“Afirma-se
– não sei com quanta veracidade –
que um certo pensador hindu
acreditava que a Terra
estava apoiada em um elefante.
Quando lhe perguntaram
no que o elefante de sustentava,
respondeu que se sustentava
numa tartaruga.
Quando lhe perguntaram
sobre o que a tartaruga
se sustentava, ele disse
‘Estou cansado disso. Vamos mudar de assunto’.
Isso ilustra o caráter insatisfatório
do argumento da Causa Primeira.”Bertrand Russell
Arquivo mensal: agosto 2013
Deus criou o Universo?
Curiosity é um programa do Discovery Channel. O objetivo do programa é responder “as questões mais desafiadoras da vida”.
Cada episódio escolhe uma pergunta e busca as respostas para ela, revelando os desdobramentos e as novas perguntas que surgem pelo caminho.
O vídeo a seguir é o primeiro episódio da primeira temporada do programa, que foi ao ar em 7 de agosto de 2011. Nele, Stephen Hawking analisa a existência de deuses a partir das evidências conhecidas. Para ele, o que (ou quem) criou o Universo é a questão mais fundamental da humanidade.
Hawking é um físico e cosmólogo britânico, diretor de pesquisa do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica e fundador do Centro de Cosmologia Teórica da Universidade de Cambridge.
O design inteligente e os aliens ancestrais: mais do mesmo deus das lacunas
Os deuses eram astronautas? O mundo foi criado por um deus onipotente e esquizofrênico (é um só, mas tem múltiplas personalidades)? O universo foi criado pelo Monstro de Espaguete Voador começando por uma montanha, árvores e um anão?
Todas as teorias contemporâneas de intervenção divina começam a partir do mesmo ponto: as lacunas. Todas essas teorias partem daquilo que a ciência ainda não conhece para conceber teorias fantásticas sem qualquer evidência. É o que se chama de argumentum ad ignorantiam (argumento da ignorância). Para eles, se a ciência não pode provar uma coisa, então sua teoria fantástica e mágica “com certeza” está certa.
No texto a seguir, Michael Shermer analisa essa estreita correlação entre os deuses aliens e os aliens deuses. Shermer é psicólogo e historiador da ciência, fundador da revista Skeptic (cético) e colunista da revista Scientific American.
Stephen Hawkins sobre Deus
“O que eu fiz foi demonstrar que é possível determinar pelas leis da Ciência
o modo como o Universo começou.
Neste caso, não é necessário apelar a Deus para explicar como começou o Universo.
Se isto não prova que Deus não existe,
pelo menos prova que
Deus não é necessário para nada”Stephen Hawkins
Sobre porquê a ciência é a única forma de conhecimento que vale a pena
“O maior pecado contra a mente humana é acreditar em coisas sem evidências. A ciência é somente o supra-sumo do bom-senso – isto é, rigidamente precisa em sua observação e inimiga da lógica falaciosa.”
Thomas Henry Huxley
O pensamento científico é algo relativamente novo na história da humanidade. Suas bases começaram a ser desenhadas na Grécia antiga, quando os pensadores pré-socráticos começaram a substituir a crença nos mitos por explicações céticas para os fenômenos do mundo, mas o método científico só se torna realidade no século XVI.
Antes do surgimento do método científico, o conhecimento acumulado pelo ser humano era altamente empírico ou era simplesmente baseado em dogmas e tradições. A ciência permitiu ao homem produzir o conhecimento de forma mais coletiva e controlada, com menos perda de tempo e mais próximo da realidade.
Apesar de qualquer tipo de conhecimento ser capaz de chegar à verdade, apenas o conhecimento científico é capaz de negar a si próprio, ou seja, de perceber por seus próprios métodos que está errado, que não é a verdade.
O texto a seguir, é parte do livro Fundamentos da Metodologia Científica e identifica os quatro tipos de conhecimento e suas diferenças. Isso permitirá compreender melhor as diferenças entre o conhecimento vulgar, dogmático ou religioso do conhecimento científico.
Materialismo, idealismo e dialética: chamando as coisas pelos seus nomes
O senso comum faz uma grande confusão entre os termos materialismo e idealismo. Com influência, provavelmente, da moral religiosa, várias pessoas defendem a ideia de que o materialismo é o enaltecimento dos prazeres mundanos em detrimento de ideais mais “elevados”.
Essa ideia não é nova:
“O filisteu entende por materialismo glutonaria, bebedeira, cobiça, prazer da carne e vida faustosa, cupidez, avareza, rapacidade, caça ao lucro e intrujice de Bolsa, em suma, todos os vícios sujos de que ele próprio em segredo é escravo; e por idealismo, a crença na virtude, na filantropia universal e, em geral, num ‘mundo melhor’, de que faz alarde diante de outros, mas nos quais ele próprio [só] acredita, no máximo, enquanto cuida de atravessar a ressaca ou a bancarrota que necessariamente se seguem aos seus habituais excessos ‘materialistas’ e [enquanto], além disso, canta a sua cantiga predileta: que é o homem? — meio animal, meio anjo.”
(ENGELS, F. Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Clássica Alemã. 1886)
Como demonstra o texto a seguir, essa visão não condiz com a realidade. Ele explica o ponto de vista de um dos principais teóricos do materialismo, o alemão Karl Marx. O materialismo (em especial o materialismo histórico e dialético) é uma concepção filosófica, não um preceito moral. O preceito básico seguido pelo materialismo é a observação da matéria, ou seja, do mundo real, sem o uso de hipóteses mágicas ou fantásticas. Ou seja, o materialismo defende que o mundo deve ser explicado a partir de si mesmo, até porque a matéria é a realidade objetiva e existe independente de nossa percepção ou consciência.
Leia também As teses de Marx sobre a filosofia de Feuerbach.
O padrão por trás do auto-engano
Esta palestra de Michael Shermer é a continuação, 4 anos depois, de outra palestra do TED que já publicamos (assista aqui).
Aqui ele explica a tendência do ser humano em acreditar em coisas estranhas. Para ele, a evolução das espécies nos programou especialmente para acreditar no desconhecido, no bizarro, no inacreditável.
Shermer é psicólogo e historiador da ciência e fundador da revista Skeptic (cético).
Assista também outras palestrar no TED.
Ontopsicologia: a pseudociência unindo o charlatanismo ao capitalismo selvagem
Em 2003 foi produzido o livro Método Científico & Fronteiras do Conhecimento, um trabalho conjunto do físico Ronaldo Mota, do geneticista Renato Z. Flores e dos biólogos Lenira Sepel e Élgion Loreto, todos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
O livro é dividido em duas partes. A primeira apresenta uma abordagem histórica do método científico, analisando desde as primeiras contribuições dos gregos, passando pelas bases do método científico no Renascimento, o seu amadurecimento (a partir da obra de Newton) até os filósofos da ciência contemporâneos, como Popper, Kuhn e Feyerabend.
A segunda parte utiliza temas contemporâneos para abordar as fronteiras do conhecimento. Para isso, analisa as pseudociências e apresenta conceitos e descobertas recentes nas áreas da genética, evolução e neourociências.
O texto a seguir é o capítulo 5 do livro, escrito pelo geneticista Renato Zamora Flores e é uma importante fonte de informação no debate sobre a fonteira entre o que é e o que não é ciência.
CNBB desorienta jovens
A seguir, texto de Luã Cupolillo publicado no Jornal O Trabalho nº 734 (agosto/2013). No texto, Luã discute o Manual de Bioética distribuído pela CNBB durante a Jornada Mundial da Juventude. Já tratamos desse assunto aqui.
Luã é historiador e faz parte da coordenação nacional da Juventude Revolução. Foi diretor da UNE e coordenador geral do DCE da UFJF.
por Luã Cupolillo
Manual distribuído na Jornada da Juventude ataca direito ao aborto
Na jornada mundial da juventude católica, ocorrida no Rio de Janeiro, o Papa apresentou um discurso de modernização e tolerância para se aproximar da juventude. Discursos à parte, o que diz a cúpula da Igreja católica sobre questões que afetam diretamente a vida da juventude? O “manual da bioética” da fundação Jerome Lejeune, ligada à Igreja Católica e publicado no Brasil pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e distribuído aos inscritos da jornada, justificam as posições reacionárias da cúpula da Igreja com argumentos pseudocientíficos.
Marco Feliciano em defesa do estuprador
A gente sabe que há muita estupidez e ignorância por aí, mas eu sempre acho que há um mínimo de decência e bom senso, que há sempre um limite pra quão absurdas possam ser as coisas que uma pessoa defende. Parece que estou errado.
No dia 1º de agosto último foi sancionada a lei que define que mulheres vítimas de violência sexual devem ter atendimento prioritário nos hospitais. A lei define que qualquer vítima de violência sexual (seja homem, mulher ou criança) deve ter atendimento imediato com três objetivos claros: curar as lesões físicas e psicológicas, evitar ou minimizar sequelas físicas e psicológicas e facilitar o trabalho policial de identificação do agressor.
Penso eu, na minha ignorância, que qualquer ser humano seria a favor de defender a vida e a saúde de quem já sofreu tão vil violência. Parece-me absolutamente surreal que algum representante eleito possa ser contrário à vítima e defensor do agressor. Ledo engano.
O deputado e pastor Marco Feliciano (PSC), já deu vários exemplos de quão misógino, racista e homofóbico é, mas agora extrapolou qualquer limite: está defendendo o estupro, a prática da violência sexual, está defendendo o estuprador, nega qualquer direito humano ou legal à vítima de estupro. Para ele, uma criança abusada sexualmente não deve ter nenhum direito garantido.

“O que eu fiz foi demonstrar que é possível determinar pelas leis da Ciência