jerusalém Oriental. Uma carta aberta assinada por 76 acadêmicos e endossada por centenas de organizações e pesquisadores internacionais afirmava, já em 2013, que “apesar de todas as universidades israelenses compactuarem plenamente com a ocupação, o colonialismo de assentamentos e o apartheid, a Universidade Hebraica de Jerusalém tem papel proeminente”. Destaca ainda que “a universidade compactua com o tratamento desigual de palestinos, inclusive daqueles que são cidadãos de Israel [e] restringe a liberdade de expressão e de protesto de seus poucos estudantes palestinos”.

Em nome da liberdade de pensamento, nós apoiamos qualquer forma de boicote e sanções ao Estado Sionista de Israel e publicamos aqui a Campanha Palestina pelo Boicote Acadêmico e Cultural a Israel. Organize o boicote em sua Universidade e, se desejar, envie-nos notícias sobre a campanha.

Continuar lendo

Manifesto contra a ascensão do pós-modernismo anticientífico

por Martí Jiménez Mausbach, @MartiJim7

“A acusação de cientificista me orgulha. O cientificista é um tipo de sustenta que tudo o que pode ser conhecido é melhor compreendido utilizando o método científico em lugar da improvisação e da especulação desenfreada” -Mario Bunge

Me preocupa como o movimento anti-vacina, espalhado nas regiões mais ricas do mundo, tem provocado a pior epidemia de sarampo dos últimos 20 anos. Me preocupa que grupos políticos percam tempo promovendo moções contra a imaginária conspiração dos chemtrails1 ou as ondas não ionizantes. Me preocupa ver cartazes divulgando cursos de risoterapia ou de reiki em estabelecimentos comerciais sérios. Me preocupa que em uma iniciativa cidadã como o Multireferendo, 34.204 pessoas votaram contra os transgênicos, enquanto dois terços dos espanhóis não sabem que tomates têm genes. Me preocupa ver comissões de espiritualidade dançando em torno de uma espiga de milho no Acampada Sol2. Me preocupa que o velho continente esteja deixando escapar o potencial da biotecnologia agrário por fundamentalismo tecnofóbicos. Me preocupa que no final do ano passado, o presidente da Comissão Européia eliminou o cargo de assessor científico pelas pressões do Greenpeace. Me preocupa que cada vez mais gente considere incompatível, com o ativismo político, uma posição cética em relação a uma ampla gama de pseudociências, que abarcam desde a reflexologia até a psicanálise. Me preocupa que uma ampla massa social de esquerda siga desconfiando da ciência, ao considerá-la parte do stablishment capitalista. Me preocupa, em última análise, a ascensão do intelectualismo New Age, relativista pós-moderno, pseudocientífico e mesmo profundamente anti-científico.

Continuar lendo

Teu feminismo burguês me oprime

Claudia S. M.

Teu feminismo burguês me oprime
Quando tentas me impor que sou livre
E me faz lavar teu banheiro, tuas calcinhas,
E dentro da tua casa sou assediada pelo patrão
“Mas quem nunca caiu em tentação … ele é homem” Continuar lendo