Ditadura militar brasileira perseguiu centenas de cientistas

A história de 471 cientistas perseguidos durante a ditadura militar foi pesquisada e, a partir de hoje (31), pode ser consultada no site do Projeto Ciência na Ditadura. Esta é a primeira fase do trabalho feito pelo pesquisador titular da Coordenação de História da Ciência do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast) Alfredo Tiomno Tolmasquim e pelos professores Gilda Olinto e Ricardo Pimenta, do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict).

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Boaventura: a possível extinção do Estado de Israel

Criá-lo foi ato desumano de colonialismo. Extinto, pode dar lugar a Estado plurinacional e secular, onde judeus e palestinos convivam pacífica e dignamente

Por Boaventura de Sousa Santos

Podem simples cidadãos de todo o mundo organizar-se para propor em todas as instâncias de jurisdição universal possíveis uma ação popular contra o Estado de Israel no sentido de ser declarada a sua extinção, enquanto Estado judaico, não apenas por ao longo da sua existência ter cometido reiteradamente crimes contra a humanidade, mas sobretudo por a sua própria constituição, enquanto Estado judaico, constituir um crime contra a humanidade? Podem. E como este tipo de crime não prescreve, estão a tempo de o fazer. Eis os argumentos e as soluções para restituir aos judeus e palestinianos e ao mundo em geral a dignidade que lhes foi roubada por um dos atos mais violentos do colonialismo europeu no século XX, secundado pelo imperialismo norte-americano e pela má consciência europeia desde o fim da segunda guerra mundial.

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A evolução humana “definitivamente não” acabou, diz especialista

Human-originsA evolução humana acabou? Essa é a questão que Briana Pobiner, uma antropóloga do Museu Nacional de História Natural Smithsonian, fez a uma audiência neste sábado, 17 de maio de 2014.

Os seres humanos estão evoluindo em um ritmo crescente, graças aos avanços da medicina e uma grande população, Pobiner diz na “Future Is Here”, uma conferência de dois dias comemorando o futuro dos seres humanos, do planeta, vida além da Terra e do espaço profundo, oferecida pelo Smithsonian Magazine. Só que, da mesma forma como os humanos estão evoluindo, seus parasitas também evoluem.

“Eu convido vocês a olharem dentro dos olhos de nossos antepassados”, diz Pobiner. “Por que a maioria dos ancestrais humanos foram extintos enquanto o homo sapiens sobreviveu? A resposta tem muito a ver com o cérebro humano”.

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O Julgamento do Macaco

O professor John Scopes

As tentativas de impor o obscurantismo através da força sempre permeou o poder, em especial quando a distinção entre Estado e Religião não estão claras. O exemplo mais conhecido disso foi a Idade Medieval, quando Igreja e Estado eram umbilicalmente ligados e a Inquisição se encarregava de torturar e assassinar qualquer um que ousasse discordar dos dogmas estabelecidos.

Essa história todo mundo já ouviu falar, mas ela não acabou por aí. Vários países ainda qualificam a discordância religiosa como crime. Grande parte da Europa tem leis contra a blasfêmia, embora a opinião pública da maioria dos países geralmente consiga impedir sua ação.

Recentemente, um funcionário público da Indonésia foi condenado a cumprir 2,5 anos na cadeia por ter escrito a frase “Deus não Existe” no Facebook (embora líderes religiosos defendessem a decapitação). No mesmo país, cinco adolescentes foram presas por dançar. O Instituto Pew Research Center constatou em 2010 que 5,2 bilhões de pessoas (75% da população do mundo) vivem em locais em que há restrições de crença.

No Brasil não é diferente, com professores obrigando alunos a rezarem e os constantes ataques promovidos pela Bancada Evangélica e os conservadores de plantão (como a PEC 99/11, que iguala o status das igrejas grandes a organizações da Sociedade Civil, como sindicatos e partidos).

Mas o que dizer quando a ciência é classificada como crime?

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O porquê da canção de abril

da esquerda para a direita: Barata Moura, Vitorino, José Jorge Letria, Manuel Freire, Fausto, Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira – 29 de março de 1974

Ainda sobre a Revolução de Abril em Portugal, publico um texto do jornalista e historiador alentejano Pedro Laranjeira.

Em 1974, Pedro era jornalista freelance e tinha suas reportagens constantemente veiculadas no programa Limite, da Rádio Renascença, o mesmo programa que transmitiu Grândola Vila Morena em 25 de abril, como senha de arranque da MFA.

Como jornalista, Pedro cobriu a Revolução de Abril, gravando cerca de 7 horas de reportagem, junto com seus colegas Adelino Gomes, Paulo Coelho e Barbara Skolimowska. Esse material, editado e condensado em cerca de 2 horas e meia, foi veiculado pela Rádio Renascença durante a noite de 26 e a madrugada de 27 de abril de 1974 e posteriormente  publicado em vinil com o título de O dia 25 de abril – Diário da Revolução 1974.

Testemunha ocular, Pedro publicou este texto em seu blog em 30 de março de 2007. Não conhecia o texto e recebi a dica do também jornalista Roberto Salomão, a quem desde já agradeço.

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Grândola: Vila Morena

No meu último post dia 25, aniversário da Revolução dos Cravos, eu postei um vídeo com a versão da Grândola Vila Morena, a música que se tornou tema dessa revolução.

Eu citei no texto que haviam outras versões, com a Amália Rodrigues, a Nara Leão e a banda 365.

Bom, me cobraram que eu publicasse também essas versões.

Amália Rodrigues, a Rainha do Fado, é uma das mais importantes cantoras portuguesas. Nunca teve um posicionamento político muito claro, mas era amiga e contribuinte do Partido Comunista Português. O vídeo contém, além da gravação feita por Amália, vários artistas cantando a música (a partir dos 3 minutos). Entre eles está o Prêmio Nobel de Literatura José Saramago.

A gravação de Nara Leão é do EP de 1974,  A Senha do Novo Portugal, que também tem outra música do Zeca Afonso, Maio Maduro de Maio.

O terceiro vídeo é a da banda punk paulista 365. O clipe é novo, de 2011, mas a música foi gravada por eles em 1987.

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Portugal: 40 anos de liberdade

Hoje, 25 de abril, é feriado nacional em Portugal. É o Dia da Liberdade. Neste dia se comemora o movimento social que derrubou a ditadura fascista portuguesa do Estado Novo que durou mais de quatro décadas e mergulhou o país em 13 anos de guerras nas colônias.

A unidade dos trabalhadores portugueses, seus estudantes e seus soldados foi tão grande que a revolução portuguesa terminou com poucos tiros disparados e apenas 4 civis mortos pela polícia política.

Para simbolizar essa unidade, os civis distribuíram cravos vermelhos aos militares, que os colocaram nas pontas das armas. Por isso, a revolução portuguesa ficou conhecida como Revolução dos Cravos.

A revolução culminou com a construção e a entrada em vigor da nova Constituição, em 25 de abril de 1976.

Várias músicas fizeram parte da revolução ou foram ligadas a ela como homenagem. Uma dessas músicas tornou-se símbolo desse movimento, Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso. Ela foi escolhida para ser a segunda senha para o arranque das tropas (a primeira foi E depois do adeus, cantada por Paulo de Carvalho).

Aos 20 minutos da madrugada de 25 de abril de 74, Grândola, Vila Morena foi tocada no programa Limite, na Rádio Renascença e iniciou as operações simultâneas em todo o país das tropas organizadas pelo MFA. Apesar de os militares pedirem para que os civis não saíssem às ruas, já na madrugada as ruas de Lisboa foram tomadas pelo povo, que confraternizou com as tropas, distribuindo cravos. O mesmo ocorreu por todo o país.

Várias regravações da música foram feitas posteriormente, como por Amália Rodrigues, Nara Leão e até pela banda punk paulistana 365.

Assim, quero oferecer essa linda música como homenagem a este dia tão importante para a história dos países lusófonos.

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Legado de Rodas e Alckmin: genocídio intelectual de uma geração

O fechamento do Museu Paulista por quase uma década e a interdição da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP são o retrato de uma política de emburrecimento da juventude

por Maurício Moura

Museu PaulistaQuando escrevi sobre as ações de três governos estaduais para emburrecer a juventude brasileira (Os inimigos do Livre Pensamento – 13/03/2013), em minha inocência, não fiz a ligação entre este e vários outros ataques levados a cabo pelo governo paulista. Até já havia ficado clara a intenção do governador José Serra  (PSDB), e depois de Alckmin, de privatizar a USP, mas não imaginei que a coisa pudesse ficar tão feia.

No ano passado, em visita a São Paulo, quis ir até o Museu Paulista (que o povo por lá chama de Museu do Ipiranga). Descobri, decepcionado, que ele tinha sido fechado emergencialmente para reformas.

Essa semana descobri, consternado e revoltado, que ele provavelmente ficará uma década assim!

O Museu Paulista pertence à Universidade de São Paulo (USP). Sabendo disso, as coisas começaram a fazer sentido…

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A Marselhesa anticlerical

Ilustração do livro “La Bible amusante”, de Léo Taxil (1882).

Em 1881, o militante anticlerical Leo Taxil escreveu uma música em defesa da laicidade e da democracia na França. A música usava a melodia de A Marselhesa e, por conta disso, ficou conhecida como A Marselhesa Anticlerical.

Seu objetivo central era propagandear a separação entre a Igreja e o Estado, ou seja, a laicidade.

Taxil na verdade era um dos pseudônimos do jornalista francês Marie Joseph Gabriel Antoine Jogand Pagès, que escreveu vários livros em que criticava o clero, principalmente o católico. Por defender que a moral não era uma verdade absoluta e que a Igreja não poderia ter o monopólio dessa verdade, Taxil foi condenado e seu jornal, “La Marotte”, foi proibido.

Taxil ficou conhecido por enganar a Igreja Católica por anos com uma história de uma tal Diana Vaughan que divulgava que a maçonaria era uma seita satanista. Inventou até um ídolo que seria adorado pela maçonaria: Baphomet. Ele sustentou a fraude de 1885 até 1897, convencendo, inclusive, o papa Leão XIII.

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A questão da mulher: gênero ou classe?

No ano de 2011, a Comuna de Paris fez 140 anos. Para marcar o aniversário do primeiro governo operário da história, foi realizado o Seminário “Comuna de Paris – 140 Anos”, no dia 27 de maio.

O seminário foi realizado pela Central Única dos Trabalhadores – Paraná (CUT-PR), pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP) e pelo Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região e ocorreu no auditório dos bancários, em Curitiba.

Entre outros debates, os participantes do evento discutiram o papel da mulher no movimento de emancipação dos trabalhadores, tomando como ponto de partida a participação delas na Comuna. O debate foi precedido de uma palestra da socióloga Misa Boito. É esta palestra que publicamos aqui hoje.

Misa é socióloga, dirigente da IV Internacional no Brasil (Corrente O Trabalho) e integra o Diretório Regional do PT-SP.

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