Revolução francesa

Babeuf e a igualdade entre os homens

Gracchus Babeuf, nascido François Noël Babeuf (1760 – 1797), foi um trabalhador francês que participou da Revolução Francesa e foi assassinado pela sua defesa da igualdade entre os homens.

Em 1789, no início da Revolução Francesa, participa da redação de uma lista de reivindicações do povo, onde defende a igualdade radical entre todos os seres humanos. Adotou o nome Gracchus em homenagem a dois irmãos romanos (Tiberius e Gaius Gracchus) que militaram em defesa da reforma agrária.

Babeuf defendia que não bastava a igualdade de direitos (perante a lei), mas era necessária a igualdade nas condições de vida das pessoas. Para alcançar tal intento, defendia a abolição da propriedade privada.

“Quando o governo viola os direitos do povo, a insurreição é, para o povo e para cada porção do povo, o mais sagrado dos direitos e o mais indispensável dos deveres.”
Gracchus Babeuf

Após a queda de Robespierre e a contrarrevolução do termidor (que retornou a burguesia ao poder na França), Babeuf apoiou a criação de uma organização popular, conhecida como Conjuração dos Iguais. Os Iguais defendiam a igualdade efetiva, real, entre os homens na “comunidade dos bens e dos trabalho”, onde, todos teriam acesso aos bens produzidos por seu trabalho.

A Conjuração dos Iguais é considerada o primeiro partido socialista da história. O texto que apresento hoje é o programa desse partido. É o manifesto em que Os Iguais declaram seus princípios e seus objetivos e é a primeira declaração política de caráter socialista da história.

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Natural não quer dizer seguro

Natural não quer dizer seguro

A crença de que “natural” equivale a “inocuo” é uma falácia perigosa que permeia escolhas cotidianas – de alimentos a medicamentos. Este artigo desmonta esse mito ao evidenciar como substâncias naturais frequentemente carregam riscos subestimados: toxinas em plantas medicinais, venenos em cogumelos silvestres e até a água potável em excesso podem ser letais. Enquanto produtos sintéticos passam por rigorosos testes de segurança, muitos “naturais” escapam à regulação, alimentando a ilusão de sua benignidade. A ironia, como aponta o texto, reside na seletividade cultural: tememos químicos industriais, mas ignoramos perigos reais como a Amanita phalloides (responsável por 90% das mortes por cogumelos) ou interações fatais de ervas com medicamentos. Num mundo que idealiza o orgânico, esta análise confronta nosso viés romântico com dados científicos cruciais para decisões conscientes.

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Helen Keller: da prisão do silêncio à emancipação proletária

Helen KellerHelen Keller foi uma famosa ativista social dos EUA. Cega e surda por causa de uma doença durante a infância, aos oito anos, foi para o Instituto Perkins para Cegos, onde  aprendeu a se comunicar sentindo, com o tato, a linguagem de sinais feita pelo interlocutor. Foi onde conheceu Anne Sullivan, sua professora, que se tornou sua companhia até sua morte (em 1936). Mais tarde, aprendeu a ler lábios e sentir as vibrações das cordas vocais com o tato, o que a possibilitou aprender a falar.

Keller provou que as limitações sensoriais não são impeditivos para o Livre Pensamento. Graduou-se em filosofia com 24 anos. Durante a faculdade, escreveu sua autobiografia (The Story of My Life), livro que se tornou um dos mais famosos da literatura estadunidense. Era proficiente, além do inglês, em francês, alemão e latim.

Os meios de comunicação tentaram pintá-la apenas como uma defensora dos deficientes físicos, mas Keller foi uma militante das liberdades democráticas, sufragista e pacifista. Membro do SPA (Parido Socialista da América), participou de várias greves operárias e discursou várias vezes para os trabalhadores. Em 1912 se filiou à  Industrial Workers of the World (IWW ou “os Wobblies“) e passou a defender um sindicalismo revolucionário. Internacionalista, visitou 39 países em defesa dos deficientes físicos. Após a Segunda Guerra Mundial, foi ao Japão e a Europa para defender os veteranos feridos.

Neste artigo, Keller responde aos jornais da grande mídia, que por muito tempo a utilizaram para histórias sensacionalistas, mas que não puderam conter seu ódio quando Keller passou a defender as ideias socialistas, o voto para as mulheres e o fim das guerras.

Helen Keller foi uma verdadeira Livre Pensadora. Levantou-se contra as tradições e dogmas, contra a opressão de qualquer tipo, contra as guerras e em defesa do pensamento materialista. Tal como Einstein, identificou suas ideias com as ideias socialistas.

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Neil deGrasse Tysson fala sobre OVNIs e nossa percepção falha

Neil deGrasse Tysson é astrofísico e propagandeador da ciência. Já publiquei várias coisas dele aqui.

Tysson é convidado frequente em programas de entrevista, não só por ser eloquente e articulado, mas por sua profunda pesquisa acadêmica.

Neste vídeo, Tysson responde a uma pergunta sobre se ele acredita ou não em OVNIs (Objetos Voadores Não Identificados) e ele faz uma apresentação bem humorada sobre como a verdadeira ciência vê esse tipo de coisa.

Veja também outros vídeos com Neil deGrasse Tysson.

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Igreja Católica distribui manual pseudocientífico que defende o fim da laicidade

por Maurício Moura

Acabei de ter contato com o chamado “Manual de Bioética para Jovens”, produzido pela Fondation Jérôme Lejeune e publicado em várias partes do mundo. Uma versão deste “manual” está sendo distribuída aos participantes da Jornada Mundial da Juventude.

Assustadoramente, é um amontoado de proselitismo preconceituoso a pseudocientífico. Uma ode ao obscurantismo medieval.

Jérôme Jean Louis Marie Lejeune foi um médico francês do século passado. Especialista nos efeitos da radioatividade nos cromossomos humanos, descobriu a anomalia genética causadora da Trissomia 21, ou Síndrome de Down. Decidido que era possível encontrar uma cura para a anomalia, Lejeune foi ativo contra o uso de exames pré-natais para identificação da Trissomia 21 com fins de aborto dos fetos doentes. Católico, Lejeune foi escolhido por João Paulo II para ser o primeiro presidente da Pontifícia Academia para a Vida, uma organização vinculada ao Vaticano que tem como único objetivo a distorção da ciência em busca de argumentos contra a legalização do aborto. Está sendo beatificado pela Santa Sé para se tornar um símbolo dessa militância.

Bom, logo na introdução, o presidente da Fundação Jérôme Lejeune, Jean-Marie Le Méné, afirma: “A ciência é, verdadeiramente, a árvore do conhecimento do bem e do mal”. Ora, o que querem dizer esses senhores? Vejamos: em Gênesis 2:9, a Bíblia Católica afirma que Deus criou a Árvore da Sabedoria do Bem e do Mal, mas sobre ela, afirma: “E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2:16-17).

Ora. então a ciência é a raiz da danação do homem? A ciência é o motivo e a raiz de todo o pecado? Para esses senhores, sim.

Ainda sobre a ciência, o “manual” continua: “Toda a nossa responsabilidade consiste em tentar colher os frutos bons e não trincar os frutos maus, nem oferecê-los aos nossos descendentes”. Fui pesquisar para entender isso e o que encontro? “Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons” (Mateus 7:18) e “Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto” (Lucas 6:43).

Apesar de afirmar categoricamente que a ciência é um mal que não pode dar nenhum bom fruto, o “manual” se traveste de “cientista”, buscando uma roupagem “séria” para suas bizarras afirmações.

Ainda na introdução, o manual deixa bem claro seu objetivo: impedir a legalização de qualquer prática descrita no manual, pois o uso de anti-concepcionais, de camisinha de DIU, segundo o manual “conduzem à arbitrariedade dos mais fortes” (SIC)

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Presidente da SBPC fala sobre sua preocupação com os rumos da ciência

Helena Bonciani Nader, professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e presidente reeleita da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), discursou na abertura da 65ª Reunião Anual da SBPC (em 21/07) e demonstrou grande preocupação com os rumos da pesquisa científica no Brasil.

Lembrando o tema dessa 65ª Reunião (“Ciência para o Novo Brasil”), Nader destacou que, apesar de já ser a 7ª economia do mundo, o Brasil tem muito o que evoluir para se considerar inserido na chamada “Economia Baseada no Conhecimento”. Lembrou ainda que “Embora nosso país seja responsável por 2,7% da produção científica mundial, o que lhe confere a 13ª posição no ranking, ocupa apenas o 58º lugar em inovação entre 141 países”.

Helena vê positivamente as mudanças ocorridas no Brasil na última década: a criação de 14 novas universidades federais e de 126 novos campi, além de novos centros de pesquisa e da expansão das universidades estaduais. Por outro lado destaca o débito que o país ainda tem com a população com relação à educação de qualidade:

No entanto, o país apresenta índices sofríveis no que se refere à qualidade do ensino básico. O país ainda tem 6% de analfabetos e 21% de analfabetos funcionais, ou seja, quase um terço da população não consegue utilizar o conhecimento da língua para se inserir nas práticas sociais. O desempenho de nossos estudantes em exames internacionais e nacionais, mostram baixo rendimento quando avaliados na capacidade de entender e interpretar textos, matemática e ciências.

Apesar de fazer um discurso muito centrado na atuação da SBPC junto aos legisladores, a presidente acenou com posicionamentos importantes, como a priorização da educação, a defesa de que todo o recurso do Pré-Sal seja destinado à educação e à ciência, a descriminalização do aborto etc.

Leia a íntegra do discurso de abertura da 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

Michael Shermer: por que as pessoas acreditam em coisas estranhas?

Michael Shermer é um psicólogo e historiador da ciência. Em 1992 fundou a revista Skeptic (cético), onde expôs as falácias do Design Inteligente, das conspirações do 11 de setembro, visitas alienígenas e outras crenças e paranoias populares.  Shermer defende que só podemos entender o nosso mundo combinando boa teoria com a boa ciência.

Nesta palestra para o TED, Shermer analisa os motivos que levam as pessoas a “verem” a Virgem Maria em um sanduíche de queijo ou nas letras demoníacas que aparecem quando tocamos um disco ao contrário. O vídeo faz-nos perceber como nossa mente nos leva a acreditar em coisas estranhas, mesmo ignorando os fatos.

Veja outros vídeos do TED.

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Contra a PEC 99/11

Contra a PEC 99/11

 

Leia também: Sobre Laicidade, PEC 99/11 e a Democracia Política

Sam Harris: A ciência pode responder questões morais.

Sam Harris é um neurocientista estadunidense. Escritor de vários livros, é profundo crítico do dogmatismo, inclusive do dogmatismo religioso.

Harris defende que é necessário questionar livremente os dogmas e que o tabu de que “religião não se discute” é um entrave à evolução humana e à justiça social.

Neste vídeo, Harris demonstra que a suposta ligação entre religiosidade e moral é um mito e que não está baseado em nenhuma evidência. Demonstra também que a utilização da razão, da ciência, do materialismo, é muito mais útil para definir valores morais do que qualquer sistema de crenças, dogmas ou fé.

Veja outros vídeos do TED.

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A fronteira entre a ciência e a não ciência

Demarcando o que é e o que não é ciência

O seguinte artigo foi publicado pela Revista Filogênese, da Unesp, no volume 3, de 2010. Escrito pelo graduando em Filosofia pela UFOP, Rafael d’Aversa, busca os limites entre a ciência e a pseudociência através da análise de dois filósofos da ciência: Karl PopperRudolf Carnap.

Carnap foi um filósofo alemão. Um dos mais influentes membros do Círculo de Viena e defensor do positivismo lógico (neopositivismo), negava a metafísica (que considerava inútil e sem sentido) e defendia o princípio da verificação.

Popper era um filósofo da ciência nascido na Áustria e naturalizado britânico. Ele contrapõe o critério da verificação (do positivismo lógico) pelo método da falseabilidade. Apesar de sua crítica ao Círculo de Viena, é comummente descrito como um positivista.

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