Intolerância religiosa é crime de ódio e fere a dignidade

O direito de criticar dogmas e encaminhamentos é assegurado como liberdade de expressão, mas atitudes agressivas, ofensas e tratamento diferenciado a alguém em função de crença ou de não ter religião são crimes inafiançáveis e imprescritíveis
 Juliana Steck

Celebração no Rio de Janeiro pede respeito à liberdade religiosa, em 21 de janeiro, com presença de adeptos de diversas tradições de féA intolerância religiosa é um conjunto de ideologias e atitudes ofensivas a crenças e práticas religiosas ou a quem não segue uma religião. É um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana.

O agressor costuma usar palavras agressivas ao se referir ao grupo religioso atacado e aos elementos, deuses e hábitos da religião. Há casos em que o agressor desmoraliza símbolos religiosos, destruindo imagens, roupas e objetos ritualísticos. Em situações extremas, a intolerância religiosa pode incluir violência física e se tornar uma perseguição.

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Bertrand Russell e a lógica da fé


“Afirma-se
– não sei com quanta veracidade –
que um certo pensador hindu
acreditava que a Terra
estava apoiada em um elefante.
Quando lhe perguntaram
no que o elefante de sustentava,
respondeu que se sustentava
numa tartaruga.
Quando lhe perguntaram
sobre o que a tartaruga
se sustentava, ele disse
‘Estou cansado disso. Vamos mudar de assunto’.
Isso ilustra o caráter insatisfatório
do argumento da Causa Primeira.”

Bertrand Russell

Fonte: “Is There a God?”. In “The Collected Papers of Bertrand Russell”, Volume 11: Last Philosophical Testament, 1943-68, ed. John G. Slater e Peter Köllner (London: Routledge, 1997), p. 544

Ontopsicologia: a pseudociência unindo o charlatanismo ao capitalismo selvagem

Em 2003 foi produzido o livro Método Científico & Fronteiras do Conhecimento, um trabalho conjunto do físico Ronaldo Mota, do geneticista Renato Z. Flores e dos biólogos Lenira Sepel e Élgion Loreto, todos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

O livro é dividido em duas partes. A primeira apresenta uma abordagem histórica do método científico, analisando desde as primeiras contribuições dos gregos, passando pelas bases do método científico no Renascimento, o seu amadurecimento (a partir da obra de Newton) até os filósofos da ciência contemporâneos, como Popper, Kuhn e Feyerabend.

A segunda parte utiliza temas contemporâneos para abordar as fronteiras do conhecimento. Para isso, analisa as pseudociências e apresenta conceitos e descobertas recentes nas áreas da genética, evolução e neourociências.

O texto a seguir é o capítulo 5 do livro, escrito pelo geneticista Renato Zamora Flores e é uma importante fonte de informação no debate sobre a fonteira entre o que é e o que não é ciência.

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Marco Feliciano em defesa do estuprador

A gente sabe que há muita estupidez e ignorância por aí, mas eu sempre acho que  há um mínimo de decência e bom senso, que há sempre um limite pra quão absurdas possam ser as coisas que uma pessoa defende. Parece que estou errado.

No dia 1º de agosto último foi sancionada a lei que define que mulheres vítimas de violência sexual devem ter atendimento prioritário nos hospitais. A lei define que qualquer vítima de violência sexual (seja homem, mulher ou criança) deve ter atendimento imediato com três objetivos claros: curar as lesões físicas e psicológicas, evitar ou minimizar sequelas físicas e psicológicas e facilitar o trabalho policial de identificação do agressor.

Penso eu, na minha ignorância, que qualquer ser humano seria a favor de defender a vida e a saúde de quem já sofreu tão vil violência. Parece-me absolutamente surreal que algum representante eleito possa ser contrário à vítima e defensor do agressor. Ledo engano.

O deputado e pastor Marco Feliciano (PSC), já deu vários exemplos de quão misógino, racista e homofóbico é, mas agora extrapolou qualquer limite: está defendendo o estupro, a prática da violência sexual, está defendendo o estuprador, nega qualquer direito humano ou legal à vítima de estupro. Para ele, uma criança abusada sexualmente não deve ter nenhum direito garantido.

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Manal al-Sharif: Uma mulher saudita que ousou dirigir

Manal al-Sharif

Manal al-Sharif é uma cientista da computação saudita especialista em segurança da Internet.

Em maio de 2011 ela descobriu que não havia, na Arábia  Saudita, nenhuma legislação que proibisse a mulher de dirigir. A proibição era baseada única e exclusivamente na tradição e nos dogmas religiosos. Ela, então, iniciou uma campanha para que as mulheres sauditas começassem a dirigir. Ela se deixou filmar dirigindo e postou esse vídeo no Youtube e no Facebook (veja aqui).

Manal nunca pretendeu romper com sua religião nem com as leis de seu país. Mesmo assim, foi presa várias vezes e tornou-se um símbolo feminista no mundo todo.

Apesar da campanha anti-islâmica feita pela mídia mundial utilizando seu nome, a luta de Manal não é menor. Seu rompimento com um que seja dos dogmas religiosos pode permitir que as mulheres (não só as islâmicas) passem a repensar outros dogmas, outras tradições, e fazer com que caminhem no sentido de pensarem por si mesmas, livrando-se de todos os dogmas e tradições e levando o mundo a  um novo patamar do conhecimento, baseado na realidade.

Veja outros vídeos do TED.

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Igreja Católica distribui manual pseudocientífico que defende o fim da laicidade

por Maurício Moura

Acabei de ter contato com o chamado “Manual de Bioética para Jovens”, produzido pela Fondation Jérôme Lejeune e publicado em várias partes do mundo. Uma versão deste “manual” está sendo distribuída aos participantes da Jornada Mundial da Juventude.

Assustadoramente, é um amontoado de proselitismo preconceituoso a pseudocientífico. Uma ode ao obscurantismo medieval.

Jérôme Jean Louis Marie Lejeune foi um médico francês do século passado. Especialista nos efeitos da radioatividade nos cromossomos humanos, descobriu a anomalia genética causadora da Trissomia 21, ou Síndrome de Down. Decidido que era possível encontrar uma cura para a anomalia, Lejeune foi ativo contra o uso de exames pré-natais para identificação da Trissomia 21 com fins de aborto dos fetos doentes. Católico, Lejeune foi escolhido por João Paulo II para ser o primeiro presidente da Pontifícia Academia para a Vida, uma organização vinculada ao Vaticano que tem como único objetivo a distorção da ciência em busca de argumentos contra a legalização do aborto. Está sendo beatificado pela Santa Sé para se tornar um símbolo dessa militância.

Bom, logo na introdução, o presidente da Fundação Jérôme Lejeune, Jean-Marie Le Méné, afirma: “A ciência é, verdadeiramente, a árvore do conhecimento do bem e do mal”. Ora, o que querem dizer esses senhores? Vejamos: em Gênesis 2:9, a Bíblia Católica afirma que Deus criou a Árvore da Sabedoria do Bem e do Mal, mas sobre ela, afirma: “E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2:16-17).

Ora. então a ciência é a raiz da danação do homem? A ciência é o motivo e a raiz de todo o pecado? Para esses senhores, sim.

Ainda sobre a ciência, o “manual” continua: “Toda a nossa responsabilidade consiste em tentar colher os frutos bons e não trincar os frutos maus, nem oferecê-los aos nossos descendentes”. Fui pesquisar para entender isso e o que encontro? “Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons” (Mateus 7:18) e “Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto” (Lucas 6:43).

Apesar de afirmar categoricamente que a ciência é um mal que não pode dar nenhum bom fruto, o “manual” se traveste de “cientista”, buscando uma roupagem “séria” para suas bizarras afirmações.

Ainda na introdução, o manual deixa bem claro seu objetivo: impedir a legalização de qualquer prática descrita no manual, pois o uso de anti-concepcionais, de camisinha de DIU, segundo o manual “conduzem à arbitrariedade dos mais fortes” (SIC)

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